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FEDERAÇÃO ESPÍRITA DO ESTADO DE SÃO PAULO

CURSO DE EDUCAÇÃO MEDIUNICA

2º ANO

19ª EDIÇÃO – FEESP - SÃO PAULO - 2011

 

 

Sumário

 

Apresentação                                                           8

 

 

1ª aula

A) Formação dos Médiuns                                            11

B) Parábola dos Talentos                                              16

 

2ª aula

A) Médiuns especiais e suas aptidões                             22

B) Benfeitores                                                             29

 

3ª aula

A) Natureza das Comunicações                                     33

B) O Teu Dom                                                              36

 

4ª aula

A) Inconvenientes e Perigos da Mediunidade                  39

B) Os Sãos não Precisam de Médico                              43

 

5ª aula

A) Fraudes espíritas e Mistificações                               46

B) O Homem no Mundo                                               50

 

6ª aula

A) Comunicação anímica - Xenoglossia                           54

B) Muito se pedirá àquele que muito recebeu                  59

 

7ª aula

A) Mediunidade nas artes - Pintura - Escultura - Música   63

B) Os Bons Espíritas                                                   68

 

 

8ª aula

A) Matéria Mental- Corrente Elétrica e Mental- Circuito Mediúnico                                                                   71

B) A Fé Religiosa – Condição da Fé Inabalável                 76

 

9ª aula

A) Identidade dos Espíritos 80

B) Quem se Elevar será Rebaixado 84

 

10ª aula

A) Evocações dos Espíritos – Proibições                         88

B) Proibição de evocar Mortos                                     92

 

11ª aula

A) Materialização e Desmaterialização - Bicorporeidade, Bilocação e Transfiguração                                           96

B) Mistérios Ocultos - Sábios e Prudentes                   102

 

12ª aula

A) Do "Modus Operandi" dos Espíritos                         106

B) Dentre os Obreiros - Imperfeitos, mas Úteis            110

 

13ª aula

A) Interrogar os Espíritos                                           114

B) Os Falsos Profetas                                                 117

 

14ª aula

A) Perda e Suspensão da Mediunidade - Médiuns Imperfeitos                                                               121

B) Deus, Justiça e Evolução                                         124

 

15ª aula

A) Relações Mediúnicas                                             129

B) A Moral Mediúnica                                                 132

 

16ª aula

A) Simbiose e Vampirismo                                         134

B) Mediunidade e Psicoterapia                                     137

 

 

17ª aula

A) Obsessão – As Causas - Os Meios de Combatê-las   140

B) Perdão                                                                 144

 

18ª aula

A) Obsessão - Obsessão Simples                                 147

B) Amai os inimigos                                                   149

 

19ª aula

A) Fascinação, Subjugação e Possessão                       152

B) Não Censures                                                       156

 

20ª aula

A) Doutrinação e Doutrinador                                     159

B) Caridade Segundo o Apóstolo Paulo                       162

 

21ª aula

A) Mediunidade Curadora - Ação Magnética                  166

B) Mediunidade Gratuita                                           172

 

22ª aula

A) Mandato Mediúnico                                                177

B) O Dever - A Virtude                                              180

 

23ª aula

A) Socorro Espiritual                                                  184

B)A piedade                                                              188

 

24ª aula

A) Paranormalidade ou Mediunidade                           192

B) O Poder do Bom Ânimo                                         197

 

25ª aula

A) Mediunidade com Jesus                                         201

B)A Realeza de Jesus                                                203

 

 

 

 

Apresentação

 

Em virtude da quantidade cada vez maior de alunos, interessados nas mensagens que consolam e esclarecem da Doutrina do Cristianismo Redivivo, torna-se oportuno uma revisão dos textos didáticos, no sentido de adaptá-los a uma pedagogia adequada aos novos tempos.

Se o objetivo da Educação é a libertação total dos educandos, o alcance deste fim deve levar em conta as situações e o horizonte cultural dos mesmos.

Este trabalho tem como objetivo geral, levar o aluno a uma assimilação do conteúdo doutrinário. Para tanto, buscou-se a fidelidade devida aos textos da Codificação, assim como, induzi-lo ao conhecimento de si mesmo, de suas potencialidades e consequente modificação de sua conduta interior perante o mundo e a vida em sociedade.

Quanto ao conteúdo programático, os cursos são constituídos de vinte e quatro lições, contendo a essência dos Livros da Codificação, abordados de forma sucinta e didática.

Nossos livros consistem em textos base, explanados de forma clara e acessível, deforma a permitir ao aluno uma visão metodológica do todo. Nesse aspecto caberá ao expositor desenvolver, completar, aprofundar esses textos de forma precisa e objetiva.

Dessa maneira, a Educação Espírita, em consonância com o nosso tempo, sugere uma Pedagogia Ativa, ou seja, uma proposta de Educação projetada para o futuro; centrada no sujeito, na vida.

- O Livro dos Espíritos constitui a pedra fundamental da Doutrina Espírita, marco inicial da Codificação Espírita.Com relação às demais obras de Allan Kardec, os livros sequenciais partem da base filosófica deste:

- O Livro dos Médiuns: natural que sucedesse com o aprofundamento científico e metodológico dos fenômenos espíritas. Encontra-se sua fonte no Livro II (Cap. VI até o final);

- O Evangelho Segundo o Espiritismo: decorrência do Livro III em sua abordagem Doutrinária Moral;

- O Céu e o Inferno ou Justiça Divina Segundo o Espiritismo: decorre do Livro IV do Livro dos Espíritos.

- A Gênese, os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo: relaciona-se no Livro I (Cap. II, III e IV), ao Livro II (Cap. IX, X e XI) e partes de capítulos do livro III. "A educação é um conjunto de hábitos adquiridos" (Livro dos Espíritos, pergunta 685ª), onde não basta a educação por si só, mas sim, a concretização da educação espiritual pela conduta de cada um, ou seja, o aprendizado e a prática.

A Federação Espírita do Estado de São Paulo espera, portanto, que esta revisão possa cumprir com as finalidades para as quais foi idealizada e, sobretudo corresponder aos desígnios da Espiritualidade, no sentido de ressaltar sempre o caráter evangélico da Codificação à luz de princípios racionais, no ontem, no hoje e no amanhã.

 

Área de Ensino

Zulmira da Conceição Chaves Hassesian

 

19ª Edição – Janeiro 2011 - 41º a 43º milheiros

FEDERAÇÃO ESPÍRITA DO ESTADO DE SÃO PAULO - FEESP

Livraria e editora “Humberto de Campos"

Rua Maria Paula, 140 – Bela Vista – São Paulo, SP

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Tel: (011) 3115 - 5544

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e-mail: feesp@feesp.org.br

Revisão: Equipe de Educadores da Escola de Educação Mediúnica

Capa: TUTTO Editoração Eletrônica

ÀREA DE DIVULGAÇÃO

Diretora: Célia Velloso Silveira Cunha

Editoração Eletrônica: Tutto Editoração Eletrônica

Os direitos autorais pertencem a FEESP

1ª AULA

PARTE A

FORMAÇÃO DOS MÉDIUNS 

 

Não existe um processo de formação de médiuns e um diagnóstico para a mediunidade. O mais aconselhável é uma orientação, um esc1arecimento positivo, a fim de que os médiuns possam desenvolver-se com equilíbrio e segurança.

Médium do latim - médium, meio, intermediário - Pessoa que pode servir de intermediária entre os Espíritos e os homens. É o traço de união aos Espíritos.

 

 

 

Os Médiuns são os intérpretes incumbidos de transmitir aos homens os ensinos dos Espíritos; ou melhor, são os órgãos materiais de que se servem os Espíritos para se expressarem aos homens por maneira inteligível. Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica, se mostra bem caracterizada e se traduz, por efeitos patentes, de certa intensidade.

Segundo Emmanuel em "O Consolador" questão 382 é "Luz que brilha na carne, atributo do Espírito, patrimônio da alma imortal, elemento renovador da posição moral da criatura terrena, enriquecendo todos os seus valores no capítulo da virtude e da inteligência, sempre que se encontra ligada aos princípios evangélicos na sua trajetória pela face do mundo.

O desenvolvimento mediúnico é disciplina. Mas, acima de tudo é amor, que se divide em milhares de atitudes que deveremos tomar como forma do bem em todas as direções. Uma vez afirmado, pelos meios adequados, que alguém é médium, deve este procurar desenvolver e educar a mediunidade. Desenvolver a mediunidade significa fazer os exercícios próprios para que a faculdade mediúnica passe da fase embrionária para a da maturidade, ou seja, dos primeiros passos, hesitantes e inseguros, para os desenvoltos. Educar a mediunidade é disciplinar o seu exercício, escoimá-lo dos vícios e maus hábitos. O desenvolvimento diz respeito à formação específica do médium, à preparação para o exercício da mediunidade de modo seguro e satisfatório.

Já a educação tem por objeto disciplinar o uso da faculdade, de modo a evitar os seus escolhos, o seu mau uso. O médium deseducado se torna joguete dos Espíritos inferiores.

No sentido Espírita, desenvolver mediunidade é aprimorar nossa capacidade de relacionamento com os Espíritos. É nossa educação psíquica. Entretanto, não há uma receita universal e infalível para a formação dos médiuns. Cada um traz em si o gérmen das qualidades necessárias para se tomar médium, tais qualidades existem em graus diferentes e o seu desenvolvimento depende das causas que não são controladas pela vontade. As regras de poesia, da pintura e da música não transformam as pessoas em poetas, pintores ou músicos. Apenas guiam os que as cultivam, no emprego de suas faculdades naturais. O mesmo acontece com o desenvolvimento e educação da mediunidade.

O objetivo consiste em indicar os meios de desenvolvimento da faculdade mediúnica, tanto quanto permitam as disposições de cada um, e, sobretudo, dirigir a mediunidade para que seja usada de um modo útil, quando ela exista.

Das múltiplas formas de comunicação mediúnica, a psicografia é certamente a mais segura, a mais completa e a mais fácil de fiscalizar,

São eles, os médiuns escreventes ou psicógrafos. Foi pela psicografia que Allan Kardec deixou as obras da codificação.

As comunicações escritas de efeitos inteligentes podem ser:

 

1- Mecânicas        >Médiuns mecânicos ou Autômatos

2- Semi-mecânicas      >Médiuns Semi-mecânicos

3- Intuitivas                > Médiuns Intuitivos

4- Inspiradas               > Médiuns Inspirados

 

Os médiuns mecânicos não têm consciência do que escrevem. O Espírito expressa o seu pensamento agindo, diretamente sobre a mão do médium, de forma a não ocorrer influência por parte do pensamento do intermediário. O médium é um agente passivo, pois, ele toma conhecimento do pensamento do Espírito depois que escreveu. A escrita às vezes é legível e limpa, em outras, é ilegível, com muita dificuldade para ser lida.

Os médiuns semi-mecânicos são os médiuns que sentem uma impulsão dada à sua mão, para escrever, mas, ao mesmo tempo tem consciência do que escrevem. O médium toma conhecimento do pensamento do Espírito, no mesmo instante que escreve.

No caso dos médiuns intuitivos, a escrita pode dar-se pela transmissão do Espírito do médium, ou melhor, de sua alma. O Espírito em liberdade toma a mão e a guia. O papel da alma aqui não é de inteira passividade, pois recebe o pensamento do Espírito livre e o transmite com plena consciência do que escreve embora muitas vezes fora dos limites do conhecimento do médium.

O médium inspirado recebe pelo pensamento comunicações estranhas às suas idéias preconcebidas. A inspiração vem dos Espíritos que os influenciam para o bem ou para o mal, dependendo aí da elevada posição moral do médium ou não, suas intenções boas ou más.

Kardec nos alerta para que cada um invoque com fervor e confiança nosso anjo protetor, em caso de necessidade e frequentemente nos admiraremos das ideias que surgem como por encanto na mente.

As condições mais importantes no desenvolvimento da faculdade mediúnica são:

1 - A transformação interior à luz do Evangelho.

2 - A vontade firme de ser o intermediário entre o Mundo Espiritual e o Material.

Pode acontecer a mudança de caligrafia com médiuns mecânicos ou semi-mecânicos, porque neles é involuntário o movimento das mãos, o qual é dirigido unicamente pelo Espírito comunicante. Nos médiuns puramente intuitivos isto não ocorre porque o Espírito apenas atua sobre o pensamento, sendo a mão dirigida pela vontade do médium. A mudança de caligrafia decorre de uma aptidão especial, de que os médiuns mais decisivamente mecânicos nem sempre são dotados. São os médiuns designados por médiuns polígrafos.

"A faculdade mediúnica está sujeita a intermitências e a suspensões momentâneas, tanto para as manifestações fisicas, quanto para a escrita.".

Os médiuns não devem considerar-se melhor do que outros ou do que outras pessoas, nem sua mediunidade deve ser motivo de vaidade, de orgulho, mas sim uma tarefa de servir, uma missão a ser cumprida, com fraternidade e desinteresse. Existem médiuns que manifestam repugnância ao uso de suas faculdades. São os médiuns imperfeitos: desconhecem o valor da mediunidade.

A faculdade mediúnica pode ser interrompida temporariamente, por diferentes motivos:

1. ADVERTÊNCIA: Prova para o médium que ele é um simples instrumento, que sem o concurso dos Espíritos nada faria. Se o médium se conduz mal, moral e doutrinariamente, fazendo mau uso ou abusando de sua faculdade, o Espírito comunicante afasta-se em busca de um médium mais digno. Neste caso, quase sempre, os maus Espíritos se apoderam do médium para obsediar e enganar.

2. BENEVOLÊNCIA: É um benefício ao médium para evitar que ele se debilite por doença fisica. Quando as forças do médium se agitam, seu poder de defesa fica reduzido. Neste caso, a suspensão é temporária; O Espírito lhe proporciona um repouso fisico necessário.

3- PROVAÇÃO: O objetivo é desenvolver a paciência, a perseverança, para dar tempo ao médium para reflexão sobre o conteúdo das mensagens recebidas, como também, fazer um exame interior, estudar, ponderar, pensar, analisar como esta empregando a sua faculdade mediúnica.

É importante ainda esclarecer que a perda da mediunidade nem sempre significa uma punição pelo abuso ou mau uso da faculdade, pode acontecer que seja um encerramento de uma determinada tarefa, o início de uma outra tarefa ou até mesmo um trabalho específico na área da saúde, pesquisa, etc. que demanda um esforço maior, o que importa na realidade é servir com amor, humildade e fraternidade em qualquer setor que estivermos na Seara do Mestre Jesus.

Conforme esclarece-nos Joanna D' Angelis, através do médium Divaldo P. Franco, a verdade é que todos nós estamos interligados, em ministério mediúnico ativo, incessante, graças aos múltiplos dons de que nos achamos investidos. Aprimorar ou descuidar da nossa faculdade mediúnica, relegando-a a plano secundário, é responsabilidade que cada um exerce mediante o próprio livre arbítrio. Assim sendo, se faz necessário meditarmos nas possibilidades mediúnicas de que nos encontramos investidos e elevar-nos pelo exercício das ações nobilitantes, de modo a desenvolvermos os recursos positivos na realização do bem a que o Senhor a todos nos convoca.

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns, 2ª Parte – Cap. XVII

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Seara dos Médiuns: item Formação Mediúnica

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Opinião Espírita: n°20

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos - Introdução: item V e XII

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap. 7 - Médiuns

MIRANDA, Hermínio C. Diálogo com as Sombras: Cap. 2 - Os Médiuns

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Conduta Espírita: Cap. 27

FRANCO, Divaldo Pereira (Espírito Joana de Angelis). Convites da Vida: item 30

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). O Consolador: questão 382.

 

PARTE B

PARÁBOLA DOS TALENTOS

 

Alguns dias ante de ser crucificado Jesus subiu ao Monte das Oliveiras e com seus discípulos contou-lhes a Parábola dos Talentos.

Talento era o peso e moeda da Antiguidade grega e romana, que servia para uso corrente no comercio e também para avaliar metais preciosos, porém de vários padrões de acordo com a espécie de metal.

Jesus Cristo, valendo-se da circunstância e da importância que davam ao dinheiro, deixou essa maravilhosa parábola:

"Porque isto é também como um homem que, partindo para outro país, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens: a um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um; a cada qual segundo a sua capacidade; e seguiu viagem. O que recebera cinco talentos, foi imediatamente negociar com eles e ganhou outros cinco; do mesmo modo o que recebera dois, ganhou outros dois. Mas o que tinha recebido um só, foi-se, fez uma cova no chão e escondeu o dinheiro do seu senhor. Depois de muito tempo voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles. Chegando o que recebera cinco talentos, apresentou-lhes outros cinco, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos: aqui estão outros cinco que ganhei. Disse-lhe o seu Senhor: Muito bem, servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, confiar-te-ei o muito; entra no gozo do teu Senhor. Chegou também o que recebera dois talentos, e disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; aqui estão outros dois que ganhei. Disse-lhe o seu Senhor: Muito bem, servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, confiar-te-ei o muito; entra no gozo do teu Senhor. E chegou por fim o que havia recebido um só talento, dizendo: Senhor, eu sei que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e recolhes onde não joeiraste; e, atemorizado, fui esconder o teu talento na terra; aqui tens o que é teu. Porém o seu Senhor respondeu: Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei, e que recolho onde não joeirei? Devias, então, ter entregado o meu dinheiro aos banqueiros, e, vindo eu, teria recebido o que é meu com juros! Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem os dez talentos; porque a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem ser-lhe-á tirado. Ao servo inútil, lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes." (Mateus, XXV, 14-30.)

A Parábola dos Talentos tem a mesma significação que a Parábola das Minas, narrada por Lucas, XIX: 11-27, porque exprimem os deveres que nos assistem, material e moral. Somos todos filhos de Deus; o Criador reparte com todos igualmente os seus dons; a uns dá mais, a outros dá menos, sempre de acordo com a capacidade de cada um. A uns dá o dinheiro, a outros a sabedoria, a outros dons espirituais, e, a outros concede todas essas dádivas reunidas. De modo que um tem cinco talentos, outro dois, outro um; ou então um tem dez minas, outro cinco, outro duas. Não há privilégios nem exclusões para o Senhor; e se cada qual, cônscio do que possui e compenetrado de seus deveres agisse de acordo com os preceitos da Lei Divina, ninguém teria razão de reclamar da sorte.

De forma que, o Senhor a que se refere à parábola é Deus, os servos somos todos nós, é a humanidade; os talentos são os bens e recursos que a Providência nos outorga para serem empregados em beneficio próprio e de nossos semelhantes; o tempo concedido para a sua movimentação é a existência terrena.

Não existe um só indivíduo no mundo que não seja depositário de um talento ou de duas minas. A distribuição de talentos em quantidades desiguais, ao contrário do que possa parecer, nada tem de arbitrária nem de injusta, pois, baseia-se na capacidade de cada um, adquirida antes da presente encarnação, em outras jornadas evolutivas. Toda criatura ao reencarnar, traz consigo o compromisso de realizar tarefas ao seu favor e também a favor de seus semelhantes.

Assim, a parábola trata-se de uma advertência aos que não fazem bom uso das oportunidades que Deus lhes concede, quando do desempenho do aprendizado terreno. Existem pessoas que guardam os talentos recebidos egoisticamente, tudo para si, enterrando os talentos, não beneficiando nem a si e nem ao seu próximo. Deixam passar a oportunidade de servir.

Os servos que fizeram que os talentos se multiplicassem representam os homens que sabem cumprir a vontade de Deus, empregando bem a inteligência, a sabedoria, a autoridade, a saúde ou os dons com os quais foram aquinhoados. É o homem diligente. O servo que deixou improdutivo o talento, falhando na incumbência que lhe fora confiada, simboliza os homens que perdem as oportunidades oferecidas pela Providência para a evolução espiritual. É o homem negligente.

As oportunidades chegam através de uma enfermidade a ser sofrida com paciência, de um grande dissabor a ser recebido sem desespero, de um filho rebelde a ser tratado com especial atenção e carinho, de uma injustiça a ser tolerada sem revolta, de um inimigo gratuito a ser conquistado com amor, etc. retardando assim, o seu progresso.

No campo de mediunidade esta parábola tem aplicação integral. Quantos indivíduos são providos desta faculdade e, por tantas razões particulares, deixam de exercê-la, deixando de praticar o bem para si e para o próximo. Um por ignorância, outro por crença religiosa; este por preguiça aquele por negligência, outro ainda por falta de tempo, enfim, enterram os seus talentos ao invés de se tomarem diletos discípulos de Jesus. Como exemplo, podemos citar Paulo de Tarso que soube aplicar e multiplicar os talentos recebidos. Enquanto religioso apegado às tradições farisaicas e distanciando da verdade era perseguidor implacável dos cristãos, havia então enterrado os seus talentos, mas, quando recebeu na estrada de Damasco, o convite para seguir Jesus, não hesitou e transformou-se no maior defensor da divulgação cristã.

Mas, a quem muito foi dado, muito será pedido. Teremos que prestar constas de tudo aquilo que nos foi confiado, na mesma proporção que tenhamos recebido. Não há privilégios nem exclusões, pois, casa um recebe de acordo com a sua capacidade e com o seu merecimento adquirido em existências anteriores.

Existem pessoas que guardam egoisticamente para si tudo aquilo que recebem, "enterram os seus talentos", não beneficiando nem a si, nem ao seu próximo.

Tanto elas quanto os talentos ficam improdutivos.

Quais são esses talentos? São as nossas virtudes e conquistas espirituais que repartimos com os nossos próximos. A palavra usada para consolar e dar ânimo ao desalentado, a roupa confeccionada para aquecer o que passa frio, o enxoval ofertado à criança carente de recursos materiais, a capacidade de participar de trabalhos voluntários, renunciando muitas vezes ao descanso, etc...

São as aptidões intelectuais, manuais e artísticas que nos permitem termos uma profissão e provermos a nossa subsistência e a de nossos familiares e amigos.

São os talentos morais que nos levam a ter uma convivência fraterna com os nossos semelhantes.

São os talentos espirituais que, através da mediunidade manifestada em formas diversas: intuição, psicofonia, psicografia, vidência, nos permitem trabalhar na Assistência Espiritual em Casas Espíritas.

Devemos aplicar os talentos e outros bens que recebemos para aumentar o nosso cabedal de conhecimentos para, quando voltarmos ao mundo espiritual, fazermos jus à recompensa, traduzida nas palavras:

"Servo bom e fiel, foste fiel no pouco, muito te será confiado".

O Espiritismo é a grande luz de libertação das consciências ainda embotadas na materialidade, e o médium esclarecido e evangelizado será, sempre, ele mesmo o portador da mensagem cristã, exemplificando o amor, levando a luz e a esperança onde quer que esteja.

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. Livro dos Médiuns

ALMEIDA, José de Sousa. As Parábolas

GODOY, Paulo Alves de. As Maravilhosas Parábolas de Jesus

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Opinião Espírita: Lição 14

RIGONATTI, Elizeu. Evangelho dos Humildes – Cap. 25

BIBLIA SAGRADA. 1º Livro de Crônicas: Cap. 22:14

CALLIGARIS, Rodolfo. Parábolas Evangélicas

SCHUTEL, Cairbar. Parábolas e Ensinos de Jesus

RIGONATTI, Eliseu. Evangelho dos Humildes: Cap. 25

 

Questões para reflexão:

 

1. Explique como os médiuns sentem a presença dos Espíritos.

2. Descreva os sintomas iniciais dos médiuns de psicografia

3. Descreva a importância dos ensinamentos de Paulo de Tarso na nossa transformação comportamental.

4. Comente a aplicação da Parábola dos Talentos no campo da Mediunidade.

 

2ª AULA

PARTE A

MÉDIUNS ESPECIAIS E SUAS APTIDÕES

 

QUADRO SINÓTICO DOS TIPOS DE MEDIUNIDADE

Os médiuns, como intermediários, entre a esfera espiritual e a esfera física, evidentemente, transmitem uma mensagem, e, para que estas mensagens se reflitam em boas comunicações, três condições devem ser observadas, disse Kardec:

a) A qualidade do médium: sua natureza, evangelização, conhecimento, estudo da Doutrina, conscientização de que é um instrumento, aplicação do seu trabalho para o Bem, etc.

b) A qualidade do Espírito que transmite a mensagem: seriedade da mensagem, conhecimento ou ignorância, bondade ou interesse. "A natureza das comunicações está sempre relacionada com a natureza do Espírito e traz o cunho da sua elevação, ou da sua inferioridade, do seu saber, ou mesmo da sua ignorância." (L.M. – cap. XVI, item 185).

c) A intenção e sentimento, o pensamento íntimo: mais ou menos louváveis de quem interroga o Espírito, quando for o caso. Diz-se que todos os homens são médiuns, dada a condição de associação das correntes mentais, mas em alguns, ela se apresenta de forma mais evidente que em outros e manifesta-se de múltiplas maneiras. A mediunidade apresenta uma variedade infinita de matizes.

Perguntou-se a Emmanuel, em O Consolador, questão 386:

"Qual a mediunidade mais preciosa para o bom serviço da Doutrina?

" - Ninguém deverá forçar o desenvolvimento dessa ou daquela faculdade, porque, nesse terreno, toda a espontaneidade é necessária; observando-se, contudo, a floração mediúnica espontânea, nas expressões mais simples, deve-se aceitar o evento com as melhores disposições de trabalho e boa vontade, seja essa possibilidade psíquica a mais humilde de todas. Não existe mediunidade mais preciosa uma que a outra".

Na questão 388, perguntou-se:

"Nos trabalhos mediúnicos temos de considerar, igualmente, os imperativos da especialização?"

Num trecho de sua resposta disse: "A especialização na tarefa mediúnica é mais do que necessária, e somente de sua compreensão poderá nascer a harmonia na grande obra de divulgação da verdade a realizar".

No capitulo XVI do Livro dos Médiuns, Kardec apresenta um quadro sinótico dos principais gêneros de mediunidade, as diferentes variedades mediúnicas, pelas semelhanças de causas e efeitos, embora afirme que não se trata de uma classificação absoluta. E, salienta que esta classificação foi trazida pela Espiritualidade Maior.

 

Dividiram então os Espíritos, os médiuns em duas grandes categorias (L.M. – Cap. XVI item 187):

 

a) Médiuns de efeitos físicos: os que têm o poder de provocar efeitos materiais, ou manifestações ostensivas.

 

b) Médiuns de efeitos intelectuais: os que são mais aptos a receber e a transmitir comunicações inteligentes.

 

 

MÉDIUNS DE EFEITOS FÍSICOS

(L.M., Cap. XVI, item 189)

 

1) Tiptólogos

Ruídos, pancadas, etc.

2) Motores

Movimento de corpos inertes

3) Translações e suspensões

Levitação, suspensão de corpos, transportes, deslocamentos de objetos

4) Efeitos musicais

Execução de música, sem contato com o aparelho ou instrumento musical

5) Aparições

Que provocam as aparições fluídicas e tangíveis. Materializações visíveis e tangíveis. Muito raros.

6) Noturnos

Só obtém certos efeitos físicos na obscuridade

7) Pneumatógrafos

Escrita direta

9) Excitadores

São os que mediunizam, magneticamente, outros médiuns, para levá-los ao desenvolvimento

 

MÉDIUNS DE EFEITOS INTELECTUAIS

(L.M., Cap. XVI, item 190)

 

1) Audientes

Os que ouvem os Espíritos

2) Falantes

Os que falam sob influência dos Espíritos.

O nome mais utilizado hoje é Psicofonia

3) Videntes

São os que vêem os Espíritos em estado de vigília

4) Inspirados

Recebem os pensamentos sugeridos pelos Espíritos, na maioria das vezes, sem o saberem

5) Pressentimento

Têm uma vaga intuição de ocorrências vulgares do futuro

6) Proféticos

Recebem revelações de ocorrências futuras, de interesse geral, com fins instrutivos

7) Sonâmbulos

Os que, em transe sonambúlico, são assistidos por Espíritos

8) Extáticos

Recebem revelações dos Espíritos, em estado de êxtase

9) Pintores ou desenhistas

Os que pintam ou desenham. Hoje, denomina-se, mais frequentemente, de Psicopictoriogra, Psicopictografia ou Pintura Mediúnica

10) Musicais

Executam, compõem ou escrevem músicas, sob a influência dos Espíritos

11) Psicógrafos

Escrevem sob a influência dos Espíritos

 

VARIEDADES DE MÉDIUNS ESCREVENTES

OU PSICÓGRAFOS:

 

a) Segundo o modo de execução

(L.M., Cap. XVI, item 191):

 

1) Mecânicos

Inconscientes, recebem impulso involuntário na mão

2) Semi-mecânicos

Recebem impulso involuntário na mão, mas têm, instantaneamente, ou seja, ao mesmo tempo, consciência das palavras que estão escrevendo

3) Intuitivos

Registram o pensamento que lhes é sugerido, mas escrevem por vontade própria

4) Polígrafos

Mudam de caligrafia

5) Poliglotas

Falam e escrevem em línguas que não conhecem

6) Iletrados

São os analfabetos, que escrevem sob influência dos Espíritos

 

 

b) Segundo o desenvolvimento da faculdade

(L.M., Cap. XVI, item 192):

 

1) Novatos

Não-desenvolvidos, nem têm experiência necessária

2) Improdutivos

Recebem sinais sem importância; limitados

3) Formados

São os desenvolvidos, que transmitem comunicações com facilidade e presteza

4) Lacônicos

Comunicações breves

5) Explícitos

Comunicações amplas e extensas, como um escritor consumado

6) Experimentados

Têm facilidade para escrever; são experientes

7) Flexíveis

Prestam-se aos diversos gêneros de comunicações, inclusive com diferentes Espíritos

8) Exclusivos

Manifestações de um único Espírito

9) Evocações

São os que, tendo condições intelectuais mais amplas (nem sempre da encarnação atual), se prestam a intermediar as comunicações dos Espíritos evocados

10) Ditados espontâneos

Recebem comunicações espontâneas de Espíritos não chamados

 

c) Segundo o gênero e a parcialidade das comunicações

(L.M., Cap. XVI, item 193):

 

1) Versificadores

Comunicações em versos

2) Poéticos

Comunicações poéticas, ternas, sentimentais

3) Positivos

Comunicações com nitidez e precisão

4) Literários

Estilo correto, elegante, eloqüente

5) Incorretos

Imprecisos na linguagem, por falta de cultura

6) Historiadores

Dissertações históricas

7) Científicos

Explanação científica; Não quer dizer que são sábios;

8) Medicinais

Recebem prescrições médicas; são os receitistas;

9) Religiosos

Comunicações de caráter religioso

10) Filósofos ou Moralistas

Questões morais e filosóficas

11) Triviais e obscenos

Comunicações fúteis, sem proveitos, imorais

 

d) Segundo as qualidades físicas do médium

(L.M., Cap. XVI, item 194):

 

1) Calmos

Escrevem lentamente, sem agitação

2) Velozes

Escrevem com rapidez inabitual

3) Convulsivos

Permanecem em estado de superexcitação quase febril, e, às vezes, dependem da natureza do Espírito

 

e) Segundo as qualidades morais do médium

 

Médiuns Imperfeitos

(L.M. , Cap. XVI, item 195):

 

1) Obsedados

Com ligações inoportunas e mistificadoras

2) Fascinados

Os enganados pelos Espíritos mistificadores

3) Subjugados

Dominados moralmente por Espíritos maus

4) Levianos

Não levam a sério suas faculdades

5) Indiferentes

Não tiram proveito das instruções recebidas

6) Presunçosos

Têm a pretensão de estar em relação somente com Espíritos Superiores

7) Orgulhosos

Os que se envaidecem com as comunicações recebidas

8) Suscetíveis

Ofendem-se com as críticas e gostam de ser bajulados

9) Mercenários

Exploram as suas faculdades

10) Ambiciosos

Sem vender suas faculdades, esperam delas tirar proveito

11) Má fé

Simulam faculdades que não possuem, para parecerem mais importantes

12) Egoístas

Guardam para si mesmos as comunicações recebidas

13) Invejosos

São os que se mostram despeitados com o maior apreço dispensado a outros médiuns

 

Bons Médiuns

(L.M. , Cap. XVI, item 197):

 

14) Sérios

Utilizam suas faculdades para o Bem e com finalidade útil

15) Modestos

Não se atribuem nenhum mérito nas comunicações recebidas e não se julgam livres de mistificações

16) Devotados

Abnegados, sacrificam-se para o Bem

17) Seguros

Têm facilidade para recepção, merecem maior confiança dos Espíritos. São fluentes, desembaraçados e dignos

 

 

Além destas classificações, podem-se anotar outras comuns a todos os gêneros de mediunidade:

 

BENFEITORES

 

1) Médiuns Sensitivos:

São pessoas suscetíveis de sentir a presença dos Espíritos por uma sensação geral ou local, vaga ou material, segundo Kardec (L.M., Cap. XVI, item 188).

 

2) Médiuns Naturais ou Inconsciente:

Produzem fenômenos espontaneamente, sem querer, e, na maioria das vezes, à sua revelia

 

3) Médiuns Facultativos ou Voluntários:

São os que têm o poder de provocar os fenômenos por um ato da própria vontade

 

Disse o Espírito Sócrates no Capítulo XVI, item 197, do Livro dos Médiuns, que "este quadro é de grande importância, não só para os médiuns sinceros que procuram de boa-fé, ao lê-lo, preservar-se dos escolhos a que estão expostos, mas também para todos os que se servem dos médiuns, pois lhes darão a medida do que podem racionalmente esperar e as conseqüências de suas escolhas, dentro da mediunidade".

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: Cap. XVI

 

PARTE B

BENFEITORES

 

São considerados benfeitores espirituais os mensageiros de Deus, que executam a sua vontade e ajudam os homens, no decurso de suas provações e expiações terrenas, inspirando-lhes bons sentimentos e orientando-os, quando se deparam com o sofrimento nas estradas da vida. A ação desses benfeitores se faz sentir, quando os homens estão em estado de vigília, como durante o sono, quando os Espíritos recobram uma parte de sua liberdade.

Esses amigos do Mundo Maior acordam a esperança e restauram o bom ânimo nos que vêem a braços com assédios de ordem espiritual, sendo lícito, no entanto, recordar em nome da Boa Doutrina que a tarefa de sustentação pertence aos próprios homens.

No Antigo, bem como no Novo Testamento, são pródigos na demonstração dos efeitos benéficos da ação desses benfeitores espirituais sobre os encarnados. Um caso típico ocorreu com o Centurião Cornélio, na cidade de Cesaréia, o qual, sendo um homem caridoso e dotado de elevados dotes morais e de bons sentimentos, recebeu em sua casa a visita de um Espírito Benfeitor, que lhe recomendou enviar mensageiros à cidade de Jope, a fim de convidar o apóstolo Simão Pedro a ir esclarecê-lo sobre as verdades novas trazidas por Jesus Cristo.

Eles permanecem em constante diálogo mental, sugerindo o melhor caminho. Não esperam que o homem se transforme em anjo, para ajudá-lo, mas atuam de maneira direta em seu favor até que possa abrir os olhos e enxergar os propósitos de Deus, no seu destino.

Então, o homem começará a elevar-se e a identificar-se com os benfeitores que lhe ampararão os passos. Foi por isso que Kardec, na pergunta 464, de O Livro dos Espíritos, ao indagar: "Como distinguir se um pensamento sugerido procede de um bom Espírito ou de um Espírito mau?" Responderam os Espíritos: "Estudai o caso. Os Bons Espíritos só para o Bem aconselham. Compete-vos discernir".

Esta distinção deverá ser feita com a mente e com o coração. A mensagem de um benfeitor será sempre em termos claros e objetivos. Mesmo que o médium seja pouco instruído, a mensagem do Espírito, dita com simplicidade, conterá profundos recursos de moral e trará conhecimentos para os ouvintes.

Sua mensagem é repleta de conceitos amorosos e fraternos.

Mesmo que seja de ensinamentos doutrinários, suas colocações são sempre adoçadas pelo sentido fraternal. Não há nos benfeitores aspereza, azedume ou crítica mordaz, nem elogios, enaltecimento da personalidade do médium ou de qualquer interessado. Até quando não concordar com uma postura irascível e dura do médium comunicante, o Espírito Benfeitor não o critica, mas procura aconselhá-lo com termos sensatos.

A mensagem de Espíritos menos esclarecidos, por outro lado, será fútil, sem nenhum conteúdo moral. É sempre enganosa. Eles são de muita sutileza quando desejam, realmente, enganar. Procuram enaltecer o médium e se colocam na posição de grandes sábios, usando às vezes, nomes veneráveis.

Conhecem os vícios e tendências do médium e sabem como ludibriá-lo no dédalo de suas ambições pessoais. Por isso, disse Kardec cabe ao homem, e, particularmente ao médium, discernir.

 

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos: Perg. 464

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Caminho, Verdade e Vida: Lição 105

 

Questões para reflexão:

1) Comente as condições que devem ser observadas para se obter boas comunicações.

2) Cite alguns indicativos de reconhecimento da identidade dos Espíritos.

3) Explique a diferença entre um pensamento nosso e um sugerido.

4) Explique como se caracteriza a mensagem de um bom e de um mau Espírito.

 

3ª AULA

PARTE A

NATUREZA DAS COMUNICAÇÕES

 

Sabemos que os Espíritos são seres inteligentes atuam sobre a matéria com efeitos inteligentes comprovando sua causa. Assim um movimento de mesa, um ruído, um deslocamento de objeto que decorram da ação mental do homem ou apresentam um caráter intencional, podem ser considerados como ação inteligente.

Só isso, entretanto, limitaria o interesse por tais estudos, apesar de provar a existência das manifestações espirituais. Mas é bem diferente quando essa inteligência permite uma troca regular e contínua de idéias, não mais como simples manifestações inteligentes, mas como verdadeiras comunicações.

"O livro dos Espíritos" na questão n° 100, traz na Escala Espírita, a classificação dos Espíritos, que se fundamenta, no seu grau de desenvolvimento, elevação moral e graus de inteligência. Se atentar para essas condições, as comunicações podem ser analisadas por diferentes ângulos, porquanto elas devem refletir a elevação ou a inferioridade dos Espíritos, suas idéias, seu saber ou sua ignorância, seus vícios e suas virtudes.

Os meios de comunicações são variadissimos, diz Kardec - L.M. item 138: "Atuando sobre os nossos órgãos e sobre todos os nossos sentidos, podem os Espíritos manifestar-se à nossa visão, por meio das aparições; ao nosso tato, por impressões tangíveis, visíveis ou ocultas; à audição, pelos ruídos; ao olfato, por meio de odores sem causa conhecida".

Para facilitar esse estudo, Kardec agrupou as comunicações em quatro categorias: grosseiras, frívolas, sérias e instrutivas.

"Comunicações grosseiras são as manifestadas em termos que chocam o decoro. Só podem provir de Espíritos de baixo nível, ainda trazendo muitas impurezas da matéria, e em nada diferem das que provenham de homens viciosos e grosseiros. Não aceitam a delicadeza de sentimentos. Em trabalhos mediúnicos são Espíritos que transmitem comunicações triviais, sem nobreza, obscenas, insolentes, arrogantes e malévolas, e mesmo ímpias.

As comunicações frívolas emanam de Espíritos levianos, zombeteiros, ou maliciosos, antes astuciosos do que maus, que nenhuma importância ligam ao que falam. Como estas manifestações nada têm de malsãs, certas pessoas gostam desse tipo de comunicação e dão acesso a Espíritos que se prestam a revelar o futuro, fazer predições, dando palpites sobre o destino etc. Eles pululam entre os encarnados e aproveitam todas as ocasiões que lhes forem propícias, para se intrometerem em comunicações, conforme a curiosidade existente.

As comunicações sérias são ponderadas quanto ao assunto e elevadas quanto à forma. Têm finalidade útil, mesmo que de interesse particular. Como os Espíritos sérios não são todos igualmente esclarecidos, essas comunicações podem estar sujeitas ao erro de boa-fé, sendo, portanto falsas. Por isso, recomenda-se que todas as comunicações sejam submetidas ao controle da razão e da lógica. Aqui convém lembrar o conselho de João Evangelista (I Epistola, cap. 4:1), quando disse: "Amados, não acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus, porque são muitos os falsos profetas que levantaram no mundo".

As comunicações instrutivas possuem um caráter sério e verdadeiro. Induzem aos ensinamentos nos campos da Ciência, Filosofia e da Moral. Essas comunicações são mais profundas, quanto mais elevado e desmaterializado for o Espírito comunicante. "Somente pela regularidade e freqüência dessas comunicações é que se pode avaliar o valor moral e intelectual desses Espíritos, bem como o grau de confiança que mereçam" (LM, 2ª parte, cap. X, itens 134 a 137).

Com a crescente divulgação dos ensinamentos dos Espíritos, têm surgido cada vez mais nas Casas Espíritas, muitos trabalhadores, médiuns.

Muitos ainda, não evangelizados e ignorantes dos princípios filosóficos e morais que norteiam a Doutrina, se tornam instrumentos imaturos de comunicações e, frequentemente são envolvidos por Espíritos pseudo-sábios ou mistificadores, dando origem a comunicações grosseiras, desprovidas de valor moral, contendo erros doutrinários e de linguagem. .

Esses médiuns querendo ajudar o Centro em que trabalham, julgam estar fazendo o melhor e promovendo a divulgação das comunicações recebidas, sem uma análise criteriosa sobre a cada uma, trazendo para o meio espírita, mais confusão que esclarecimento.

Cabe ao dirigente espírita observar as recomendações de Kardec sobre o assunto consoante, mencionado em seu livro "Viagem Espírita em 1862", cap. VI.

- Evitar publicações de mensagens que são simplesmente lamentáveis, uma vez que oferecem da doutrina espírita uma idéia falsa e a expõem ao ridículo. Não se deixar levar, nas psicografias, por nomes respeitáveis, muitas vezes apócrifos. Os médiuns devem ser cuidadosos, para não se lisonjearem com o nome do comunicante ou se melindrarem com observações do dirigente ou de companheiros;

- Recolher e passar a limpo as comunicações recebidas, recorrendo-se a elas em caso de necessidade. Os Espíritos que veem seus ensinos relegados ao abandono, bem cedo deixam o grupo, fatigados.

- Fazer uma seleção e coleção das que tiverem melhor conteúdo doutrinário. Analisar, reler e tirar proveito das comunicações que poderão constituir-se num "guia moral da sociedade".

"Eis porque, repito, é necessário que saibamos distinguir aquilo que a Doutrina Espírita aceita, daquilo que ela repudia". (Allan Kardec)

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan, O Livro dos Médiuns: 2ª Parte – Cap. X, nº 133 a 138

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos: Pergs. 100 a 113

KARDEC, Allan. A Viagem Espírita em 1862

 

PARTE B

O TEU DOM

 

"Não desprezes o dom que há em ti." - Paulo (I Timóteo, cap. 4:14.). Essa recomendação foi dada pelo Apóstolo Paulo à Timóteo, em relação a sua mediunidade, incentivando-o no desenvolvimento.

Recomenda ainda, o exemplo na palavra, no trato com as pessoas, no amor, no espírito, na pureza e na fé, para que o aproveitamento fosse para o bem de todos.

Na visão Espírita, onde se procura vivenciar o Cristianismo, o problema da mediunidade tem sido discutido frequentemente, em relação a parte fenomenológica, levando muitas vezes ao esquecimento da parte essencial do trabalho fraterno. Há pessoas que anseiam um desenvolvimento mais rápido de sua mediunidade, sem, contudo, lembrar que para isso é preciso muito trabalho.

Quando se compreende o dever de servir, o intercâmbio com Jesus se fará em toda parte. "o campo de lutas e experiências terrestres é a obra extensa do Cristo, dentro da qual cada trabalhador se impõe certa particularidade de serviço", diz Emmanuel (1).

A mediunidade pode e deve ser trabalhada no sentido do bem, para que possa, assim, haurir condições nobres de serviço e funcionar como instrumento propulsor ao aprimoramento espiritual.

As bênçãos conquistadas devem ser repartidas, amorosamente, com todos aqueles que necessitam, e nunca devem se comercializadas.

Todo o mérito é conquistado pelo trabalho, pelo esforço próprio de cada um. A luta é individual. É necessário que haja vontade sincera de servir ao semelhante. Neste trabalho de amor, diz Emmanuel (1): "Diariamente, haverá mais farta distribuição de luz espiritual em favor de quantos se utilizam da luz que já lhes foi concedida, no engrandecimento e na paz da comunidade. Não é razoável, porém conferir instrumentos novos a mãos ociosas, que entregam enxadas à ferrugem".

Os Apóstolos eram portadores desse dom, por isso, no Dia de Pentecostes (Atos, 2:1 a 13) ocorreu uma manifestação coletiva de suas mediunidades, como fenômenos físicos, psicofonia, sinais luminosos, etc. Os ensinamentos de Jesus foram ditados em várias línguas, aos estrangeiros que habitavam em Jerusalém (árabe, romanos, gregos, babilônios, cretenses, judeus e outros).

Desde então, os acontecimentos mediúnicos tomaram-se habituais entre eles.

No mesmo dia, o Apóstolo Pedro, fazendo uso da palavra, cita o profeta Joel dizendo: "E nos últimos dias acontecerá, diz o Senhor, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos anciões sonharão sonhos." - (Atos, cap.2:17).

"Desde esse dia, as claridades do Pentecostes jorram sobre o mundo incessantemente. Estabelecera-se a era da mediunidade, alicerce de todas as realizações do Cristianismo, através dos séculos." Emmanuel (2)

 

Bibliografia:

 

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Vinha de Luz: Lição 127

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Caminho, Verdade e Vida: Lição 10

BÍBLIA SAGRADA. Novo Testamento: I Epístola de Paulo a Timóteo: 4:14

BÍBLIA SAGRADA. , Novo Testamento: Evangelhos de Marcos e Mateus

BÍBLIA SAGRADA. Novo Testamento: Atos dos Apóstolos: 2:1 a 17

 

Questões para reflexão:

 

1) De acordo com a escala espírita questão 100 do Livro dos Espíritos, faça uma análise de si mesmo e identifique a ordem e a classe alcançada pelos terráqueos.

2) Faça a diferença entre uma comunicação séria e uma comunicação frívola.

3) Descreva o significado do dia de Pentecostes.

4) Explique como deve ser trabalhadas a mediunidade e quais os requisitos que ela exige para que seja bem desenvolvida.

 

4ª AULA

PARTE A

INCONVENIENTES E PERIGOS

DA MEDIUNIDADE

 

Perante as leis soberanas que nos regem, a possibilidade de entrar em contato conscientemente com os desencarnados deve servir ao nosso progresso, evidenciando a realidade do mundo espiritual que nos envolve, e ao qual todos retornaremos, com as conseqüências morais daí decorrentes. Tudo o que dispomos, desde que bem empregados, podem contribuir para a nossa saúde integral, assim também com a mediunidade, cuja utilização criteriosa é fator de equilíbrio, ou pode criar dificuldades quando utilizada sem critérios.

Encontramos no "O Livro dos Médiuns" (2ª Parte, cap. XVIII, itens 221 e 222), importantes esclarecimentos: "a faculdade mediúnica é por vezes um estado anômalo, mas não patológico. Há médiuns de saúde vigorosa; os doentes o são por outros motivos. O exercício da faculdade mediúnica, como outro qualquer, quando não disciplinado ou bem orientado pode ocasionar perigos e inconvenientes; sendo que em certos casos é prudente, e necessário mesmo, a abstenção, ou, pelo menos, o exercício moderado, tudo dependendo do estado físico e moral do médium."

O desconhecimento da Doutrina Espírita leva algumas pessoas a julgar que a prática da mediunidade pode conduzir o médium à loucura.

No entanto, isto não acontecerá se não houver uma predisposição para isso. Quando este fato acontece, o que facilmente se identifica pelas condições psíquicas e mentais da pessoa, deve-se procurar ter os cuidados necessários, para evitar qualquer abalo que seria prejudicial. Muitas vezes, essa predisposição existente tem como causa a fraqueza moral, que torna a criatura sem forças para suportar o desespero, a mágoa, o medo, etc.

Como toda criatura possui mediunidade, as crianças também estão nestas condições. Porém os Espíritos orientam (LM, 2ª Parte, cap. XVIII, perg. 221, § 6°) "que é muito perigoso" o desenvolvimento da mediunidade na infância, "porque esses organismos frágeis e delicados seriam muito abalados e sua imaginação infantil ficaria superexcitada".

Existem casos em que a vidência, os fenômenos de efeitos físicos, e mesmo a escrita são espontâneos, são naturais nas crianças; isto não é inconveniente, é natural. Porém elas não devem ser estimuladas.

A prudência dos pais deverá afastá-las dessas idéias; no entanto, os pais orientarão quanto à moral trazida pelos ensinamentos dos Espíritos, preparando-as para a vida adulta, dentro do conhecimento doutrinário.

Não há idade precisa para a prática da mediunidade, que depende inteiramente do desenvolvimento físico, moral e, particularmente, do psíquico.

O exercício da mediunidade na criança requer cuidados e conhecimentos, para que não haja influenciação por parte de Espíritos mistificadores. Se os adultos são muitas vezes enganados por esses Espíritos, a infância e a juventude, pelas suas inexperiências, estarão muito mais sujeitas a eles. O recolhimento e a seriedade são condições essenciais para se tratar com Espíritos. Como uma criança ainda não possui esses discernimentos é imperioso que a vigilância seja exercida sobre ela, para que não tome o fenômeno por um brinquedo.

Importante ressaltar que a mediunidade deve ser evitada, por todos os meios possíveis, em criaturas que tiverem dado as menores demonstrações de excentricidade nas idéias ou enfraquecimento das faculdades mentais, preservando-se, assim, o Espiritismo dessa responsabilidade, como também a saúde mental da criatura.

Em importante obra de Leon Denis, o livro No Invisível, Cap. XXII, encontramos que: "é necessário adotar precauções na prática da mediunidade. As vias de comunicação que o Espiritismo facilita entre o nosso mundo e o mundo oculto, podem servir de veículos de invasão às almas perversas que flutuam em nossa atmosfera, se lhes não soubermos opor resistência vigilante e firme. Muitas almas sensíveis e delicadas, encarnadas na Terra, tem sofrido em conseqüência de seu comércio com esses Espíritos maléficos, cujos desejos, apetites e remorsos os atraem constantemente para perto de nós".

Ainda nesse mesmo Capítulo vamos encontrar: “as almas elevadas sabem mediante seus conselhos, preservar-nos dos abusos, dos perigos, e nos guiar pelo caminho da sabedoria, mas sua proteção será ineficaz, se por nossa parte não fizermos esforços para nos melhorarmos. É destino do homem, desenvolver suas forças, edificar ele proprio, sua inteligência e sua consciência. É preciso que saibamos atingir um estado moral que nos ponha ao abrigo de toda agressão das individualidades inferiores. Sem isso, a presença de nossos guias será impotente para nos salvaguardar".

Para que possamos ficar bastante alertas buscamos no livro “Mediunidade”, de Edgard Armond, cap. 20, importantes considerações:

"Moléstias de toda ordem, que resistem aos mais acurados tratamentos; alterações físicas incompreensíveis de causas impalpáveis que desafiam a competência e a argúcia da Medicina; complicações as mais variadas, com reflexos na vida subjetiva"...

E, ainda "angústias, depressões, ou alterações, já do mundo mental, como temores, misantropia, alheamento à vida, manias, amnésias etc., enfim, todas estas perturbações, numa ampla proporção, existem sempre esse fator mediunidade, como causa determinante e, portanto, passível de regularização".

"Muita gente toma, assim o efeito pela causa. Não é o exercício da mediunidade que traz inconvenientes ou perigos" à saúde das pessoas, mas a sua abstenção é que gera os desequilíbrios.

Cabe a cada um descobrir as causas de suas aflições, tornando-se médico de si mesmo, para tornar-se o arquiteto de seu próprio destino, porquanto o estudo constante, o trabalho, o devotamento ao bem e a vigilância auxiliam o homem e o previnem contra os desequilíbrios no exercício da mediunidade.

Diz Emmanuel (no livro "Roteiro", cap. 36) que “não há bom médium, sem homem bom. Não há manifestação de grandeza do Céu no mundo, sem grandes almas encarnadas na Terra. Em razão disso, acreditamos que só existe verdadeiro e proveitoso desenvolvimento psíquico, se estamos aprendendo a estudar e servir”.

A gestante poderá participar das Reuniões apenas para receber energias positivas. Todos os fluidos magnéticos serão direcionados ao feto que irá renascer. Os analfabetos: poderão trabalhar na mediunidade normalmente. Não sabem ler, mas o importante é a pureza de coração e sentimentos de amor e fraternidade; e a boa vontade e alegria de servirem aos Mentores espirituais.

No caso de não mais funcionar a faculdade mediúnica, isto jamais se deve ao fato de o médium ter encerrado sua tarefa, corno se costuma dizer, porque toda a tarefa encerrada com sucesso é prenuncio de nova tarefa que logo se lhe segue, e assim sucessivamente.

O que ocorre nestes casos é a perda por abuso da mediunidade ou por doença grave.

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: 2ª Parte – Cap. XVIII

ARMOND, Edgard. Mediunidade: Cap. 20

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Roteiro: Cap. 36

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos: Introdução: XV - A Loucura e suas Causas;

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Cap. 15

DENIS, Leon. No invisível: Cap. XXII

 

PARTE B

OS SÃOS NÃO PRECISAM DE MÉDICO

 

"E aconteceu que, estando Jesus assentado à mesa numa casa, eis que, vindo muitos publicanos e pecadores, se assentaram a comer com Ele e com os seus discípulos. E vendo isto os Fariseus, diziam aos seus discípulos: Por que come o Vosso Mestre com os publicanos e pecadores? Mas, ouvindo-os, Jesus disse: Os são não têm necessidade de médico, mas sim os enfermos. (Mateus, IX:10-12).

Jesus dirigia-se, sobretudo aos pobres e aos deserdados, porque são eles os que mais necessitam de consolação; e aos cegos humildes e de boa fé, porque eles pedem que lhes abram os olhos; e não os orgulhosos, que crêem possuir toda a luz e de nada precisar,

É evidente que se trata de um ensinamento de relevante alcance, pois tem várias facetas. Aplica-se, também, aos adeptos do Espiritismo, que, muitas vezes, admiram-se de que pessoas indignas sejam portadoras de mediunidade, e por isso mesmo, capazes de a empregarem mal. Eles participam da opinião de que essa faculdade, tão preciosa deveria ser privilégio exclusivamente de pessoas de mérito. Se assim fosse, a rigor, a mediunidade jamais se manifestaria na face da Terra.

A mediunidade decorre de uma condição orgânica e é inerente a todo ser humano, como todas as demais faculdades, ver, ouvir, falar, etc. Os homens podem fazer mal uso de todas elas em conseqüência de seu livre-arbítrio. Deus outorgou todas essas faculdades ao homem, dando-lhe a liberdade de utilizá-las como quiser; entretanto, aquele que delas abusa adquire a responsabilidade sobre seus atos. "A mediunidade é dada sem distinção, a fim de que os Espíritos possam levar a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico; aos virtuosos, para fortalecê-los na prática do bem; aos viciosos, para corrigi-los."

Jesus, como o grande médico das almas, durante a sua curta estada na Terra, preocupou-se muito pouco com os orgulhosos, com aqueles que se julgavam os eleitos de Deus, mas procurou, antes, os pobres, os desajustados, os humildes de coração.

Simboliza assim que o Espírito equilibrado caminha por si mesmo, no pleno uso de seu livre-arbítrio, independentemente de atenções especiais. Os que estão desequilibrados, qualquer que seja a forma em que se apresentam às doenças fisicas ou morais, devem, entretanto, ser socorridos, aliviados e reconduzidos ao caminho do bem, com a mesma alegria do pai que recebeu o retorno do filho pródigo ao lar, ou do pastor que reencontrou a ovelha perdida.

A mediunidade não implica necessariamente as relações habituais com os Espíritos superiores. É simplesmente uma aptidão, para servir de instrumento, mais ou menos dócil, aos Espíritos em geral. O bom médium não é, portanto, aquele que tem facilidade de comunicação, mas o que é simpático aos Bons Espíritos e só por eles é assistido. É neste sentido, unicamente, que a excelência das qualidades morais é de importância absoluta para a mediunidade.

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. XXIV, itens 11 e 12;

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Livro da Esperança: lição 79;

RIGONATTI, Eliseu. O Evangelho dos Humildes: Cap. IX;

 

Questões para reflexão:

 

1) Comente as conseqüências do exercício da mediunidade quando não há disciplina, orientação e conhecimento.

2) Explique sucintamente quando e porque a mediunidade de efeitos fisicos pode levar o médium à fadiga.

3) Analise o ensinamento de Jesus: "Os são não precisam de médico".

4) Comente a finalidade da mediunidade no atual estágio em que se encontra o homem terráqueo.

 

 

5ª AULA

PARTE A

FRAUDES ESPÍRITAS

E MISTIFICAÇÕES

 

FRAUDES ESPÍRITAS

As pessoas que não conhecem o Espiritismo se deixam mais facilmente se iludir pelas aparências, ao passo que um prévio e atento estudo, não só das causas e dos efeitos dos fenômenos, mas também das condições normais em que elas podem ser produzidas e das leis que os regem, as inicia no assunto e lhes fornece os meios de reconhecer a fraude, se por ventura existir.

Quando falamos de fraudes, estamos falando de efeitos, partindo desse princípio, teremos que imaginar uma infinidade de efeitos para orientar o médium, como não há efeito sem causa, o melhor é oferecermos ao médium as leis que regem os fenômenos, esclarecendo o porquê dos mesmos, para que o médium possa fazer juízo de valor se os efeitos são verdadeiros ou não à luz do conhecimento espírita. Diz Kardec em O Livro dos Médiuns 1ª Parte - Noções preliminares - Cap. III - Método, itens 29 a 34, que o melhor método para uma compreensão dos fenômenos ou uma identificação de fraude, é o conhecimento da Doutrina Espírita e afirma que chegou a essa conclusão por experiência.

Nos trabalhos fraudulentos, onde existem fenômenos que se dizem espíritas, médiuns despreparados burlam a boa fé de alguns crentes, usando falsidade.

Porque isso ocorre? Como evitar ser explorado ou enganado?

Kardec em O livro dos Médiuns 2ª Parte – Cap. XXVIII, item 314, comenta: "Os que não admitem a realidade das manifestações físicas atribuem à fraude os efeitos produzidos".

A conexão entre Espiritismo e Mediunidade leva algumas pessoas a considerá-los a mesma coisa.

A palavra mediunismo, criada por Emmanuel, designa a mediunidade em sua expressão natural, isto é, as práticas empíricas da mediunidade, que fundamentam as crenças e religiões primitivas.

Mediunidade positiva surge com o Espiritismo, somente com o Espiritismo a mediunidade se define como uma condição natural da espécie humana, recebe a designação precisa de mediunidade e passa a ser tratada de maneira racional e científica. Fatos Espíritas, assim chamados os fenômenos ou manifestações mediúnicas, são de todos os tempos, as práticas mágicas ou religiosas, constituem o mediunismo, que são práticas mediúnicas.

A Doutrina Espírita é uma interpretação racional das manifestações mediúnicas no seu tríplice aspecto: Científico, Filosófico e Religioso, mostra as leis que regem esses fenômenos e manifestações.

Os fatos mediúnicos são fatos espíritas, assim chamados por Kardec, mas não é espiritismo, porque o Espiritismo se serve dos fatos mediúnicos como de uma matéria prima para a elaboração de seus princípios, ou como de uma força natural, que se aproveita das quedas d'água ou dos rios para a produção de energia. (Livro O Espírito e o Tempo – Cap. I de Herculano Pires).

Há uma conexão entre Espiritismo e Mediunidade e que leva a muitas pessoas a considerá-los a mesma coisa, confundindo-os erroneamente.

O Espiritismo, nas suas linhas doutrinárias, estabeleceu normas seguras para o exercício da Mediunidade, classificando-a convenientemente. (Livro Estudando a Méd. cap. XL. Martins Peralva).

Todos somos médiuns, sendo espírita ou não.

As práticas do sincretismo religioso Afro- Brasileiro, não são espíritas, é um fenômeno sociológico natural.

Espiritismo é um corpo de Doutrina de elevado teor espiritual, consubstanciando normas e diretrizes superiores que visam, primordialmente, a elevação do ser humano.

Quem é o Espírita? O que estuda aceita e pratica com fidelidade os salutares princípios doutrinários, com vistas à renovação do espírito humano.

Mediunidade é uma aptidão, dom que possibilita à criatura humana, de qualquer religião, veicular o pensamento e as ideias dos espíritos.

Mediunidade faz parte de um dos princípios do Espiritismo. Portanto, Espiritismo não é mediunidade nem mediunidade quer dizer Espiritismo. (Livro Estudando a Mediunidade, Cap. XL, Martins Peralva).

Podemos distinguir a mediunidade da seguinte forma:

a) Mediunidade exercida com objetivos superiores - Mediunidade com Jesus.

b) Mediunidade exercida com interesses inferiores - Mediunidade semJesus.

A mediunidade que se orienta pelo espiritismo é simples, sem ritual de qualquer espécie, sua finalidade: O bem e a elevação espiritual do homem.

Mediunidade exercida em nome do espiritismo cristão será sempre um instrumento de edificação para o seu possuidor, uma vez que por ela.

Os aflitos serão consolados. Os enfermos curados. Os ignorantes esclarecidos. (Livro Estudando a Mediunidade Martins Peralva).

 

DAS MISTIFICAÇÕES

“Se enganar-se é desagradável, pior ainda é ser mistificado”. Aliás, é esse um inconveniente de que mais facilmente podemos nos preservar.

Os meios de desmanchar as armadilhas dos Espíritos mistificadores foram expostos nas instruções precedentes e por isso diremos pouco a respeito. Eis as respostas dadas pelos Espíritos sobre o assunto:

1. As mistificações são um dos escolhos mais desagradáveis da prática espírita. Haverá um meio de evitá-las?

- Parece-me que podeis encontrar a resposta revendo o que já vos foi ensinado. Sim é claro, há para isso um meio muito simples, que é o de não pedir ao Espiritismo nada mais do que ele pode e deve dar-vos: seu objetivo é o aperfeiçoamento moral da Humanidade. Desde que não vos afasteis disso, jamais serei mistificado, pois não há duas maneiras de se compreender a verdade moral, mas somente aquela que todo homem de bom senso pode admitir.

Os Espíritos vêm instruir-vos e guiar-vos na rota do bem e não na das honrarias e da fortuna ou para atender ás vossas pequeninas paixões. Se jamais lhe pedissem futilidades ou o que seja além de suas atribuições, ninguém daria acesso aos Espíritos mistificadores. Do que se conclui que só é mistificado aquele que merece.

Os Espíritos não estão incumbidos de vos instruir nas coisas deste mundo, mas de vos guiar com segurança naquilo que vos possa ser útil para o outro. Quando vos falam das coisas daqui é por considerarem isso necessário, mas não porque o pedis. Se quiserdes ver nos Espíritos os substitutos dos adivinhos e dos feiticeiros, então sereis mistificados.

Se bastasse aos homens dirigir-se aos Espíritos para tudo saberem, perderiam o livre arbítrio e sairiam dos desígnios traçados por Deus para a Humanidade. O homem deve agir por si mesmo. Deus não envia os Espíritos para lhe aplainarem a rota da vida material, mas para lhe prepararem a do futuro.

- Mas há pessoas que nada pedem e são indignamente logrados por Espíritos que se manifestam espontaneamente, sem que os evoquem.

- Se nada pedem, aceitam o que dizem, o que dá na mesma.

Se recebessem com reserva e desconfiança tudo o que se afasta do objetivo essencial do Espiritismo, os Espíritos levianos não as enganariam tão facilmente.

 

2. Porque Deus permite que as pessoas sinceras, que aceitam de boa fé o Espiritismo, sejam mistificadas? Isso não poderia acarretar o inconveniente de lhes abalar a crença?

- Se isso lhes abalasse a crença, seria por não terem a fé bastante sólida. As pessoas que abandonassem o Espiritismo por um simples desapontamento provariam não o haver compreendido, não se terem apegado ao seu aspecto sério. Deus permite as mistificações para provar a perseverança dos verdadeiros adeptos e punir os que fazem do Espiritismo um simples meio de divertimento. “O ESPÍRITO DA VERDADE.” (L.M. n° 303)

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: 1ª parte – Cap. III e 2ª parte – Cap. XXVII - n° 303 e Cap. XXVIII item 314

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). O Consolador: Perg. 401

LEX, Ary. Do Sistema Nervoso à Mediunidade

PIRES, Herculano. O Espírito e o Tempo: 1ª parte -Horizonte Tribal

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap. XL

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Cap. 27 - Mediunidade Transviada.

 

PARTE B

O HOMEM NO MUNDO

 

Constitui clamoroso erro o homem viver no mundo isolado ou enclausurado, julgando, assim, evitar as contaminações nele prevalecentes. Quem assim procede desconhece que o verdadeiro mérito consiste em viver em contato com todas as situações que o mundo oferece sem, entretanto, deixar-se atingir por aquelas que são negativas para o seu aprimoramento moral e espiritual.

Jesus Cristo representa um modelo para toda a Humanidade. Ele desempenhou o seu sublime Messiado, defrontando-se com pecadores de todos os matizes, tendo, então, a oportunidade de lhes ensinar o caminho mais curto para atingirem a reforma interior, através de preceitos altamente consoladores e misericordiosos.

O homem deve purificar seus sentimentos, não permitindo jamais que em sua mente permaneçam pensamentos mundanos ou fúteis, ficando, assim, a salvo das imoralidades e dos desregramentos, que geralmente conduzem ao descalabro espiritual.

A perfeição do Espírito é conseguida principalmente tendo por esteio "a prática da caridade sem limitações, cabendo aqui salientar que os deveres da caridade abrangem todas as posições sociais, desde as mais ínfimas até as mais elevadas".

Isolando-se do mundo, o homem perde todas as oportunidades de exercer a caridade, pois somente num contato mais estreito com seus semelhantes, no decurso dos duros embates da vida terrena, ele encontra meios e encontra modos de praticá-la. “Aquele que se enclausura repele, voluntariamente, o mais eficiente e poderoso meio de conquistar a perfeição, pois, pensando unicamente em si, o egoísmo avassala o seu coração” e ele se torna inapto para conquistas mais relevantes, capazes de apressar a sua caminhada evolutiva rumo ao Criador de todas as coisas.

A prática das virtudes santificantes enobrece e eleva os Espíritos, preparando-os para o acesso aos Planos Superiores da Espiritualidade. A prática sadia da virtude não consiste em tornar-se lúgubre, contristado, repelindo os gozos nobres que as condições humanas oferecem, sem que seja um incentivo à prática do mal.

No mundo, muitas pessoas religiosas costumam isolar-se do mundo exterior, vivendo em mosteiros, mortificando-se e produzindo dores e sofrimentos voluntários, acreditando que, com essa prática, se aproximam mais rapidamente de Deus. Puro engano, porque assim procedendo, estarão perdendo belas oportunidades de praticar o bem.

Se Jesus, quando veio desempenhar o seu fulgurante Messiado, tivesse se fechado num retiro, não teria proporcionado à Humanidade a oportunidade ímpar de tomar conhecimento dos seus atos, e da maravilhosa Doutrina contida nas páginas do seu Evangelho.

De forma idêntica, "não se deve jamais imaginar que para viver em constante contato com o Mundo Maior, sob as vistas de Deus, seja necessário entregar-se ao cilício, às adorações exteriores ou mesmo cobrir de cinzas o corpo", como se fazia em remoto passado. Isso de nada aproveita ao Espírito que desfruta de um processo evolutivo.

Aquele que pratica um ato mau, e arrepende-se sinceramente, sempre tem a oportunidade de novos começos, na pauta da lei da reencarnação, pois o Pai não quer que nenhum de seus filhos se perca.

O homem no mundo deve procurar pautar seus atos seguindo as normas trazidas por Jesus, lembrando sempre que a Lei Maior é: "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo".

 

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. XVII, item 10

 

Questões para reflexão:

 

1) Relacione os meios que devem ser usados para que o trabalhador espírita não seja enganado.

2) Explique as conseqüências desagradáveis das mistificações.

3) Análise a frase: "o homem no mundo deve procurar pautar seus atos seguindo as normas trazidas por Jesus."

4) Comente sucintamente sobre o pensamento do homem que prefere viver no isolamento.

 

 

6ª AULA

PARTE A

COMUNICAÇÃO ANÍMICA - XENOGLOSSIA

 

O termo animismo tem como raiz etimológica a palavra anima, do latim, que significa alma. Conforme o conceito adotado na Codificação, alma é um Espírito encarnado. Este termo animismo foi proposto por Aksakof, que diz: "Para maior brevidade, proponho designar pela palavra animismo todos os fenômenos intelectuais e fisicos que deixam supor uma atividade extracorpórea ou à distância do organismo humano e mais especialmente todos os fenômenos mediúnicos que podem ser explicados pela ação que o homem vivo exerce além dos limites do corpo".

Os fenômenos espíritas podem ser classificados em 3 categorias:

1° - Anímicos > as manifestações que decorrem da alma do médium.

2° - Mediúnicos > as manifestações que decorrem da ação de um Espírito desencarnado através de um médium.

3° - Mistos > Anímicos e Mediúnicos > derivados dos dois primeiros.

No livro "Nos Domínios da Mediunidade" de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito de André Luiz, no Cap. 22, Emersão do Passado, afirma que muitos espíritas vêm convertendo a teoria animista num travão injustificável a lhes congelarem preciosas oportunidades de realização do bem, não cabendo adotar a palavra "mistificação" inconsciente ou subconsciente no lugar da palavra animismo. Muitos companheiros se mostram incapazes de remover os obstáculos criados pelo animismo, destruindo, assim, magnífica oportunidade de ajudarem elementos que, buscando as casas espíritas nessas condições, poderiam, posteriormente, contribuir em favor dos necessitados.

De fato que, os fenômenos anímicos são aqueles em que o médium, sem nenhuma idéia preconcebida de mistificação, recolhe impressões do pretérito e as transmite, como se por ele mesmo um Espírito estivesse comunicando.

Os fatos mediúnicos, propriamente ditos, são aqueles em que o médium é, apenas, um veículo a receber e transmitir as idéias dos Espíritos desencarnados ou encarnados

Manifestação Mediúnica entre encarnados: uma pessoa encarnada também pode determinar uma comunicação mediúnica, isto é, fazer o sensitivo lhe assimile as ondas mentais e as reproduza pela escrita ou pela palavra.

Pela lei de sintonia, pessoas adormecidas igualmente podem provocar comunicações mediúnicas, uma vez que, enquanto dormimos, nosso Espírito se afasta do corpo e age sobre terceiros, segundo os nossos sentimentos, desejos e preferências.

Na Codificação, não encontramos o termo animismo. Nem os Espíritos nem Allan Kardec dele se serviram, porquanto ele só surgiu mais tarde, proposto por Alexandre Aksakof, como vimos acima. Mas, nem por isso, os fenômenos anímicos deixaram de ser ali mencionados e estudados, tendo sido objeto de todo o capítulo VIII, da 2ª parte, do Livro dos Espíritos, onde podemos citar o sumário das seguintes matérias:

1- O sono e os sonhos.

2- Visitas espíritas entre pessoas vivas.

3- Transmissão oculta do pensamento.

4- Letargia, catalepsia. Mortes Aparentes.

5- Sonambulismo.

6- Êxtase.

7- Dupla vista.

8- Resumo teórico do sonambulismo.

 

No Livro dos Médiuns, também são estudados fenômenos anímicos, a saber:

A- No capítulo VI - 2ª parte, Kardec trata da bicorporeidade, da transfiguração e invisibilidade, das aparições entre pessoas vivas, dos homens duplos (citando e analisando fatos da vida de Santo Afonso de Liguóri, Santo Antônio de Pádua e Vespasiano).

B- Nos capítulos XIX e XX, ainda na 2ª parte, ele estuda o papel dos médiuns nas comunicações espíritas, perquirindo sobre a influência do Espírito do médium nessas comunicações e ainda cogita das evocações de pessoas vivas e da telegrafia humana, que, como sabemos, são fatos anímicos.

O Espírito é uma individualidade imortal, o seu psiquismo global é uno, porém a sua memória inconsciente armazena os registros de cada encarnação, em faixas próprias e distintas, embora formando um todo no seu conjunto. Esses registros constituem a bagagem psíquica do indivíduo. Em cada encarnação, o Espírito vive determinada personalidade com seus caracteres próprios, quer os antropológicos, quer os psicológicos e morais. A reencarnação do Espírito, a personalidade da encarnação anterior fica registrada na memória do pretérito do inconsciente, não mais aflorando ao plano da consciência, a não ser acidentalmente, sob um influxo detonador psíquico, cuja natureza é variável. Quando isso acontece e a personalidade anterior se manifesta, ocorre um fato anímico, como o relatado por André Luiz, no livro citado.

Nos casos de reuniões mediúnicas, onde apresentem médiuns com manifestações anímicas, com a emersão no passado, os dirigentes e colaboradores, devem tratar o caso com a mesma atenção e carinho que se ministra aos Espíritos sofredores que se comunicam. Em tais casos, a manifestação anímica constitui uma verdadeira catarse (em psicologia é a libertação de um trauma, de uma lembrança desagradável), e o esclarecimento munido de recursos evangélicos com um sentido edificante e construtivo é primordial, pois, o médium também é um Espírito imortal, solicitando-nos concurso e entendimento para que se lhe restabeleça a harmonia. Um doutrinador sem tato fraterno apenas lhe agravaria o problema, diante do seu padecimento moral, porque a pretexto de servir à verdade, talvez lhe impusesse corretivo inoportuno ao invés de socorro providencial. Primeiro, é preciso remover o mal, para depois fortificar a vítima na sua própria defesa. Um vaso defeituoso pode ser consertado e restituído ao serviço.

Ademais, quantos mendigos arrastam na terra o esburacado manto da fidalguia efêmera que envergaram outrora! ... Quantos escravos da necessidade e da dor trazem consigo a vaidade e o orgulho dos poderosos senhores que já foram em outras épocas. Quantas almas conduzidas à ligação consanguínea caminham do berço ao túmulo, transportando quistos invisíveis de aversão e ódio aos próprios parentes, que lhes foram duros adversários em existências pregressas! ... Todos nós podemos cair em semelhantes estados se não aprendemos a cultivar o esquecimento do mal, em marcha incessante do bem! ... Sendo assim, o dirigente ou o colaborador usarão sempre do carinho fraterno, fazendo que as suas palavras, sejam dirigidas ao Espírito do próprio médium, porque a consolação e a prece, seguidas do esclarecimento edificante, são os recursos aplicáveis ao caso.

XENOGLOSSIA (ou Glossolalia) > O termo "xenoglossia" foi o professor Richet quem o propôs, com o intuito de distinguir, de modo preciso, a mediunidade poliglota propriamente dita, pela qual os médiuns falam ou escrevem em línguas em que eles ignoram totalmente na presente encarnação e, às vezes, ignoradas de todos os presentes.

Ernesto Bozzano, em sua monografia sobre o assunto esclarece que a mediunidade poliglota pode ser classificada da seguinte maneira:

A - Falante (psicofonia)

B - Audiente

C - Escrevente (psicografia ou tiptologia)

D - Voz direta

E - Escrita direta

 

O médium fala em qualquer idioma, seja em inglês ou francês, latim ou hebraico, sem conhecer essas línguas na atual encarnação.

Porém, não são apenas os tratados e monografia que registram tais fenômenos. O Antigo e o Novo Testamento são ricos em comunicações xenoglóssicas. Como por exemplo, a explosão de Pentecostes.

A mediunidade poliglota tem a sua causa no recolhimento de valores intelectuais do passado, os quais repousam na subconsciência do sensitivo, ou médium. Ela decorre, primordialmente, de um simples fenômeno de sintonia no tempo que é o processo pelo qual a mente humana, ligando-se ao pretérito distante, provoca a emersão, das profundezas do subconsciente, de expressões variadas e formas diversas que ali estão adormecidas. A subconsciência é o "porão da individualidade".

Lá se encontram arquivados todos os valores intelectuais e conquistas morais acumulados em várias reencarnações, como fruto natural de sucessivas experiências evolutivas. Só pode ser médium poliglota aquele que já conheceu, noutros tempos, o idioma pelo qual se expresse durante o transe.

 

Bibliografia:

 

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Seara dos Médiuns: Lição 44

BOZZANO, Ernesto. Xenoglossia

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Mecanismos da Mediunidade: Cap. XXIII

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: 2ª parte - Caps. VI, XIX e XX

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Caps. XXXVI e XXXVIII

 

 

PARTE B

MUITO SE PEDIRÁ ÀQUELE

QUE MUITO RECEBEU

 

"O servidor que soube a vontade de seu senhor e que, todavia, não estiver preparado e não tiver feito o que esperava dele, será batido rudemente; mas aquele que não soube sua vontade, e que tiver feito coisas dignas de castigo, será menos punido. Muito se pedirá àqueles a quem se tiver muito dado, e se fará prestar maiores contas àqueles a quem se tiver confiado mais coisas". Lucas, XII:47 e 48

Todo aquele que conhece os ensinamentos do Cristo é culpável, seguramente, de não os praticar. Se faz necessário, diante do Evangelho, possuir uma postura de verdadeiro cristão, aproveitando os preceitos de Jesus para o adiantamento espiritual, para que cada coração seja tocado pela humildade, altruísmo, desapego dos bens materiais e acima de tudo amor ao próximo e amor a Deus.

Os médiuns que obtêm boas comunicações são ainda mais repreensíveis em persistir no mal, porque, frequentemente, escrevem sua própria condenação e, se não estivessem cegos pelo orgulho, reconheceriam que é a eles que os Espíritos se dirigem. Mas em lugar de tomar para eles as lições que escrevem, seu único pensamento é de as aplicar aos outros, realizando assim estas palavras de Jesus: "Vedes um argueiro no olho do vosso irmão, e não vedes a trave que está no vosso". Ou ainda, por estas outras palavras: "Se fôsseis cegos não teríeis pecado".

Jesus quer dizer que a culpabilidade está em razão do conhecimento que se possui; pois, os Fariseus, que tinham a pretensão de ser, e que eram a parte mais esclarecida da nação, eram mais repreensíveis aos olhos de Deus do que o povo ainda menos esclarecido.

Ocorre o mesmo hoje.

Aos espíritas será pedido muito, porque receberam muito, mas, também, àqueles que tiverem aproveitado, será dado muito. O primeiro pensamento de todo espírita sincero deve ser o de procurar, nos conselhos dados pelos Espíritos, se não há alguma coisa que possa lhe dizer respeito. O Espiritismo vem multiplicar o número dos chamados; pela fé que proporciona, multiplicará também o número dos escolhidos.

O cristão é sempre chamado a servir em toda parte. Na casa do sofrimento, ministrará consolação. Na toca das trevas, acenderá a luz. No confronto com o ódio, multiplicará as bênçãos do amor. Na praça da maldade, dispensará o bem. Em todos os ângulos do caminho, encontraremos sugestões do Senhor, desafiando-nos a servir.

Ao portador da responsabilidade mediúnica, inquire Jesus pela aplicação dos talentos que lhe foram confiados. A cada criatura que desperta em mais altos níveis da fé raciocinada, soa a interpelação do Senhor: "Que buscais?" é um verdadeiro convite às obras em que se afirme a caridade real.

Assim, é nossa a responsabilidade de escutar no íntimo, em cada lance das nossas atividades, a palavra do Condutor Divino, convocando-nos à coerência entre o ideal e o esforço, entre a promessa e a realização. Analisar o que fazemos, observar o que dizemos, meditar em torno das nossas aspirações mais ocultas.

Se a perturbação, por ventania gritante, rugir à nossa porta, não nos entreguemos aos pensamentos desordenados. É preciso parar e refletir. Se desatinos dessa ou daquela procedência visitam a nossa alma, busquemos o nosso íntimo e acendamos a luz da prece, reexaminando atitudes e reconsiderando problemas, entendendo que a renovação somente será verdadeira renovação para o bem se partir do nosso coração e do nosso pensamento.

A nossa felicidade, neste mundo ou no outro, depende da conquista da Virtude e da prática do Bem, ou seja, de nossos próprios méritos, erigindo assim, a responsabilidade pessoal em princípio fundamental de nossa filosofia de vida.

Preceitua o evangelho que "a cada um será dado segundo as suas obras".

Quando toda a humanidade pensar e agir deste modo, a Terra se transformará e o amor será uma realidade em todas as criaturas.

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. XVIII - item 10 a 14

BÍBLIA SAGRADA. Novo Testamento: Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, XII: 47 e 48

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). O Espírito da Verdade: item 54

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Agenda Cristã: item 45

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Livro da Esperança: item 57

CALLIGARIS, Rodolfo. Páginas de Espiritismo Cristão: item 52

 

Questões para reflexão:

 

1) Explique o que você entendeu por fenômeno anímico, como e porque ele se processa.

2) Faça um breve relato sobre a mediunidade poliglota.

3) Analise a afirmação de Jesus: "Vedes um argueiro no olho do vosso irmão, e não vedes a trave que está no vosso".

4) Como espírita analise a interrogação do Senhor: "Que buscais?"

 

 

7ª AULA

PARTE A

MEDIUNIDADE NAS ARTES

PINTURA - ESCULTURA - MÚSICA

 

Allan Kardec (1), ao analisar a influência das ideias materialistas nas Artes, afirma que "as preocupações de ordem material se sobrepõem aos cuidados artísticos" e que a concentração dos pensamentos sobre as coisas materiais é o resultado da ausência de toda crença, de toda fé na espiritualidade do ser.

Enfatiza ainda o Codificador que "As Artes só sairão de seu torpor, quando houver uma reação, visando às idéias espiritualistas".

Dessa forma, antecipa-se o que se pode constatar na atualidade, no terreno da Arte Espírita, em suas várias modalidades, frente à violência humana, refletida nos meios de comunicação, e através das expressões artísticas mais destacadas, como a música, a pintura, o teatro, o cinema e a televisão.

Afirma ainda Kardec, que "é matematicamente exato dizer que, sem crenças, as Artes não têm vitalidade possível, e toda transformação filosófica acarreta, necessariamente, uma transformação artística paralela.

Kardec apresenta três momentos filosóficos e correspondentes a transformações artísticas, a saber:

1- Época Primitiva: Arte Pagã, em que se divinizava a perfeição da Natureza. Só conheciam a vida material.

2- Época da Idade Média: Arte Cristã, sucedeu à Arte Pagã e representava os sentimentos atormentados entre o Céu e o Inferno, tanto na Pintura, como na Escultura. Reconhecimento de um poder criador, acima da matéria.

3- Época Atual: Arte Espírita, em que deverão expressar-se as novas ideias da imortalidade da alma, da pluralidade das existências ou dos mundos ou, ainda, da comunicação com os Espíritos, irá complementar e transformar a Arte Cristã.

Léon Denis (2), cap. 1, diz: "o papel essencial da Arte é expressar a vida com todo poder, sua graça e sua beleza".

É nesse sentido que comenta o Espírito de Lavater (1), dizendo: Não é belo, realmente belo, senão aquilo que é sempre e para todos. E esta beleza eterna, infinita, é a manifestação divina sob seus aspectos incessantemente variados; é Deus em suas obras, em suas leis! Eis a única beleza absoluta. Acrescenta, ainda: “Nós que progredimos, não possuímos senão uma beleza relativa, diminuída e combatida pelos elementos inarmônicos de nossa natureza”.

Complementa Léon Denis (2), cap. III, que "o objetivo sublime da criação é a fusão do bem e do belo. Esses dois princípios são inseparáveis, inspiram toda a obra divina e constituem a base essencial das harmonias do cosmo".

Emmanuel (3), na pergunta 161 do Livro "O Consolador", ensina que “a Arte é a mais elevada contemplação espiritual por parte das criaturas. Ela significa a mais profunda exteriorização do ideal, a divina manifestação desse 'mais além' que polariza as esperanças da alma”.

"O artista verdadeiro é sempre o 'médium' das belezas eternas, e o seu trabalho, em todos os tempos, foi tanger as cordas mais vibráteis do sentimento humano, alçando-o da Terra para o Infinito e abrindo, em todos os caminhos, a ânsia do coração para Deus, nas suas manifestações supremas de beleza, de sabedoria, de paz e de amor".

Complementa que "a Arte será sempre uma só, na sua riqueza de motivos, dentro da espiritualidade infinita, porque será sempre a manifestação da beleza eterna, condicionada ao tempo e ao meio de seus expositores”.

Há todo um processo de formação do artista ao longo de sua caminhada evolutiva, que exterioriza na obra seus sentimentos, seu equilíbrio mental, sua paz, sua bondade, sua crença.

Por isso, diz Denis (2), cap. 1: "quando o Espírito humano encarna na Terra e leva consigo - seja de suas vidas terrestres, certa noção de ideal estético, tão logo ele chegue à maturidade na vida terrestre, sua bagagem artística exterioriza-se sob a forma de inspirações reunidas a uma qualidade mestra que chamaremos de gosto reunido ao sentido do belo".

A mesma idéia transmite Emmanuel (3), na pergunta 163: "A perfeição técnica de um artista bem como as suas mais notáveis características não constituem a resultante das atividades de uma vida, mas de experiências seculares na Terra e na esfera espiritual".

Este gosto pela Arte, numa de suas características quaisquer, leva o homem à busca da inspiração, que é uma forma de mediunidade intuitiva, pela qual o artista entra em contato com os Espíritos para a realização de seu trabalho (LM, 2ª Parte, cap. XXXI, item X).

Nem sempre é possível distinguir quando o trabalho é do homem ou quando é sugerido pelo Espírito, nos casos de inspiração, mas, se houver no homem a disposição orgânica para o exercício da mediunidade, em seu sentido específico, ter-se-á então, a aplicação da mediunidade nas Artes.

Nestas condições, o papel do médium não é o de um criador da Arte, mas de um instrumento para que o Espírito produza o seu trabalho, que será tanto mais belo quanto mais evangelizado estiver o médium,

A mediunidade nas Artes revela-se através da escultura, da pintura, da literatura (oratória, poesia etc.), do teatro ou da música. Diferentes núcleos de estudos têm-se formado atualmente, em decorrência da divulgação da Doutrina dos Espíritos, objetivando mostrar os valores da vida espiritual e sua relação com a vida física.

O teatro, levado ao público, pelos meios de comunicação eletrônicos, poderia ser um poderoso meio de educação intelectual e moral, pela elevação do pensamento, pelos nobres exemplos que a vida real mostra, se para lá fossem levados.

O cinema e a televisão, através de filmes e novelas poderiam levar ao público um trabalho mais nobre, digno e educativo, de exemplificação do bem, do trabalho e da busca de uma vida melhor. A internet surge também como valioso instrumento de comunicação, educação e auxílio, contribuindo assim, para o progresso intelectual e moral da humanidade.

A pintura mediúnica, psicopictografia ou psicopictoriografia, tem se desenvolvido, ultimamente, com intensidade, talvez devido à apresentação pública de alguns médiuns, mostrando ao mundo dos homens a intervenção dos Espíritos pintores, através da mediunidade, e revelando que a vida continua além dos horizontes da morte.

A Arte não é um atributo do homem, mas do Espírito imortal. É por isso que na vida espiritual as artes continuam com toda a sua beleza harmoniosa. Os Espíritos narram passagens maravilhosas. Em "Chama Eterna", cap. 15, Luiz Sérgio fala no Departamento da Arte, dos problemas de relação Espírito-médium.

Allan Kardec, em diversas passagens da "Revista Espírita", alude à Arte Espírita, mas, no nº 5, de maio/1858, entrevista Mozart que, falando de música, diz: "No planeta onde estou, Júpiter, a melodia está por toda a parte, no murmúrio da água, no ruído das folhas, no canto do vento; as flores murmuram e cantam; tudo emite sons melodiosos ... A natureza é tão admirável! Tudo nos inspira o desejo de estar com Deus. Não temos instrumentos; são as plantas, os pássaros, que são os coristas; o pensamento compõe, e os ouvintes desfrutam sem audição material, sem o recurso da palavra, e isso a uma distância incomensurável. Nos mundos superiores isso é ainda mais sublime".

Em todo o trabalho mediúnico, no campo da Arte, deve o médium compreender que o trabalho não é seu, mas do Espírito. Importante, por isso, é não envaidecer-se de "sua arte" nem de sua mediunidade, porquanto, se o trabalho é dos Espíritos, a mediunidade tantas vezes decorre da misericórdia divina.

O importante, também, é o médium compreender que não deve comercializar a obra, tirando proveito para si mesmo, mas conduzir todo o resultado pecuniário obtido para obras assistenciais.

Mais importante, ainda, é o médium manter-se humilde em relação aos elogios; manso, em relação às críticas, e perseverante em relação aos princípios basilares do ensino dos Espíritos, que deve ser divulgado como um corpo doutrinário, sem a interferência da opinião dos homens.

Em última análise, deve o médium exemplificar por sua conduta, como homem, e por sua atividade, como médium sendo, como um verdadeiro representante dos ensinamentos de Jesus e dos Espíritos.

Escreveu Meimei (no livro "Sentinela da Alma") a “Oração do Pintor”, em que conclui: "Ensina-me o equilíbrio e o respeito aos outros, para que eu apenas crie formas do bem e para o bem, a fim de que eu possa cooperar na segurança e na ordem, na serenidade e na alegria permanentes de tua obra, hoje e sempre".

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. Obras Póstumas: Influência Perniciosa das Idéias Materialistas, Sobre as Artes em Geral

DENIS, Leon. O Espiritismo nas Artes

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). O Consolador: Pergs. 161 a 172

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: 2ª parte – Cap. XVI - item 190

KARDEC, Allan. Revista Espírita: Maio 1858

DUBUGRAS, Elsie e outros. Renoir, é você?

 

PARTE B

OS BONS ESPÍRITAS

 

O Espírita, através dos conhecimentos que adquire com a Doutrina, tem condições de compreender muito mais os ensinamentos de Jesus e, portanto, tem maior responsabilidade em praticá-los, pois "a quem mais foi dado, mais será pedido" (Lc, Cap. XII: 47 -48).

Com os novos esclarecimentos que o Espiritismo lhe propicia, o homem pode desenvolver uma fé mais sólida, compreendendo racionalmente o objetivo da reencarnação.

Do conhecimento proporcionado pelo Espiritismo, é importante ao Espírita querer o resultado prático e verdadeiro que advém dos seus ensinamentos, como, por exemplo, a reforma moral, pois o mundo está repleto de teorias que, sem aplicação, não tem utilidade. De nada adianta ao homem possuir uma bagagem imensa de conhecimentos, se não a utiliza para sua modificação moral e espiritual.

A própria felicidade depende da ação que o homem imprime aos pensamentos; por isso, a felicidade é uma conquista de cada um, individualmente, num processo constante de auto-aprimoramento.

Ser Espírita, na amplitude do termo, significa a busca constante da maturidade espiritual; a prática dos ensinamentos de Jesus, na relação social; viver como Espírito, ainda que encarnado, compreendendo que a vida continua depois da morte, que ele mesmo é o construtor do próprio destino.

Ora, há pessoas que mesmo recebendo provas racionais e científicas da existência do mundo espiritual e de todas as relações que daí se originam, não as aceitam e não acreditam nelas.

São aqueles a quem Jesus se refere na Parábola do Semeador (Mateus, cap. 13:18 a 23), como a semente que ainda não encontrou "terreno fértil" em seus corações e, por isso, não frutificou. Porém, como o progresso é uma lei natural de amor, que impulsiona todas as criaturas a novas conquistas no campo do saber e da moral, chegará o tempo que compreenderão tudo o que Jesus transmitiu, através de seus ensinamentos, o que vem confirmar o Espiritismo.

Há ainda pessoas que somente se preocupam com os fenômenos, enquanto outras desejam moralizar apenas os companheiros de jornada, relutando em retirar a trave dos próprios olhos, antes de querer retirar o argueiro do olho do próximo. Em ambos os casos, o que falta é a prática da reforma íntima, estribada na humildade e na fé.

Quando o Espírita sente na Doutrina um caminho de elevação, procura, através dos ensinamentos evangélicos, rever seus valores, aplicando o preceito em si mesmo, eliminando defeitos, substituindo-os por sentimentos e ações dignos e fraternos; corrigindo, com consciência e bondade, os erros do passado; conquistando outras simpatias para o seu redor; enfim, efetiva o seu burilamento moral, praticando o lema FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO, nos atos de sua vida.

O bom Espírita deve assim, vivenciar os ensinamentos de Jesus, através da humildade, tolerância, compreensão, indulgência, fraternidade do amor sincero ao próximo, que é a Humanidade.

Suas obras devem refletir as virtudes adquiridas.

É importante a auto-avaliação, para verificar da verdadeira mudança interior, retificando sempre que necessário os velhos hábitos, as más condutas, confiante na Providência Divina, pródiga em amor e que nos guia no trabalho de retificação, que nos é particular.

Enfim, o Bom Espírita é todo aquele que tem a consciência tranqüila e deseja servir, sem ser servido. É o homem que demonstra sua TRANSFORMAÇAO MORAL, durante sua existência na Terra.

Assim, todo o bem que houver feito, reverter-lhe-á em bênçãos de luz, que irradiará, onde estiver, identificando-lhe a estatura espiritual.

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. XVII - item 4

BÍBLIA SAGRADA. Novo Testamento: Evangelhos de Lucas e Mateus

 

Questões para Reflexão

 

1) Faça uma análise acerca da influência da arte pagã na vida e nas expressões artísticas.

2) Comente o valor da Doutrina Espírita no campo das artes e explique esta relação entre os planos espirituais e materiais.

3) Explique a relação do conhecimento espírita com a felicidade de cada ser e qual a sua influência na conquista de valores morais.

4) Na sua vivência espírita o que significa viver como espírita enquanto tem como abrigo o corpo fisico.

 

 

 

8ª AULA

PARTE A

MATÉRIA MENTAL

CORRENTE ELÉTRICA E MENTAL

CIRCUITO MEDIÚNICO

 

MATÉRIA MENTAL

O que é o pensamento?

O Pensamento sempre intrigou o homem. Todo mundo sabe o que é o pensamento, mas até hoje ninguém foi capaz de defini-lo com propriedade, nem de dizer, do ponto de vista fisiológico, o que o gera.

É intuitivo, porém, que o pensamento é produto da mente e, por conseguinte da nossa alma.

Seria uma espécie de energia, veiculada em ondas mentais, que se propagam no continuum espaço-tempo como as demais ondas (luminosas, sonoras, hertzianas, etc.) ou como os raios (luminosos, raios x, raios gama, etc.).

Essas ondas mentais seriam geradas por vibrações provocadas por impulsos do Espírito.

Diz Kardec em A Gênese:

"Sendo os fluidos o veículo do pensamento, este atua sobre os fluidos como o som sobre o ar; eles nos trazem o pensamento, como o ar nos traz o som. Pode-se dizer sem receio de errar, que há nesses fluidos, ondas e raios de pensamentos, que se cruzam sem se confundirem, como existe no ar ondas e raios sonoros."

André Luiz, no livro Mecanismos da Mediunidade, esclarece-nos que nos seres criados, homens e animais, verificamos também a existência de matéria mental, que não se confunde com a matéria como nós a definimos em fisica. Essa matéria mental se constitui de determinado grau de concentração de energia, diverso daquele de que é formado nosso corpo material.

Segundo o conceito relativista, a matéria é energia concentrada segundo a fórmula básica: E= m.C2, na qual- E é energia; m massa e C2 o quadrado da velocidade da luz.

A concentração da energia se faz, no entanto, em diferentes graus, na proporção das respectivas condições vibratórias.

A matéria nossa conhecida é aquela de que são feitos os corpos e as coisas que encontramos em nosso plano físico.

Já o perispírito é constituído de matéria diferente, resultante de menor grau de concentração de energia. É a matéria que costumamos chamar de quintessenciada. É claro que outras gradações de concentração energética existem, gerando os tipos de matéria que se compatibilizem com os diferentes planos vibratórios.

Diz André Luiz que como alicerce vivo de todas as realizações nos planos fisico e extrafisico, encontramos o pensamento por agente essencial. Entretanto, ele ainda é matéria. A matéria mental, em que as leis de formação das cargas magnéticas ou dos sistemas atômicos prevalecem sob novo sentido, compondo o maravilhoso mar de energias sutis em que todos nos achamos submersos e no qual surpreendemos elementos que transcendem o sistema periódico dos elementos químicos conhecidos no mundo.

Para ele, o pensamento é o fluxo energético do campo espiritual de cada ser, a se graduar nos mais diversos tipos de onda, desde os raios superultra-curtos, em que se exprimem as legiões angélicas, através de processos ainda inacessíveis à nossa observação, passando pelas oscilações curtas, médias e longas em que se exterioriza a mente humana, até as ondas fragmentárias dos animais, cuja vida psíquica, ainda em germe, somente arroja de si determinados pensamentos ou raios descontínuos.

A matéria mental é corpuscular, como corpuscular é a matéria no plano fisico, e se compõe de átomos e partículas, com cargas positivas (prótons) e negativas (elétrons), embora, convém repetir, de outro teor vibratório, evidentemente mais sutil, mais energético.

Compreendemos assim, perfeitamente, que a matéria mental é o instrumento sutil da vontade, atuando nas formações da matéria fisica, gerando as motivações de prazer ou desgosto, alegria ou dor, otimismo ou desespero, que não se reduzem efetivamente a abstrações, por representarem turbilhões de força em que a alma cria os seus próprios estados de mentalização indutiva, atraindo para si mesma os agentes (por enquanto imponderáveis na Terra), de luz ou sombra, vitória ou derrota, infortúnio ou felicidade.

 

FORMAS-PENSAMENTOS

Emitindo uma idéia, passamos a refletir as que se lhe assemelham, idéia essa que para logo se corporifica, com intensidade correspondente à nossa insistência em sustentá-la, mantendo-nos, assim espontaneamente em comunicação com todos os que nos esposem o modo de sentir.

É nessa projeção de forças, a determinarem o compulsório intercâmbio com todas as mentes encarnadas ou desencarnadas, que se nos movimenta o Espírito no mundo das formas-pensamento, construções substanciais na esfera da alma, que nos liberam o passo ou no-lo escravizam, na pauta do bem ou do mal de nossa escolha. Isso acontece porque, à maneira do homem que constrói estradas para a sua própria expansão ou que talha algemas para si mesmo, a mente de cada um, pelas correntes de matéria mental que exterioriza, eleva-se a gradativa libertação no rumo dos planos superiores ou estaciona nos planos inferiores, como quem traça vasto labirinto aos próprios pés.

 

CORRENTE ELÉTRICA E MENTAL

O Espírito, encarnado ou desencarnado, pode ser comparado a um dínamo complexo. Um dínamo gerador, indutor, transformador e coletor ao mesmo tempo, com capacidade de assimilar correntes contínuas de força e exteriorizá-las simultaneamente.

A ciência explica que uma corrente elétrica não é mais do que um movimento de elétrons, e dentro do átomo os elétrons também se movem. Cada órbita eletrônica produz seu campo magnético, campos estes que se somam se forem ordenados; por exemplo, o radar e o raio-x, são ondas eletromagnéticas.

O cérebro humano produz constantemente milhões de pequenos impulsos elétricos que tendem a somar-se e assim podem ser recolhidos em volta do crânio.

Diz André Luiz:

"A corrente mental também é uma corrente de natureza elétrica, embora menos ponderável na esfera física. Em torno da corrente elétrica surgem efeitos magnéticos de intensidade correspondente. A eletricidade vibra".

Toda partícula da corrente mental nascida das emoções e desejos recônditos do Espírito, através da consciência se desloca produzindo radiações eletromagnéticas, cuja freqüência varia conforme os estados mentais do emissor.

 

CIRCUITO MEDIÚNICO

Para melhor entendermos a manifestação, isto é, a mensagem de uma entidade através de um médium, procuremos entender o Circuito Mediúnico, que André Luiz explica no Livro Mecanismos da Mediunidade, Cap. VI.

André Luiz compara o circuito mediúnico ao circuito elétrico que encerra um condutor de ida e outro de volta da corrente, abrangendo gerador e os aparelhos de utilização a englobarem os serviços de geração, transmissão, transformação e distribuição de energia.

Para execução de semelhantes atividades, as maquinas respectivamente guardam consigo recursos especiais, em circuitos elementares como sejam os de geração e manobra, proteção e medida.

Assim estabelece-se o circuito mediúnico do Espírito para o médium, e do médium para o Espírito através da sintonia e por afinidade, projetando o Espírito seus pensamentos em forma de ondas magnéticas, sonoras e coloridas.

 

 

 

 

As idéias em forma de ondulações são recebidas pelo médium, interpretadas, ampliadas, trabalhadas e retransmitidas através do cérebro físico, sistema nervoso, órgão da palavra (comunicação oral), braço e mão (comunicação escrita).

A união das correntes mentais chama-se, portanto, circuito mediúnico.

O circuito mediúnico, dessa maneira, expressa uma "vontade-apelo" e uma "vontade-resposta", respectivamente, no trajeto ida e volta, definindo o comando da entidade comunicante e a concordância do médium.

 

Bibliografia:

 

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Mecanismo da Mediunidade: Cap. IV, V, VI

ARMOND, Edgard. Passes e Radiações: Cap. V e XXIII

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Indulgência: Lições 12 e 13

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap. 8 - Tomadas Mentais

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Cap. 5 - Assimilação de Correntes Mentais

 

PARTE B

A FÉ RELIGIOSA

CONDIÇÃO DA FÉ INABALÁVEL

 

Nos seus aspectos religiosos, a fé é a crença nos dogmas particulares que constituem as diferentes religiões, e todas elas têm os seus artigos de fé. Nesse sentido, a fé pode ser racionada ou cega. A fé cega nada examina, aceitando sem controle o falso e o verdadeiro, e a cada passo se choca com a evidência da razão. Levada ao excesso, produz o fanatismo. Quando a fé se firma no erro, cedo ou tarde desmorona. Aquela que tem a verdade por base é a única que tem o futuro assegurado, porque nada deve temer do progresso do conhecimento, que o verdadeiro conhecimento na obscuridade também o é à plena luz. Cada religião pretende estar na posse exclusiva da verdade, mas preconizar a fé cega sobre uma questão de crença é confessar a impotência para demonstrar que se está com a razão.

Vulgarmente se diz que a fé não se prescreve, o que leva muitas pessoas a alegarem que não são culpadas de não terem fé. Não há dúvida que a fé não pode ser prescrita, ou o que é ainda mais justo: não pode ser imposta. Não, a fé não se prescreve, mas se adquire, e não há ninguém que esteja impedido de possuí-la, mesmo entre os mais refratários. Falamos das verdades espirituais fundamentais, ou não desta ou daquela crença particular. Não é a fé que deve procurar essas pessoas, mas elas é que devem procurá-la, e se o fizerem com sinceridade a encontrarão.

Podeis estar certo de que aqueles que dizem:

"Não queríamos nada melhor do que crer, mas não o podemos fazer", apenas o dizem com os lábios, e não com o coração, pois ao mesmo tempo que o dizem, fecham os ouvidos. As provas, entretanto, abundam ao seu redor. Por que, pois, se recusam a ver? Em alguns, é a indiferença, noutros, o medo de serem forçados a mudar de hábitos; e, na maior parte, orgulho que se recusa a reconhecer um poder superior, porque teria de inclinar-se diante dele.

Para algumas pessoas, a fé parece de alguma forma inata: basta uma faísca para desenvolvê-la. Essa facilidade para assimilar as verdades espirituais é sinal evidente de progresso anterior. Para outras, ao contrário, é com dificuldade que elas são assimiladas, sinal também evidente de uma natureza em atraso. As primeiras já creram e compreenderam, e trazem, ao renascer, a intuição do que sabiam. Sua educação já foi realizada. As segundas ainda têm tudo para aprender: sua educação está por fazer. Mais ela se fará, e se não puder terminar nesta existência, terminará numa outra.

A resistência do incrédulo, quase sempre se deve menos a ele do que à maneira pela qual lhe apresentam as coisas. A fé necessita de uma base, e essa base é a perfeita compreensão daquilo em que se deve crer. Para crer, não basta ver, é necessário sobre tudo compreender.

A fé cega não é mais deste século. É precisamente o dogma da fé cega que hoje em dia produz o maior número de incrédulos. Por que ela quer impor-se, exigindo a abdicação de duas das mais preciosas prerrogativas do homem: as que se constituem do raciocínio e do livre arbítrio. É contra essa fé, sobretudo, que se levanta o incrédulo, o que mostra a verdade de que a fé não se impõe. Não admitindo provas, ela deixa no espírito um vazio, de que nasce a dúvida.

A fé raciocinada que se apóia nos fatos e na lógica, não deixa nenhuma obscuridade: crê-se, porque se tem certeza, e só se está certo quando se compreendeu. Eis porque ela não se dobra: porque só é inabalável a fé que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade.

É a esse resultado que o Espiritismo conduz, triunfando assim da incredulidade, todas as vezes que não encontra a oposição sistemática e interessada.

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. XIX - item 6 e 7

 

Questões para reflexão:

 

1- Explique o que você entende por formas pensamento.

2- Comente sobre "corrente mental".

3- Explique o que é circuito mediúnico.

4- Comente sobre fé religiosa e a raciocinada.

 

9ª AULA

PARTE A

IDENTIDADE DOS ESPÍRITOS

 

Diz Kardec no item 255 do LM: "A questão da identidade dos Espíritos é uma das mais controvertidas, mesmo entre os adeptos do Espiritismo. Porque os Espíritos, de fato, não trazem nenhum documento de identificação e sabe-se com que facilidade alguns deles usam nomes emprestados".

Diz ele ainda, mais adiante, no mesmo item, que a questão se torna mais complexa quando temos de comprovar a identidade de Espíritos de personalidades antigas, o que muitas vezes é impossível.

De modo geral, devemos avaliar os Espíritos como avaliamos os homens: pela sua linguagem, estilo, tendências morais, atos, pelos conselhos dados etc. Desde que o Espírito só diga coisas boas e proveitosas, pouco importa o seu nome. É como nos disse Jesus: "Porque não é boa árvore a que dá maus frutos, nem má árvore a que dá bons frutos. Porquanto cada árvore é conhecida pelo seu fruto" (Lucas, VI: 43 e 44).

Para um Espírito superior, o nome que teve em alguma encarnação, ou aquele que lhe queiramos dar, pouco lhe importa. Devemos compreender que "à medida que os Espíritos se purificam e se elevam na hierarquia, as características distintivas de suas personalidades desaparecem, de certa maneira, na uniformidade da perfeição, mas nem por isso deixam eles de conservar a sua individualidade."1 Um Espírito Superior pode, assim, se apresentar por um nome conhecido quando pertence ao mesmo grupo dessa personalidade ou nos dando um "simples indício do lugar que ocupa na Escala Espírita (ver a questão n° 100 do L.E)".2

Muitas vezes, contrariando os conselhos de Kardec quanto à prudência e ao estudo sistemático da doutrina para bem avaliarmos as mensagens recebidas, seja pela psicofonia, psicografia, psicopictografia, etc. ainda nos apegamos a nomes conhecidos, sem analisarmos o seu conteúdo. Isso demonstra o quanto ainda podemos ser orgulhosos, porquanto, mesmo que mantenhamos uma relação mediúnica com um Espírito superior, não significa que também sejamos superiores.

Um médico trata de um doente, mas não é pelo fato do médico ser importante que o doente o seja também.

Quando se trata de identificarmos um Espírito de ordem inferior, o cuidado deve ser redobrado, pois ele pode fornecer um nome respeitável para se fazer acreditar. Neste caso, graças aos nomes emprestados e com a ajuda da fascinação que causam nas pessoas incautas, é que Espíritos imperfeitos (impuros, levianos ou pseudo-sábios) procuram impor idéias muitas vezes absurdas e ridículas que se espalham no meio doutrinário. Na codificação encontramos inúmeros exemplos de tais comunicações. A título de ilustração, indicamos a leitura do item "Mensagens apócrifas" do capítulo 32 de "O Livro dos Médiuns".

Diz Jose Herculano Pires, em nota de rodapé, do item 257, de LM, que "a identificação dos Espíritos é feita através da personalidade do falecido. Dados diversos podem ajudar essa identificação, mas não o seu caráter, os seus modos, os seus hábitos, todo esse conjunto pessoal que nos prova a sua presença. Exigir a identificação material é absurdo. Mas quando essa identificação é possível como pelos sinais digitais, pela forma do rosto ou das mãos impressas no gesso, ou mesmo pela fotografia ou pela materialização do Espírito, ainda assim os negadores sistemáticos não a aceitam".

Um estudioso de André Luiz, Emmanuel, Humberto de Campos (ou Irmão X), de Bezerra de Menezes, Maria Dolores e tantos outros Espíritos, saberá distingui-los por suas características de estilo, formas de linguagem e conteúdo doutrinário.

Pode-se também colocar entre as provas de identidade a semelhança de caligrafia e de assinatura, mas, diz Kardec, isso não representa uma garantia suficiente, pois não são todos os médiuns que apresentam bons resultados, além do que um Espírito pode imitar a assinatura.

Finalmente, pode-se dizer que a distinção entre bons e maus Espíritos decorre das próprias comunicações. "A bondade e a afabilidade são atributos essenciais dos Espíritos depurados. Eles não alimentam ódio nem para com os homens nem para com os demais Espíritos. Lamentam as fraquezas e criticam os erros, mas sempre com moderação, sem amarguras nem animosidades".3 Já os Espíritos inferiores geralmente demonstram seu caráter com trivialidades e expressões baixas.

Nem sempre a inteligência revela um sinal seguro de superioridade, pois um Espírito pode ser bom, afável e ter conhecimentos limitados, enquanto que um inteligente e instruído pode ser moralmente bastante inferior. De qualquer forma, pode-se "tomar como regra invariável e sem exceção que a linguagem dos Espíritos corresponde sempre ao seu grau de elevação”.4

Em síntese, Kardec apresenta no item 267 de "O Livro dos Médiuns", vinte e seis princípios que nos auxiliam a reconhecer a identidade e qualidade dos Espíritos. Aqui transcrevemos alguns:

1° - "Não há outro critério para discernir o valor dos Espíritos, senão o bom senso";

2° - "Julgamos os Espíritos pela sua linguagem e pelas suas ações";

3° - "Admitido que os Espíritos bons só podem dizer e fazer o bem, tudo o que é mau não pode provir de um Espírito bom";

4° - "A linguagem dos Espíritos superiores é sempre digna, elevada, nobre, sem nenhuma mistura de trivialidade";

5° - "Não devemos julgar os Espíritos pelo aspecto formal e pela correção do seu estilo, mas sondar-lhes o íntimo, analisar suas palavras, pesá-las friamente, maduramente e sem prevenção";

6° - "A linguagem dos Espíritos elevados é sempre idêntica, senão quanto à forma, pelo menos quanto à substância. As idéias são as mesmas, sejam quais forem o tempo e o lugar";

7° - "Os Espíritos bons só dizem o que sabem, calando-se ou confessando a sua ignorância sobre o que não sabem";

8° - "Os Espíritos levianos são ainda reconhecidos pela facilidade com que predizem o futuro e se referem com precisão a fatos materiais que não podemos conhecer";

9° - "Os Espíritos superiores se exprimem de maneira simples, sem prolixidade. Seu estilo é conciso, sem excluir a poesia das idéias e das expressões";

10° - "Os Espíritos bons jamais dão ordens: não querem impor-se, apenas aconselham e se não forem ouvidos se retiram";

11° - "Os Espíritos bons não fazem lisonjas. Aprovam o bem que se faz, mas sempre de maneira prudente";

12° - "Os Espíritos superiores mantém-se, em todas as coisas, acima das puerilidades formais. Os Espíritos vulgares são os únicos que podem dar importância a detalhes mesquinhos, incompatíveis com as idéias verdadeiramente elevadas";

13° - "Devemos desconfiar de nomes bizarros e ridículos usados por certos Espíritos que desejam impor-se à credulidade";

14°- "Devemos igualmente desconfiar dos Espíritos que se apresentam com muita facilidade usando nomes bastante venerados e só com muita reserva aceitar o que dizem";

15° - "Os Espíritos bons são também reconhecíveis pela sua prudente reserva no tocante às coisas que possam comprometer-nos. Repugna-lhes desvendar o mal";

16° - "Os Espíritos imperfeitos aproveitam-se freqüentemente dos meios de comunicação de que dispõem para dar maus conselhos. Excitam a desconfiança e a animosidade entre os que lhe são antipáticos";

17° - "Para julgar os Espíritos, como para julgar os homens, é necessário antes saber julgar-se a si mesmo".

 

Notas de Rodapé

1 LM 2ª parte cap. XXIV item 256

2 LM 2ª parte cap. XXIV item 256

3 LM, 2ª parte, cap. XXIV, item 264

4 LM, 2ª parte, cap. XXIV, item 263

 

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: 2ª parte – Cap. XXIV, itens 255 e 256

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos: Introdução - itens XII, XIII e XIV

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Seara dos Médiuns: Lição 51

 

PARTE B

QUEM SE ELEVAR SERÁ REBAIXADO

 

O que quis nos ensinar Jesus quando disse: "Pois todo o que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado”? (Lucas, XIV:11)

O Mestre nos indica a condição essencial para a felicidade, a humildade, virtude contrária ao orgulho e à vaidade. Orgulho e vaidade defeitos terríveis e fatores de queda para os invigilantes, que são responsáveis, muitas vezes, por "jogarmos fora" uma encarnação inteira, causa de infelicidade futura. Com muita propriedade, Kardec perguntou no Livro dos Espíritos qual é o maior obstáculo ao progresso, o que lhe foi respondido: "São o orgulho e o egoísmo. Quero referir-me ao progresso moral" 1.

Em "O Evangelho Segundo o Espiritismo" de Allan Kardec (cap.II, item 8), há uma comunicação de uma antiga rainha da França que, ao adentrar o mundo espiritual, após uma vida de luxo e de orgulho, viu com imensa surpresa que Espíritos que ocupavam posições subalternas, obscuras, desfrutavam, no mundo dos Espíritos, de posições superiores a dela. Em certo trecho da sua comunicação, diz ela textualmente:

"O orgulho me perdeu sobre a Terra (...). Que humilhação, quando, em vez de ser ali recebida como soberana, tive de ver acima de mim, mas muito acima, homens que eu considerava pequeninos e os desprezava, por não terem nas veias um sangue nobre! Oh! Só então compreendi a fatuidade dos homens e das grandezas que tão avidamente buscamos sobre a Terra!".

No Evangelho de Mateus (cap.18, versículos 3 e 4) disse Jesus Cristo: "Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus. Porquanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus."

Jesus toma a criança como modelo, como padrão de comportamento, a fim de exemplificar a simplicidade e a humildade. O Mestre quis demonstrar, assim, que somente seremos simples e humildes quando nos fizermos pequenos como a criança: sem orgulho, sem presunção, sem nenhum dos defeitos que nos impedem de alcançar a tão desejada felicidade e que tanto cultivamos como o ódio, o ciúme, a inveja, a ambição (ver L.E. questão 967).

Novamente no Evangelho de Mateus (cap. 20, versículos 26 a 28) lemos que o Mestre, dirigindo-se aos seus apóstolos disse: "Quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós, será vosso servo; tal como o Filho do Homem que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos".

Em outro ensinamento, desta vez em Lucas (cap.14, versículos 10 e 11), o Mestre ensina que "quando fores convidado, vai tomar o último lugar; para que quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, senta-te mais para cima. Ser-te- a isto uma honra diante de todos os convivas. Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado".

Digno de destaque é a afirmação de Jesus de que "ele havia descido à Terra para servir e não para ser servido". Se ele, que foi o maior e mais puro dos Espíritos que já encarnaram na Terra, veio para servir, o que dizer daqueles que ainda são imperfeitos, que estão nos primórdios da evolução espiritual? Se ele, que é o nosso Mestre, deu uma demonstração tamanha de humildade extrema lavando os pés de seus apóstolos, o que esperar de nós mesmos? Ainda seguiremos exigindo que os outros nos sirvam, sem dar nada em troca?

Podemos interpretar o gesto simbólico de Jesus como o mais autêntico exemplo de desapego pelas coisas terrenas e a mais sublime simplicidade, que devemos imitar.

Assim, finalizamos com o comentário de Kardec, em “O Evangelho segundo o Espiritismo” 2: “O Espiritismo vem confirmar a teoria pelo exemplo, ao mostrar que os grandes do mundo dos Espíritos são os que foram pequenos na Terra e que freqüentemente são bem pequenos os que foram grandes e poderosos”.

 

Nota de Rodapé

1 L.E. questão 785

2 E.S.E., Cap. VII, Item 6

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo Espiritismo (E.S.E.): Cap. VII - itens 3 a 6

BÍBLIA SAGRADA. Novo Testamento: Evangelhos de Mateus e Lucas

 

Questões para reflexão:

 

1) De acordo com os ensinamentos da Parte A, apresente os meios mais eficazes para se identificar o grau evolutivo do Espírito comunicante.

2) Com base no Livro dos Médiuns nº 267 descreva o tipo de linguagem dos Espíritos que serve de fonte inspirada para qualificação dos Espíritos.

3) Comente a diferença do ensinamento do Mestre Jesus: "Pois todo aquele que se exalta será humilhado" com a vivência do homem no nosso dia-a-dia.

4) Analise a afirmação:"Quem quiser tornar-se grande entre vós, esse será o que vos sirva".

 

 

10ª AULA

PARTE A

EVOCAÇÕES DOS ESPÍRITOS

 

PROIBIÇÕES

Esclarece-nos Kardec em "O Livro dos Médiuns" que os Espíritos podem se comunicar espontaneamente ou serem evocados. Contudo, os Espíritos são inteligências livres e qualquer evocação que lhes desagradem ou que não seja apropriada fará com que não nos atendam ao apelo.

Mas existem condições proibidas para a evocação dos Espíritos?

A primeira questão que podemos abordar é a proibição de Moisés aos hebreus, narrada de maneira tão clara no Antigo Testamento. "O homem ou mulher que tiver Espírito pitônico, ou de adivinho, morra de morte. Serão apedrejados e o seu sangue recairá sobre eles", ameaça Moisés no Levítico, cap.XX, versículo 27.

A proibição pode ser vista ainda no capítulo XIX, v.31 do mesmo Levítico e no Deuteronômio (Cap. XVIII, v 9 a 12).

Para entendermos a posição radical de Moisés, devemos entender o panorama da época. Recém libertos do cativeiro egípcio, os hebreus haviam adquirido o costume de interrogar os desencarnados para toda a sorte de abusos. "( ...) a evocação dos mortos não se originava nos sentimentos de respeito, afeição ou piedade para com eles, sendo antes um recurso para adivinhações, tal como nos augúrios e presságios explorados pelo charlatanismo e pela superstição", nos diz Kardec em "O Céu e o Inferno". As inquirições aos Espíritos ainda eram fonte de comércio, quando se pagava ao adivinho para ouvir aquilo que se gostaria. Moisés, conduzindo pelo deserto um povo rebelde e indisciplinado não encontrou outra maneira senão a de punir com a morte os abusos, já que ali não havia prisões ao seu dispor.

Além disso, o legislador hebreu não poderia permitir que idéias, costumes e hábitos estranhos ao de seu povo fossem contrários às leis que implantou à custa do sacrifício dos anos de penúria no deserto.

Chegando à época de Jesus, é também notório que entre os primeiros cristãos o intercâmbio com os desencarnados era fato comum.

São muitos os relatos das manifestações mediúnicas no Novo Testamento e o próprio Jesus não comentou nada em relação à proibição do intercâmbio com os Espíritos. Se as evocações realmente fossem proibidas, certamente Jesus não teria ficado calado a respeito de assunto tão importante. Outrossim, o que nos demonstram os Evangelhos é que por ser um Espírito puro, Jesus era dotado de faculdades muito superiores aos dos homens de seu tempo, inclusive, mantendo uma comunhão constante com os Espíritos. "Estes, muitas vezes, tornavam-se visíveis ao seu lado. Seus discípulos o viram, assombrados, conversar um dia no Tabor com Elias e Moisés".

Um outro ponto que levantam os contraditores do intercâmbio mediúnico é o de que as evocações seriam falta de consideração para com os mortos, constituindo mesmo uma profanação. "Profanação haveria se as evocações fossem feitas com leviandade", nos esclarecem os Espíritos.

O Espiritismo, resgatando nos tempos modernos o Evangelho de Jesus, também não recomenda evocar os Espíritos com as mesmas motivações condenadas por Moisés. Recomenda-nos sim alguns critérios e cuidados a serem tomados, salientando a importância das comunicações como instrução e consolo dos sofrimentos.

"Se essa comunicação existe, deve ter sua utilidade, porque Deus não faz nada de inútil; ora, essa utilidade ressalta não só desse ensinamento, mas ainda e, sobretudo das conseqüências desse ensino", diz Kardec.

Freqüentemente, nas reuniões regulares, apresentam-se espontaneamente Espíritos que já estão habituados à própria regularidade dessas sessões. Emmanuel diz preferir esse tipo de manifestação, contudo Kardec nos recomenda a evocação, como forma de controlar com maior rigor as manifestações.

Segundo Kardec, qualquer Espírito pode ser evocado. Porém, nem sempre poderá atender ao nosso chamado, pois, mesmo que queira, pode ser impedido por motivos que desconhecemos ou por não ter a permissão de um poder superior. Ainda pode não se comunicar instantaneamente conosco por estar ocupado ou por alguma missão que desempenha.

Outro fator que pode impedir a manifestação de um Espírito diz respeito à condição do médium, do evocador, ao meio em que se faz a evocação e ao seu intuito. Aqui, vale a regra de sempre das comunicações mediúnicas: o Espírito irá preferir o médium com o qual mais se identifique, seja quanto às condições materiais como nas morais.

O cuidado que o médium deve tomar sempre nas evocações de interesses privados é o de evitar transformar-se em instrumento de consultas ou, como Kardec aponta, um "ledor de sorte". Não se deve, sob pretexto algum, prestar-se a uma evocação dessas ao perceber-se curiosidade, questões improdutivas e qualquer outro tópico que fuja do que se propõe racionalmente aos Espíritos, enfim, quando não percebemos um objetivo sério por parte do evocador.

Os Espíritos ainda relacionam, na questão 282 de "O Livro dos Médiuns", algumas situações que podem impedir que um Espírito atenda a uma evocação e outras em que não se deve fazê-la:

• Espíritos que pertencem a mundos inferiores a Terra não podem jamais se comunicar, por não disporem de meios de comparação para poderem exprimir-se;

• Um Espírito pode não ter permissão para se comunicar como punição ou prova para ele ou para a pessoa que o evoca;

• Os Espíritos atendem com maior facilidade a pensamentos simpáticos e benevolentes do evocador. Pensamentos mal dirigidos não atingem o alvo e se o evocador é indiferente ou antipático ao Espírito, este não atende ao apelo;

• Um Espírito pode negar-se a responder a uma questão, porém, se é inferior pode ser constrangido a se manifestar por um superior a ele;

• Devemos evitar evocar um Espírito no momento da sua morte. A esta questão, os Espíritos respondem no item 33 que podemos evocá-lo, porém, sua resposta será muito imperfeita, por causa do período de perturbação. Adicionam, porém, no item seguinte, que para alguns a evocação os ajudaria a sair da perturbação;

• A encarnação pode dificultar a evocação de um Espírito. Somente podem atender aqueles em que a condição corpórea facilite o desprendimento no momento da evocação ou ainda se estiverem encarnados em um mundo superior, onde os corpos são menos materiais que no nosso;

• Não podemos evocar também Espíritos que ainda estejam no ventre materno, por estarem na perturbação que antecede o nascimento, o que lhes tira a consciência de si mesmos;

• E não devem ser evocadas pessoas vivas nessas condições: crianças em tenra idade, pessoas gravemente doentes e os velhos enfermos. É sempre inconveniente a evocação de vivos que estejam com o corpo fisico debilitado.

De qualquer maneira, em qualquer intercâmbio mediúnico, o mais importante é que qualquer evocação deve ser levada a sério e nunca deve ser encarada como simples fórmula. E ainda não nos esquecermos de que os Espíritos não são joguetes, subjugados aos nossos interesses mais pueris.

 

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: 2ª Parte, Cap. XXV (Das Evocações), nº 269, 270 a 275, 281 e 282 - item 11

KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno: Capo XI: Da Proibição de Evocar os Mortos

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos: questão 935

KARDEC, Allan. Revista Espírita: Dezembro de 1863

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). O Consolador: Perg. 369

DÉNIS, Leon. Cristianismo e Espiritismo: Capítulo V

BÍBLIA SAGRADA. Antigo Testamento: Levítico, Cap.XX, versículo 27 – Cap. XIX, v. 31 e Deuteronômio – Cap. XVIII, v 9 a 12.

 

PARTE B

PROIBIÇÃO DE EVOCAR MORTOS

 

O "Deuteronômio", O último livro do Pentateuco, em seu capítulo 18, versículos 9 a 14, proíbe a evocação dos "mortos"; entretanto, trata-se de um tema arcaico e um atentado à solidariedade existente entre os mundos dos encarnados e desencarnados.

É evidente que os abusos reinantes, naquela época, levaram Moisés a proibir a invocação dos chamados mortos, ato que se tornou a tônica empregada por todos quantos combatem o Espiritismo.

O grande legislador dos hebreus, no entanto, estabeleceu essa lei apenas para evitar aquilo que o Espiritismo recomenda, incessantemente, aos seus seguidores: que evitem a invocação de Espíritos para fins menos elevados, consultando-os sobre assuntos terra-a-terra, ou obtendo deles informações que se revestem de um caráter mais humano do que espiritual, que nada edificam.

Deve-se esclarecer que Moisés combatia as invocações, quando elas não tinham um objetivo sério; entretanto, quando ele conhecia a idoneidade dos médiuns que eram canais dos Espíritos, em vez de condenar o ato, ele ratificava.

O livro "Números", quarto livro do Pentateuco, tem a seguinte narrativa (cap. 11:26 a 29): Certa vez, um moço veio denunciar a Moisés que dois homens - Eldad e Medad - estavam recebendo comunicação de Espíritos. Imediatamente, Josué, filho de Nun, ministro de Moisés, o qual ali estava, adiantou-se e disse: - Senhor meu, Moisés, proíbe-lho. O Libertador dos Judeus, no entanto, retrucou-lhe: - Tens tu ciúmes por mim? Oxalá que todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhe desse o seu Espírito! ("Profeta" era o nome que davam aos médiuns)

Essa atitude de Moisés deixou bem claro que a sua proibição não atingia os médiuns sérios, compenetrados de seus deveres, mas apenas os medianeiros que não se preocupam com a verdade, e, por isso, se tornam porta-vozes de Espíritos enganadores ou inescrupulosos. O próprio Moisés, no Tabernáculo comunicava-se reiteradamente com Espíritos. Todas as vezes que confabulava com Jeová, que aparentemente julgava ser o próprio Deus, entrava em contato com o Plano Espiritual. Deus não se comunica diretamente com os homens, e Jeová era, simplesmente, uma deidade tribal dos antigos judeus.

As páginas do Velho e do Novo Testamento estão repletas de demonstrações as mais inequívocas desse intercâmbio.

O rei Saul, de Israel procurou a Pitonisa (médium) de Endor, a fim de receber orientação do Espírito esclarecido de Samuel (1º Samuel 28:1-20. Na Bíblia católica é 1º Reis 28:1-20.)

Jesus Cristo, acompanhado pelos Apóstolos Pedro, Tiago e João, subiu ao Monte Tabor e ali confabulou com os Espíritos de Moisés e Elias (Mt 17:1-8; Mc 9:2-8; Lc 9:28-36).

Paulo de Tarso recebeu, em seu quarto, a visita de um Espírito que lhe fez caloroso apelo no sentido de dirigir-se para a Macedônia, a fim de esclarecer o seu povo sobre a Boa Nova (Atos 16:9-10).

O Centurião Cornélio, na cidade de Cesaréia, foi visitado por um Espírito e instado a convidar o Apóstolo Pedro, que estava na cidade de Jope, para ir instruí-lo sobre os ensinamentos de Jesus (Atos 10:3-8).

Ananias foi visitado por um Espírito de grande elevação, que o induziu a procurar o recém-converso Saulo de Tarso, para orientá-lo sobre tudo o que Jesus Cristo havia ensinado (Atos 9:10-12).

Simeão recebeu a promessa de um Espírito, de que não desencarnaria sem antes presenciar o advento do tão esperado Messias (Lc 2: 25-27).

Maria de Nazaré e Isabel foram instruídas por Espíritos de ordem elevada, no tocante ao nascimento de Jesus Cristo e de João Batista. Zacarias, esposo de Isabel, também recebeu informação idêntica.

No dia de Pentecostes, todos os Apóstolos foram bafejados por Espíritos, ocorrendo a maior sessão coletiva de desenvolvimento de médiuns, na história religiosa do mundo (Atos 2: 1-11).

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XXVII - Itens 18 a 21

BÍBLIA. Antigo Testamento: Deuteronômio, Cap. 18:9-14.

BÍBLIA. Antigo Testamento: Números, Cap. 11: 26-29.

BÍBLIA. Antigo Testamento: 1° Samuel 28: 1-20 - Na Bíblia católica é 1° Reis 28:1-20

BÍBLIA. Novo Testamento: Mt 17:1-8; Mc 9:2-8; Lc 9:28-36

BÍBLIA. Novo Testamento: Atos 16:9-10; 10:3-8; 9:10-12; e, 2:1-11).

BÍBLIA. Novo Testamento: Lucas 2:25-27

 

Questões para reflexão:

 

1) Explique o motivo pelo qual a Doutrina Espírita não entra em contradição a proibição de evocar os mortos imposta por Moisés aos hebreus.

2) Relacione as condições que podem ser inconvenientes para evocar os mortos segundo Kardec.

3) Relembre e analise sucintamente o que ocorreu com o rei Saul (consulta à médium de Endor).

4) Comente o que ocorreu com Ananias.

 

11ª AULA

PARTE A

MATERIALIZAÇÃO E DESMATERIALIZAÇÃO

BICORPOREIDADE, BILOCAÇÃO

E TRANSFIGURAÇÃO

 

Materialização, ou ectoplasmia, é o fenômeno mediúnico de efeitos fisicos pelo qual os Espíritos, utilizando a substância ectoplásmica fornecida pelo médium, eventualmente complementada pela dos assistentes, e adicionando os fluidos espirituais e os fluidos da Natureza, se corporificam, total ou parcialmente, no plano fisico.

A palavra ectoplasma - formada dos vocábulos gregos: ektós = fora, exterior, e plasma de passein = dar forma. Designa em Biologia, a parte periférica do citoplasma (protoplasma da célula, excluído o núcleo). Mas, no âmbito das ciências metapsíquicas, tem significado específico diferente: designa a substância fluídica que, em determinadas circunstâncias, emana do corpo de certos médiuns, pelos orifícios naturais, como as narinas e a boca, e serve para a produção de fenômenos de efeitos fisicos, principalmente os conhecidos por materialização.

André Luiz descreve o ectoplasma, "qual pasta flexível, à maneira de uma geléia viscosa e semilíquida", emanada pelo médium através de todos os poros e, com mais abundância, pelos orifícios naturais, particularmente da boca, das narinas e dos ouvidos, do tórax e das extremidades dos dedos. Apresenta o aspecto de grande massa protoplásmica, viva e tremulante. O ectoplasma está situado entre a matéria densa e a matéria perispirítica, não tem a fluidez do perispírito nem a densidade da matéria. É o que se poderia chamar de "semi-matéria".

De forma que, materialização é o fenômeno pelo qual os Espíritos se corporificam, total ou parcialmente, tornando-se visíveis a quantos estiverem presentes no local das sessões. Não é preciso ser médium para ver o Espírito materializado. Materializando-se, corporificando-se, pode o espírito ser visto, sentido e tocado.

Os Espíritos com o fenômeno de materialização, também, podem fazer perceber sensorialmente imagens, sons, coisas ou objetos trazidos de planos vibratórios diferentes, dando-lhes forma e substância materiais.

Note-se ainda, que a materialização é um fenômeno que não ocorre de um modo uniforme, podendo assumir várias gradações. Além disso, não pode ser confundida com a aparição, fenômeno pelo qual o Espírito é visto apenas por um médium vidente. A materialização é um fenômeno objetivo e a aparição é um fenômeno subjetivo.

Como a intensidade da ectoplasmia é variável, pode gerar formas extremamente vaporosas, quase imperceptíveis aos não videntes, outras vaporosas, mas plenamente visíveis e outras tangíveis. A rigor, somente estas duas últimas pode-se aplicar, com propriedade, o termo materialização. Os aspectos do ectoplasma são tão variáveis que vão desde uma forma rarefeita que o mantém invisível - porém registrável por outros métodos - até o estado sólido e organizado em estruturas complexas, tais como os "espíritos materializados" - agêneres ectoplásmicos.

Entre estes dois extremos ele pode passar por estados diversos: gasoso, plasmático, floculoso, amorfo, leitoso, filamentoso, líquido, etc.

Nos fenômenos de materialização, os Espíritos tem que contar com três elementos essenciais, a fim de que o trabalho alcance êxito:

1- Fluidos Espirituais - forças superiores retiradas do fluido Cósmico.

2- Fluidos ou energias do médium (ectoplasma) e dos assistentes

3 - Fluidos da natureza - terrestre, nas águas, nas plantas, etc.

Podem materializar-se tanto os Espíritos desencarnados como também os espíritos encarnados.

Temos assim, dois tipos de materialização:

1- Ordem Superior, ou sublimada - quando o Espírito organiza a expressão corpórea material, que a torna visível e tangível.

2- Comum - o Espírito desencarnado une-se ao perispírito do médium, em desdobramento, e ambos são envolvidos em ectoplasma, sob o comando dos operadores espirituais.

A materialização total ou parcial de Espíritos corresponde a uma desmaterialização parcial do médium, conforme demonstrou a experiências de Aksakof. Essa desmaterialização pode ser maior ou menor, podendo chegar até parecer total, o que não ocorre na realidade. A perda de matéria por parte do médium pode decorrer tão somente da emissão de ectoplasma. Os estudos realizados a esse respeito levaram à conclusão de que o ectoplasma provém do citoplasma das células, explicando-se assim, a perda de peso do aparelho mediúnico. A desmaterialização do médium é sempre parcial, nunca podendo ser total.

Após esgotar-se o fenômeno da materialização, os tarefeiros espirituais submetem o instrumento medianímico a complicadas operações magnéticas, através das quais a substância materializante é restituída ao corpo físico, inteiramente purificada. O médium recupera o peso normal quando reabsorve a substância ectoplásmica.

Allan Kardec abordou no Livro dos Espíritos o tema "Emancipação da Alma", de onde podemos tirar as explicações para entender o fenômeno do desdobramento, que é o processo de exteriorização do perispírito. O Espírito utilizando-se do perispírito, deixa o corpo e dirige-se a outros locais sempre ligado ao corpo material pelo cordão fluídico. O desdobramento é um estado de relativa liberdade para os Espíritos encarnados. No desdobramento considerado mediúnico existe a interferência e ajuda do Plano Espiritual Superior, quando o trabalho é feito com responsabilidade. Assim é que Nos Domínios da Mediunidade, de André Luiz e Francisco Candido Xavier, temos o relato sobre o médium Castro que recebe um capacete de antolhos para proteção quando é conduzido ao encontro com o Oliveira.

Bilocação é o fenômeno anímico que consiste na manifestação de um Espírito encarnado, em estado de emancipação (desdobramento, projeção astral ou viagem astral), em lugar diferente daquele em que se encontra seu corpo físico. A presença da alma em local diferente daquele em que se encontra seu invólucro material só é possível mediante prévio desdobramento. A presença da alma desdobrada em lugares diferentes daquele em que se encontra o seu corpo físico só pode ser percebida pelos desencarnados ou por almas igualmente emancipadas do corpo, ou ainda por clarividentes ou médiuns videntes. Neste caso temos dois lugares de manifestações, porém, o corpo fluídico, ou perispírito não adquire tangibilidade. Não houve materialização, mas só a manifestação do perispírito em outro lugar. Apolônio de Tiana em Éfeso, falando em uma reunião, calou-se repentinamente e logo em seguida passou a anunciar o assassinato do Imperador, que nesse momento estava presenciando em Roma e no qual intervinha gritando: morte ao Imperador!

Bicorporeidade é quando a alma em desdobramento adquire visibilidade para as pessoas comuns, em alguns casos tangibilidade. Se durante sua aparição em outros lugares que não aquele em que se encontra o corpo físico, o corpo fluídico, ou perispirito, da pessoa desdobrada adquire tangibilidade e a aparência do corpo material, o fenômeno passa a denominar-se bicorporeidade. Não se trata mais de uma simples aparição, mas do Espírito de uma pessoa viva materializado.

Neste caso temos dois lugares de manifestação, um com o corpo fisico e o outro com o perispirito materializado. Oportuna a observação de Kardec de que dos dois corpos com que o indivíduo se mostra simultaneamente em dois lugares diferentes, um somente é real, o outro é simples aparência. Pode-se dizer que o primeiro tem a vida orgânica e o segundo a vida da alma. Ao despertar o indivíduo, os dois corpos se reúnem e a vida da alma volta ao corpo material. Santo Antonio de Pádua foi visto e ouvido em dois lugares diferentes, com o mesmo corpo (um somático, onde ele estava pregando, o outro perispiritual materializado, defendendo o pai que iria ao suplício, acusado de uma morte, cujo autor foi preso).

Não se deve confundir bicorporeidade com fenômenos que ocorrem com os desencarnados, como as projeções mentais ou de imagens, pelas quais os Espíritos se comunicam ou são vistos em muitos lugares ao mesmo tempo, que é o Dom da Ubiqüidade; ou com os fenômenos dos agêneres que é uma modalidade de aparição tangível, um estado de certos Espíritos, quando temporariamente, revestem as formas de uma pessoa viva, ao ponto de produzirem ilusão completa. LM, 2ª Parte, capo VIII n° 125. Neste caso é um desencarnado materializando-se na forma do corpo de um VIVO.

Transfiguração consiste num ato de efeitos fisicos. É um fenômeno resultante de uma transformação perispiritual, que se produz sobre o próprio corpo vivente, isto é, materialização do próprio corpo espiritual, dando origem a formas belas, radiosas, luminosas, se forem de Espíritos elevados, ou feias, horríveis, se forem de Espíritos inferiores.

Nesse fenômeno ocorre a mudança do aspecto de um corpo vivo, tanto na aparência dos traços fisionômicos, como no olhar, na voz, no peso do corpo, etc.

No Livro dos Médiuns, 2ª Parte, cap. VII, item 122 é mencionado o exemplo de uma moça de 15 anos aproximadamente, transfigurava-se num jovem de 25, corpulento, seu irmão falecido alguns anos antes, assimilando-lhe, além dos traços fisionômicos, o modo de falar, de olhar, a compleição fisica.

A transfiguração de Jesus, no Monte Tabor, é relatada no Evangelho e comentada por Kardec, em A Gênese, cap. XV, Item 43, onde cita Marcos, IX:2-4. "Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, e os levou, sozinhos, para um lugar retirado sobre uma alta montanha. Ali foi transfigurado diante deles. Suas vestes tornaram-se resplandecentes, extremamente brancas, de uma alvura tal como nenhum lavadeiro na terra as poderia alvejar. E lhes apareceram Elias com Moisés, conversando com Jesus".

 

Bibliografia:

 

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Lição 28

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Caps. XLII, XLIII, e XLIV

PIRES, José Herculano. Mediunidade: Cap. IV

BOZZANO, Ernesto. Metapsíquica Humana: Conclusão- Cap. XI

RANIERI, R. A.. Materializações Luminosas

AKASAKOF, Alexandre. Animismo e Espiritismo

KARDEC, Allan. A Gênese: Cap.XV, item 43

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: 23 parte – Cap.VIII n° 125

BIBLIA DE JERUSALÉM. Novo Testamento: Marcos: Cap.IX: 1-9

PUGLIA, Silvia CSC. e CDM: aula 12 - Desdobramento

KARDEC, Allan. Revista Espírita: Dezembro de 1858 (Fenômeno de bicorporeidade)

 

PARTEB

MISTÉRIOS OCULTOS

SÁBIOS E PRUDENTES

 

Por esse tempo, pôs-se Jesus a dizer: "Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e doutores e as revelaste aos pequeninos". (Mt 11:25)

Pode parecer estranho que Jesus renda graças por haver revelado essas coisas aos simples e pequeninos, que são os pobres de espírito, ocultando-as aos sábios e doutores, mais aptos, aparentemente, a compreendê-las. É preciso entender pelos primeiros os humildes, os que se submetem diante da vontade de Deus e não se consideram superiores aos outros; e pelos segundos, os orgulhosos envaidecidos com o seu saber humano, que se julgam sábios, negam a Deus, tratando-o de igual para igual.

Emmanuel, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, no livro "Caminho, Verdade e Vida" esclarece que frequentemente encontramos novos discípulos do Evangelho exultando de contentamento, porque os Espíritos perturbados se lhes sujeitam. Narram com alegria, os resultados de sessões empolgantes, nas quais esclarecem, com êxito, entidades muita vez ignorantes e perversas. Perdem-se muitos no emaranhado desses deslumbramentos e tocam a multiplicar os trabalhos práticos, sequiosos por orientar, em contactos mais diretos, os amigos inconscientes ou infelizes dos planos imediatos da esfera carnal.

Recomendou Jesus o remédio adequado a situações semelhantes, em que os aprendizes, quase sempre interessados em ensinar os outros, esquecem, pouco a pouco, de aprender em proveito próprio.

O Espiritismo, restaurando o Cristianismo, é universidade da alma.

Nesse sentido, vale recordar que Jesus, O Mestre por excelência, nos ensinou, acima de tudo, a viver construindo para o bem e para a verdade, como a dizer-nos que a chama da cabeça não derrama a luz da felicidade sem o óleo do coração. Para cumprir a missão que nos cabe, não são necessários um cargo diretivo, uma tribuna brilhante, um nome importante ou uma fortuna de milhões.

Simples e pequeninos, mas úteis. Os pequeninos são aqueles que, em todos os tempos, procuram, na humildade e na conformação, manter-se em estrita observância das Leis de Deus. Enquanto que os "Sábios e Prudentes", são os eternos recalcitrantes, não se submetem à vontade de Deus, são cheios de si e se acham acima de tudo e de todos. Nos variados setores da experiência humana, encontramos as mais diversas criaturas a buscarem posições de destaque e postos de diretiva. Jesus recomenda que qualquer um que desejar ser o maior, seja esse vosso servo, como o filho do homem que não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em redenção de muitos. Grande maioria toma a aparência do comando como sendo a melhor posição, e raros chegam a identificar, no anonimato da posição humilde, o posto de carreira que conduz a alma aos altiplanos da Criação. A chefia durável pertence aos que se ausentam de si mesmos, buscando os semelhantes para servi-los.

O poder de Deus se revela nas pequenas como nas grandes coisas.

Ele não põe a luz sob o alqueire, mas a derrama por toda a parte; cegos são os que não a vêem. Deus não quer abrir-lhes os olhos à força, pois que eles gostam de os ter fechados. Chegará a sua vez, mas antes é necessário que sintam as angustias das trevas, e reconheçam Deus, e não o acaso, na mão que lhes fere o orgulho. Deus impõe condições, não se submete a elas. Ouve com bondade os que o procuram humildemente, e não os que se julgam mais do que ele. O orgulho é a venda que impede a visão espiritual. Que adianta apresentar a luz a um cego? Seria preciso, primeiro curar a cegueira, e Deus como um hábil médico, trata primeiro a ferida chamada orgulho. Não abandona os filhos desgarrados, pois sabe que, cedo ou tarde, seus olhos se abrirão; mas quer que o façam de vontade própria. E então, vencidos pelos tormentos da incredulidade, atirar-se-ão por si mesmo em seus braços, e como o filho pródigo lhe pedirão perdão.

A humildade é o escudo dos verdadeiros heróis, tem sido a coroa dos mártires, o sinal dos santos e a característica dos sábios.

Com a humildade o homem adquire grandeza interior, e considerando a majestade da Criação, como membro atuante da vida, que é, eleva-se e assim, eleva a humanidade inteira. No diálogo entre Jesus e Pilatos, esteve ela presente no silêncio do Amigo Divino e ausente no enganado representante de César.

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. VII - itens 7 a 10

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Caminho, Verdade e Vida: item 145

FRANCO, Divaldo Pereira (Espírito Joana de Angelis). Convites da Vida: Item 28

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Livro da Esperança: Itens 16 e 17

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). O Espírito da Verdade: Lição 65

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Novo Testamento (Mateus 11:25)

 

Questões para reflexão:

 

1) Descreva com suas palavras, o fenômeno da bicorporeidade e o da transfiguração.

2) Faça a diferença entre bicorporeidade e bilocação.

3) Explique o significado das palavras: "sábios e doutores, simples e pequeninos" na linguagem de Jesus.

4) Analise a afirmação: "O orgulho é a venda que impede a visão espiritual".

 

12ª AULA

PARTE A

DO "MODUS OPERANDI"

DOS ESPÍRITOS

 

  • ·         O Processo das Comunicações
  • ·         Os Aparelhos Mediúnicos
  • ·         A Ideoplasticidade do Pensamento
  • ·         A Psicometria

 

O "modus operandi" das entidades que se comunicam, nos ambientes terrestres, tem a sua base no magnetismo universal, dentro do qual todos os seres e mundos gravitam para a perfeição suprema; e incalculável é a extensão do papel que a sugestão e a telepatia representam nos fenômenos mediúnicos.

O processo das comunicações entre os planos visível e invisível verifica-se, quase que invariavelmente, dentro de teledinamismo poderoso, que estamos longe ainda de apreciar nas nossas condições de Espíritos encarnados. Entidades sábias e benevolentes, que já se desvencilharam totalmente dos envoltórios terrenos, assim o desejando, vencem distâncias imensas, a fim de que os seus elevados ensinamentos sejam ministrados, desde que hajam cérebros possuídos de capacidade receptiva e que não lhes ofereça obstáculos insuperáveis.

As pesquisas de Allan Kardec e de outros experimentadores, partiram da observação do fenômeno das mesas girantes, que constituía - como já sabemos - manifestação de ordem física. E, como raciocina o próprio Kardec, se os fenômenos então observados tivessem ficado restritos ao movimento dos objetos, teriam permanecido no domínio das ciências físicas. Até aí, tudo poderia parecer fruto do acaso.

Mas em seguida, passaram a ser dadas respostas mais desenvolvidas, com o auxílio das letras do alfabeto. Esse fato, repetido à vontade por milhares de pessoas e em todos os países não podia deixar dúvida sobre a natureza inteligente das manifestações. O processo de comunicação com os Espíritos então era muito lento e incômodo. Foram os próprios Espíritos que sugeriram outros meios, que deram origem às comunicações escritas.

O Espírito que se quer comunicar compreende, sem dúvida, todas as línguas, pois, que as línguas são a expressão do pensamento e é pelo pensamento que o Espírito tem a compreensão de tudo; mas, para exprimir esse pensamento, torna-se necessário um instrumento, que é o médium (do latim médium).

Há alguns pontos importantes para a comunicação dada espontaneamente por um Espírito superior, que definem a questão do papel do médium nas comunicações. Qualquer que seja a natureza do médium, não varia essencialmente o processo de comunicação. Para que uma comunicação se torne mais fácil, os Espíritos dão preferência ao médium que tenha o cérebro povoado de conhecimentos adquiridos na sua encarnação atual e o seu Espírito rico de conhecimentos latentes, obtidos em encarnações anteriores. O Espírito comunicante deve encontrar no cérebro do médium os elementos adequados a dar vestidura às palavras que deseja transmitir. Com médiuns poucos adiantados, a comunicação se torna mais longa e penosa, porque os Espíritos se veem forçados a lançar mão de recursos mais complexos.

Ignoramos, na Terra, a maravilhosa ideoplasticidade do pensamento.

Conhecendo a plenitude de suas faculdades, após haver triunfado em muitas experiências que lhes asseguram elevada posição espiritual, senhores de grandes poderes psíquicos, conquistados com a fé e com a virtude incorruptíveis, os Espíritos superiores possuem uma vontade potente e criadora de todas as formas e beleza. Às vezes, apresentam ao vidente grandiosas cenas da história do planeta, multidões luminosas, legiões de almas, quadros esses que, na maioria das vezes, constituem os pensamentos materializados das mentes envolvidas que os arquitetam, e que atuam sobre os centros visuais dos sensitivos, objetivando o progresso geral. A evolução, sob todos os seus aspectos, deve ser procurada com afinco, pois é dentro dessa aspiração que vemos a verdade da afirmação de Jesus - "A quem mais tiver, mais será dado". À medida que progredimos moralmente, mais se aperfeiçoará o processo da nossa comunhão com os planos invisíveis superiores.

A comunicação dos Espíritos também tem acompanhado o desenvolvimento do homem, e vem se aperfeiçoando através do tempo, à medida que vamos nos desenvolvendo e nos tornando aptos a usar da ciência e da tecnologia que, no plano espiritual, já existem, sempre lembrando que o "modus operandi" tem a sua base no Fluido Universal.

No princípio os Espíritos utilizaram as pranchetas, as mesas girantes, a tiptologia. Depois chegou a vez das comunicações mais aprimoradas, utilizando-se como intermediário uma pessoa encarnada, o médium, ponte de ligação entre o mundo espiritual e o mundo material.

A comunicação pelo pensamento é o próximo passo.

O pensamento é força, capaz até de ser fotografado, e a telepatia já é usada com sucesso por algumas pessoas. No plano espiritual o pensamento é a linguagem comum entre os Espíritos. O Espírito André Luiz nos mostra que, em Nosso lar, os Espíritos utilizam a ideoplastia para mentalizar e criar suas moradas lá. É a força do pensamento que molda, que idealiza, que realiza. Assim como o homem encarnado progrediu e alcançou níveis tecnológicos maravilhosos, permitindo o uso da eletrônica e dos modernos aparelhos na solução de seus problemas, na cura, nas modernas cirurgias etc. os Espíritos, por estarem no plano espiritual, tem condições que ainda não conhecemos de fazer o intercâmbio com o mundo material.

Assim como os homens nos dias de hoje não podem deixar de acompanhar o vertiginoso progresso e a comunicação instantânea entre todos os povos pela Internet, sob pena de ficar à margem e perder o bonde da história, também os Espíritos agora podem utilizar os imensos recursos de que são possuidores e que não utilizavam antes por nos faltar estrutura para acompanhá-los. Dia virá que não haverá necessidade de aparelho algum para que os Espíritos, encarnados ou desencarnados, se comuniquem. Todos se comunicarão de modo direto, pelo pensamento, através do Fluido Universal, como o som se propaga através do ar.

A psicometria é uma faculdade anímica, mas também mediúnica. Faculdade pela qual o médium, tocando determinados objetos, entra em relação com pessoas e fatos aos mesmos ligados. Essa percepção se verifica em vista de tais objetos se acharem impregnados da influência pessoal do seu possuidor.

O Espírito André Luiz oferece-nos um conceito bem simples: "Faculdade de perceber o lado oculto do ambiente e de ler impressões e lembranças, ao contato de objetos e documentos, nos domínios da sensação à distância." (Nos Domínios da Mediunidade – Cap. 26).

"Toda pessoa, ao penetrar num recinto, deixa aí um pouco de si mesma, da sua personalidade, dos seus sentimentos, das suas virtudes, dos seus defeitos. Quando tocamos um objeto, imantamo-lo com um fluido que nos é peculiar" nos diz Hermínio C. Miranda, em "Estudando a Mediunidade", cap. 39. O volume de energias fluídicas que sobre o mesmo projetamos é de tal maneira acentuado que a nossa própria mente ali ficará impressa. Em qualquer tempo e lugar, a nossa vida, com méritos e deméritos, fica gravada no fluido universal que é a base do “modus operandi” das comunicações e assim, poderá ser desvendada através da psicometria, revelando o passado, conhecendo o presente e desvendando o futuro.

 

Bibliografia:

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Emmanuel- Cap. XXIX.

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: Cap. XIX – nº 225

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Cap. 5 e 26

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap. XXXIX

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Emmanuel, Cap. XXIX

 

PARTE B

DENTRE OS OBREIROS

IMPERFEITOS, MAS ÚTEIS

 

“... e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado." - Jesus- (Lucas, 14:11).

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. VII, item 6 temos o ensinamento: que será maior no reino dos Céus aquele que se humilhar e se fizer pequeno como uma criança, isto é, que nenhuma pretensão alimentar à superioridade ou à infabilidade.

O Espírito Emmanuel, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier esclarece-nos que não podemos desejar aparente grandeza para sermos úteis. Ninguém existe por acaso. Buscando entender os mandatos de trabalho que nos competem, orienta-nos o mentor espiritual a estudarmos algumas lições da natureza, dentre elas citamos alguns itens:

A usina poderosa ilumina qualquer lugar, à longa distância, contudo, para isso, não age por si só. Usa transformadores de um circuito a outro, alterando, em geral, a tensão e a intensidade das correntes. Os transformadores requisitam fios de condução. Os fios recorrem à tomada de força. Para que a luz se faça, é indispensável a presença da lâmpada, que se forma de componentes diversos. O rio de muito longe, fornece água limpa à atividade caseira, mas não se projeta, desordenado, a serviço das criaturas. Cede os próprios recursos à rede de encanamento. A rede pede tubos de formação variada. Os tubos exigem a torneira de controle. Para que o líquido se mostre purificado, requere-se o concurso do filtro.

No dicionário das Leis Divinas, as nossas tarefas têm sinônimo de dever. Por isso, precisamos atender à obrigação para que fomos chamados no clima do bem. Não podemos dizer que somos inúteis, nem achar que somos incompetentes, porque ninguém é inútil.

"Busca e acharás" - prometeu nosso divino Mestre. Entretanto, em todos os lugares encontramos pessoas que se dizem inúteis ou que acreditam que são demasiadas inferiores, e que, por isso, se declaram inabilitadas a servir. A construção do bem comum é obra de todos. Todos nós necessitamos trabalhar no sentido de aprender e construir, auxiliando os companheiros esclarecidos para que se tornem cada vez mais fiéis à execução dos compromissos nobilitantes que abraçaram. Todos nós, Espíritos em evolução no planeta, somos ainda imperfeitos, porém, isso não quer dizer que não podemos ser úteis. Somos chamados a contribuir no bem geral, embora não possamos alardear virtudes que não temos e nem fantasiar talentos que estamos longe de conquistar. Podemos ser: imperfeitos, mas úteis. Muitos colaboradores no campo do bem se diferenciam uns dos outros por estarem em faixas diversas da evolução humana. Encontramos aqueles que começam uma tarefa com grande entusiasmo, porém, logo em seguida a abandonam no início, com receio do sacrifício. Outros se afastam diante do esforço que devem fazer na semeadura da semente ou pelo peso das obrigações que exige uma determinada obrigação.

O obreiro digno do salário da felicidade e da paz, nos erários da vida imortal, será sempre aquele que caminha para frente com a obra no pensamento e no coração, em pleno esquecimento de si mesmo, trabalhando e servindo, compreendendo e auxiliando, amando e construindo, a serviço do bem de todos, até o fim.

Jesus no Evangelho de João, 6:27, recomenda-nos trabalhar não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, e Joanna De Ângelis, através da psicografia de Divaldo Pereira Franco, diz que apesar do apelo de Jesus ser claro e objetivo, na hora do desespero, exclamamos: demais". Diante do sofrimento, dizemos: "Não suporto mais". Vitimados pela incompreensão deduzimos que ninguém nos compreende. Dominados pelo cansaço proferimos: "Irei parar por aqui", Na hora da ingratidão, desabafamos: "Nunca mais".

Entretanto, o trabalho é sempre veículo de renovação, processo dignificante, em cujo exercício a criatura se eleva, elevando a humanidade com ela. Por isso, sejam quais forem as nossas possibilidades sociais ou econômicas, trabalhemos! Trabalhando estaremos menos vulneráveis à agressão dos males ou à leviandade dos maus. O trabalho é mensagem de vida, colocando-nos na direção da construção da felicidade que tanto perseguimos. Portanto, sem desfalecimentos! Imperfeitos mas úteis.

 

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. XX – itens 4 e 5

FRANCO, Divaldo Pereira (Espírito Joana de Angelis). Convites da Vida: item 57

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Roteiro: itens 28 e 33.

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Segue-me: Lição – Na Seara Mediúnica

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Livro da Esperança: item 16

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Rumo Certo: Lições 33 e 28

 

Questões para reflexão:

1) Explique a seu modo o processo das comunicações.

2) Descreva o mecanismo da psicometria.

3) Explique os ensinamentos de Emmanuel contidos no 2° parágrafo dessa lição. (Parte B)

4) Analise a recomendação de Jesus em João 6:27, e compare com os ensinamentos da Doutrina Espírita com relação ao progresso da Humanidade.

 

13ª AULA

PARTE A

INTERROGAR OS ESPÍRITOS

 

As ocorrências e fatos relacionados às revelações dos Espíritos ou fenômenos mediúnicos remontam à época denominada Antigüidade, sendo tão antigo quanto o nosso Planeta.

A História da humanidade está repleta desses fenômenos de intercomunicação espiritual, entre os Espíritos encarnados e os desencarnados.

Os fenômenos mediúnicos não são recentes, pois fatos históricos mostram registros de manifestações entre os povos mais antigos.

A relação entre os mundos, material e espiritual, está registrada em todas as épocas da humanidade.

As revelações dos Espíritos sempre existiram tanto no Ocidente quanto no Oriente, como se observa pelos relatos do Código dos Vedas, o mais antigo código religioso que se tem notícia.

Os Espíritos são atraídos pela simpatia, a semelhança dos gostos e de caracteres, a intenção que faz desejar a sua presença. Os Espíritos superiores não vão às reuniões fúteis, do mesmo modo que um sábio da Terra não iria numa assembléia de jovens estouvados. O simples bom senso diz que não pode ser de outra forma; ou, se aí vão algumas vezes, é para dar um conselho salutar, combater os vícios, procurar conduzir para o bom caminho; se não são escutados, retiram-se. Seria ter uma idéia completamente falsa, crer que os Espíritos sérios possam se comprazer em responder a futilidades, a perguntas ociosas que não provam nem afeição, nem respeito por eles, nem desejo real, nem de instrução, e ainda menos que possam vir dar espetáculo para divertimento dos curiosos. O que não faziam quando vivos, não podem fazê-lo depois da sua morte.

Repelir as comunicações de além-túmulo é repudiar o meio mais poderoso de instruir-se, já pela iniciação nos conhecimentos da vida futura, já pelos exemplos que tais comunicações nos fornecem. A experiência nos ensina, além disso, o bem que podemos fazer, desviando do mal os Espíritos imperfeitos, ajudando os que sofrem a desprenderem-se da matéria e a se aperfeiçoarem. Interdizer as comunicações é, portanto, privar as almas sofredoras da assistência que lhes podemos e devemos dispensar.

Quando a interrogação é feita com recolhimento e religiosamente; quando os Espíritos são chamados, não por curiosidade, mas por um sentimento de afeição e simpatia, com desejo sincero de instrução e progresso, não vemos nada de irreverente em apelar-se para as pessoas mortas, como se fizera com os vivos. Há, contudo, outra resposta peremptória a essa objeção, é que os Espíritos se apresentam espontaneamente, sem constrangimento, muitas vezes mesmo sem que sejam chamados.

Nunca será excessiva a importância que se dê à maneira de formular as perguntas e, ainda mais, à natureza das perguntas. Duas coisas se devem considerar nas que se dirigem aos Espíritos: a forma e o fundo. Quanto à forma; devem ser redigi das com clareza e precisão, evitando as questões complexas. Mas, outro ponto há não menos importante: a ordem que deve presidir à disposição das perguntas. Quando um assunto reclama uma série delas, é essencial que se encadeiem com método, de modo a decorrerem naturalmente umas das outras.

Os Espíritos, nesse caso, respondem muito mais facilmente e mais claramente, do que quando elas se sucedem ao acaso, passando, sem transição, de um assunto para outro. Esta a razão por que é sempre muito conveniente prepará-las de antemão: salvo o direito de, durante a sessão, intercalar as que as circunstâncias tornem necessárias.

Além de que a redação será melhor, quando feita prévia e descansadamente, esse trabalho preparatório constitui, como já o dissemos, uma espécie de evocação antecipada, a que pode o Espírito ter assistido e que o dispõe a responder. É de notar-se que muito freqüentemente o Espírito responde por antecipação a algumas perguntas, o que prova que já as conhecia. O fundo da questão exige atenção ainda mais séria, porquanto é, muitas vezes, a natureza da pergunta que provoca uma resposta exata ou falsa. Algumas há a que os Espíritos não podem ou não devem responder, por motivos que desconhecemos. Será, pois, inútil insistir. Porém, o que, sobretudo se deve evitar são as perguntas feitas com o fim de lhes provar a perspicácia. Imaginai um homem sério, ocupado em coisas úteis e importantes, incessantemente importunado pelas perguntas pueris de uma criança, e tereis a idéia do que devem pensar os Espíritos superiores, de todas as futilidades que se lhes perguntam.

Não se segue daí que dos Espíritos não se possam obter úteis esclarecimentos e, sobretudo, bons conselhos; eles, porém, respondem mais ou menos bem, conforme os conhecimentos que possuem e o interesse que nos têm a afeição que nos dedicam e, finalmente, o fim a que nos propomos e a utilidade que vejam no que lhes pedimos. Se, entretanto, os inquirimos unicamente porque os julgamos mais capazes do que outros de nos esclarecerem melhor sobre as coisas deste mundo, claro é, que não nos poderão dispensar grande simpatia.

Pensa algumas pessoas ser preferível que todos se abstenham de formular perguntas e que convém esperar o ensino dos Espíritos sem o provocar. É um erro. Os Espíritos dão, não há dúvida, instruções espontâneas de alto alcance e que errôneo seria desprezar-se. Mas, explicações há que freqüentemente se teriam de esperar longo tempo, se não fossem solicitadas. As questões, longe de terem qualquer inconveniente, são de grandíssima utilidade, do ponto de vista da instrução, quando quem as propõe sabe encerrá-las nos devidos limites.

Têm ainda outra vantagem: a de concorrerem para o desmascaramento dos Espíritos mistificadores que, mais pretensiosos do que sábios, raramente suportam a prova das perguntas feitas com cerrada lógica, por meio das quais o interrogante os leva aos seus últimos redutos. Os Espíritos superiores, como nada têm que temer de semelhante questionário, são os primeiros a provocar explicações, sobre os pontos obscuros. Os outros, ao contrário, receando ter que se haver com antagonistas mais fortes, cuidadosamente as evitam.

 

Bibliografia

 

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: Cap. XXVI - n° 286 a 291

KARDEC, Allan. Revista Espírita: Abril de 1864

KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno: 1a parte – Cap. XI - itens 10 e 15

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Religião dos Espíritos: Ante os falsos profetas

 

PARTE B

OS FALSOS PROFETAS

 

João, O evangelista, nos ensina em sua Primeira Epístola, no capítulo 4, versículo 1: "Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo afora".

Também temos em Jeremias (Cap.23, versículo 16): "Isto diz o Senhor dos Exércitos: Não deis ouvidos às palavras dos profetas que entre vós profetizam e vos enchem de vãs esperanças; falam as visões do seu coração, não o que vem da boca do Senhor".

Explica-nos Kardec, em "Obras póstumas" que os chamados médiuns proféticos, em tão grande número na Antiguidade, constituem uma variedade da mediunidade de inspiração. Porém, "o dom da profecia (...) é excepcional e implica uma missão na Terra" e que "se há verdadeiros profetas, maior é o número dos falsos, que tomam os devaneios da sua imaginação como revelações, quando não são velhacos que por ambição se fazem passar como profetas".

E se há tão grande número de encarnados dispostos a enganar os mais crédulos, o de desencarnados é ainda mais extenso.

"Os Espíritos são as almas dos homens, e como os homens não são perfeitos, há também Espíritos imperfeitos (...). É incontestável que há Espíritos maus, astuciosos, profundamente hipócritas, contra os quais devemos nos prevenir", diz Kardec em "O Livro dos Médiuns" (Questão 46).

Uma característica comum a Espíritos dessa ordem é o desejo de cativar discípulos incautos entre os desencarnados, para levar suas teorias absurdas e espalhar a desunião entre os grupos, pregando o isolamento.

Frequentemente apresentam-se espontaneamente, tomando, muitas vezes, nomes respeitáveis e conhecidos, impondo regras e idéias errôneas. Devemos desconfiar de tudo que nos inflame o orgulho e de comunicações que tendam ao misticismo, extravagantes, que ditem cerimônias e práticas estranhas ao caráter antidogmático espírita.

Então, o que devemos fazer para ficar imunes ao seu assédio? A recomendação áurea de Kardec: passar toda e qualquer comunicação sob o crivo da razão e do bom senso.

Antes de aceitarmos uma informação nova como autêntica, devemos proceder como Kardec o fez ao codificar a doutrina: o do controle universal do ensino dos Espíritos. Todas as vezes que uma revelação deve chegar aos homens, ela vem para um grande número de pessoas, com prudência, no tempo correto. Nunca é resultado de uma teoria pessoal, pois um só indivíduo não pode ter a presunção de se auto-intitular como dono da verdade.

"Não será pela opinião de um homem que se produzirá a união, mas pela unanimidade da voz dos Espíritos (...). A opinião universal, eis, portanto, o juiz supremo, aquele que pronuncia em última instância. Ela se forma de todas as opiniões individuais".

Os Espíritos sábios sempre preferem se comunicar por médiuns sérios, estudiosos, empenhados em se melhorar a cada dia. Os mistificadores, ao contrário, preferem médiuns levianos, que se deixam fascinar por elogios ou que buscam tirar proveito de sua faculdade. Além disso, buscam meios onde se encontram pessoas frívolas, movidas mais pela curiosidade que pelo desejo de instrução e melhoria.

Devemos lembrar, ainda, que os Espíritos inferiores apenas exploram o que há de imperfeito em nós.

Diz Emmanuel: "Todos somos induzidos ao erro, na pauta de nossa própria estultícia. Dominados de orgulho, cremos naqueles que nos incitam à vaidade e, sedentos de posse, assimilamos as sugestões infelizes de quantos se proponham explorar-nos a insensatez e a cobiça".

Separar o joio do trigo, o certo do errado, o absurdo da razão, a fé humana, movida pelas paixões e pelo material da divina, eterna e perfeita, eis aquilo que se espera do homem precavido, que tem Jesus por modelo. Só assim saberemos distinguir o verdadeiro profeta e "podemos reconhecê-lo por suas palavras e por suas ações. Deus não se serve da boca do mentiroso para ensinar a verdade" ("O Livro dos Espíritos" - Questão 624).

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap.XXI - Itens 10 e 11 e Introdução - item II

KARDEC, Allan. Obras póstumas: Manifestações dos Espíritos – Questão 6 - item 49

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Religião dos Espíritos: Ante os falsos profetas

 

Questões para reflexão:

 

1) Explique por quê não se devem repelir as comunicações de além túmulo.

2) Comente a importância de interrogar os Espíritos.

3) Comente sobre os falsos profetas.

4) Analise a afirmação de Emmanuel: "Todos somos induzidos ao erro, na pauta de nossa própria estultícia".

 

 

 

14ª AULA

PARTE A

PERDA E SUSPENSÃO DA MEDIUNIDADE

MÉDIUNS IMPERFEITOS

 

A experiência demonstra que os médiuns podem perder a faculdade que possuem, o que, no entanto, não é tão frequente. O mais comum é apenas uma suspensão, uma interrupção passageira da mediunidade, quer nas manifestações fisicas ou intelectuais, qualquer que seja o gênero da faculdade. A causa da perda da mediunidade não está no esgotamento do fluido, mas, porque os Espíritos se afastam do médium por não querem mais servir-se dele.

Os Espíritos disseram a Kardec que o dom da mediunidade, não é concedido ao médium para o seu deleite e, ainda menos, para a satisfação de suas ambições, mas com a finalidade da sua melhora espiritual e para dar a conhecer aos homens a verdade. Se o Espírito verifica que o médium já não corresponde às suas visitas e já não aproveita das instruções nem dos conselhos que lhe dá, afasta-se, em busca de um médium mais digno.

As principais causas que podem causar o abandono de um médium, por parte dos Espíritos são as seguintes:

1- Quando se usa para coisas frívolas, ou com propósitos ambiciosos;

2- Quando se nega a transmitir as comunicações ou os fatos transmitidos pelos Espíritos;

3- Outras vezes, a suspensão ocorre para proporcionar repouso material ao médium que dele necessite, caso em que não é permitido a outros Espíritos substituir o Protetor;

4- Noutras ocasiões, serve para lhe pôr a paciência à prova e para lhe experimentar a perseverança, dando-lhe tempo de meditar sobre as instruções recebidas.

A suspensão da mediunidade funciona mais como uma advertência do que uma punição ao médium. A suspensão da faculdade não implica o afastamento dos Espíritos que habitualmente se comunicam.

O médium se encontra então na situação de uma pessoa que perde temporariamente a vista, a qual, por isso, não deixaria de estar rodeada de seus amigos, embora na impossibilidade de os ver. Por isso, a interrupção da faculdade mediúnica nem sempre traduz uma censura por parte do Espírito, pois que pode ser uma prova de benevolência.

Para saber se o fato se trata de uma censura, aconselham os Espíritos, deve o médium interrogar a sua própria consciência e inquirir a si mesmo qual o uso que tem feito da sua faculdade, qual o bem que dela tem resultado para os outros, que proveito há tirado dos conselhos que se lhe têm dado e assim terá a resposta na própria consciência. Não se recomenda ao médium que ficou impossibilitado da faculdade mediúnica recorrer a outro médium, muitas das vezes nada de satisfatório se consegue, pois depende da vontade do Espírito, cumpre então abster-se de insistir e de impacientar-se, se não quiser ser vítima de Espíritos enganadores, que responderão, no caso de procurar-se uma resposta forçada. Os Bons Espíritos permitem que isso aconteça para punirem aqueles que insistem.

O meio de abreviar a prova da suspensão da mediunidade, segundo os ensinamentos dos Espíritos, consiste na resignação e na prece.

Devem os médiuns lembrar-se sempre de que o dom da mediunidade é uma missão e como tal deve-se usá-lo santamente, religiosamente. O desempenho eficaz das faculdades mediúnicas torna os médiuns mais felizes, porque a mediunidade bem conduzida é um caminho para a felicidade. Porém, aqueles médiuns que rejeitam o dom concedido por Deus, ou ainda, desviam as suas faculdades para coisas inferiores, são médiuns imperfeitos; desconhecem o valor da graça que lhes é concedida. A faculdade lhes foi outorgada porque precisam dela para se melhorarem, para ficarem em condições de receber bons ensinamentos. Se não aproveitam da concessão, sofrerão as consequências.

Jesus ensinou que os sãos não precisam de médicos e sim os doentes. Os médiuns imperfeitos são os doentes da alma, que por negligência ou outros interesses rejeitam o remédio divino. O doente que não aceita o remédio, é o primeiro a trabalhar contra sua própria segurança.

Aquele que não possua o dom da mediunidade poderá aperfeiçoar-se recorrendo aos livros, ao estudo, ao Evangelho, porquanto para praticar a moral de Jesus, não é preciso que o cristão tenha ouvido as palavras ao lhe saírem da boca.

O Apóstolo Paulo, em I Coríntios: 12:4 diz que "há diversidades de dons, mas um mesmo é o Espírito; há diversidades de ministérios, e um mesmo é o Senhor."

Joanna D' Angelis através de Divaldo P. Franco, comenta que há médiuns e mediunidades. Mediunidades todos nós possuímos. Aprimorá-las ou descurá-las, relegando-as a plano secundário, é responsabilidade que cada um exerce mediante o próprio livre arbítrio. Todos nós estamos interligados, em ministério mediúnico ativo, incessante, graças aos múltiplos dons de que nos achamos investidos.

Vinculados espírito a espírito pelo impositivo da evolução, desde que constituímos famílias que formam a grande família universal, sintonizamo-nos reciprocamente pelas afinidades e aptidões, ideais e desejos num intercâmbio imenso de que somente o amor consegue os objetivos elevados, libertadores. Assim sendo, é preciso refletir nas possibilidades mediúnicas que se possui e elevar-se pelo exercício das ações nobilitantes, de modo a desenvolver os recursos positivos na realização do bem a que o Senhor a todos convoca. Necessário assim, acender a lâmpada do auxílio fraterno no coração, a fim de que a caridade possa inspirar os médiuns da esperança entre os que aspiram a um Mundo renovado e feliz para o futuro.

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: Cap. XVI n° 196 e Cap. XVII - n° 220

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Cap. 14 e 27

FRANCO, Divaldo Pereira (Espírito Joana de Angelis). Livro Convites da Vida: item 30

 

PARTE B

DEUS, JUSTIÇA E EVOLUÇÃO

 

A justiça de Deus tem por finalidade a evolução da criatura. É a expressão de sua misericórdia. Aquilo que vemos não começou a ser tal como se nos apresenta na atualidade. A idéia surge no cérebro de um e a obra perfeita é a resultante do concurso e da cooperação de muitos, através das gerações. A imprensa moderna, em nada se parece com a de Gutenberg. As ciências; as artes, em suas várias modalidades; a política; a religião e todas as demais manifestações da atividade do pensamento humano têm sofrido através de todos os tempos a influência benfazeja da evolução.

Se a imprensa de Gutenberg, em sua forma primitiva passou como passam as sombras e hoje vive em moldes mais aperfeiçoados, da mesma forma, o homem de outrora vive no homem de hoje; e como Espírito imortal atingirá através da evolução a condição de Espírito Puro. Para frente e para o alto, tal é o dístico inscrito em cada átomo do Universo. O resultado de melhoramentos acumulados de geração em geração, como também o princípio imortal, que anima a matéria, transmigra, levando consigo, numa ascensão contínua e plena pela senda da eternidade, os aperfeiçoamentos e progressos conquistados. A evolução é um fato que se impõem, e em tudo se verifica. Os homens e os animais de hoje são bastante diferentes dos homens e animais de outrora.

Muitas espécies de animais da antiguidade desapareceram do cenário terreno, existindo apenas alguns exemplares nos museus ou através de vestígios fósseis.

No passado longínquo, o Politeísmo grassava em quase todas as nações do mundo. Os deuses constituíam o centro de adoração de todos. Hoje, o Monoteísmo é consagrado em quase todas as nações da Terra. Deus é a imagem central de todas as religiões. Nas épocas imemoriais, faziam-se sacrifícios aos deuses, de crianças e animais. Atualmente, essa prática é considerada abominável, horripilante. No passado ainda recente, o povo e até a religião majoritária acreditavam, através do sistema geocêntrico, que o mundo era imensa planície, e o Sol girava em tomo da Terra. Após a descoberta de Galileu, foi universalmente aceito o sistema heliocêntrico, concebendo-se que a Terra e outros Planetas são imensos globos, girando em tomo do sol. Há alguns séculos, os chamados hereges eram queimados em praças públicas, e as religiões acreditavam que assim procedendo, prestavam um serviço a Deus. Na atualidade, a simples lembrança desses episódios é considerada aterrorizante, aos olhos de todos os homens, e um ultraje às sábias leis do Criador.

A criação é uma cadeia infinita, cujos elos se entrelaçam num perene movimento ascensional. Desde o átomo até ao Arcanjo tudo se encadeia. Não é dado ao homem ter uma visão mais ampla e palpável desse entrelaçamento gradual e progressivo dos Espíritos, porque o minúsculo Planeta onde habitamos não representa mais do que uma diminuta fração do Universo incomensurável. Para onde quer que voltemos nossos olhos, verificamos que tudo evoluiu e continua a evoluir na Terra; por isso, acreditando na evolução, acreditamos na justiça divina, e, acreditando na justiça divina, forçosamente acreditamos em Deus, Criador do Universo e da Vida, fonte geratriz de todas as coisas.

Sendo Deus a causa primária de todas as coisas, a origem de tudo o que existe, é a base sobre a qual repousa o edifício da Criação.

Essa é a questão crucial que o homem deve considerar antes de tudo, principalmente quando pretende analisar as coisas pertinentes à constante evolução de tudo o que é criado por Deus. Seria um grande erro e um atentado contra a Justiça Divina, se os Espíritos criados por Deus tivessem que permanecer eternamente jungidos ao estado e às condições em que conhecemos no momento atual. Que significado teria a evolução, se os Espíritos inferiores não evoluíssem para as etapas superiores?

A escada que o patriarca Jacó viu em sonho, quando a caminho da Mesopotâmia, é a mais insofismável e fiel imagem da evolução. Por essa escada, cujas extremidades se apoiavam, respectivamente, uma na terra e outra no Céu, subiam e desciam os Espíritos. A escada, com seus numerosos, incontáveis degraus, representa a alegoria perfeita das várias etapas do progresso que os Espíritos vão galgando, a fim de atingirem os planos superiores.

Por isso, dois postulados refulgem na constelação da fé espírita: evolução e reencarnação. A Doutrina das existências sucessivas é um fato que se impõe. Sem ela, como explicar os fenômenos da evolução? A reencarnação, postulado espírita, é a palingenesia de Pitágoras: negá-la é negar a evolução, é negar o senso da vida.

Emmanuel, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier esclarece-nos que em nome da Eterna Sabedoria, o homem é o Senhor da evolução na Terra. Todos os reinos do planeta rendem-lhe vassalagem.

Claramente, nós os Espíritos em aperfeiçoamento, no aperfeiçoamento terrestre, conseguimos alterar ou manobrar as energias e os seres inferiores do orbe a que transitoriamente, nos ajustamos, e do qual nos é possível catalogar os impérios da luz infinita, estudantes no Universo. A face disso, não obstante sustentados pelo Apoio Divino, nas lides educativas que nos são necessárias, o aprimoramento moral corre por nossa conta.

O professor ensina, mas o aluno deve realizar-se.

Os Espíritos superiores nos amparam e esclarecem, no entanto, é disposição da Lei que cada consciência responda pelo próprio destino. Meditemos nisso, valorizando as oportunidades em nossas mãos.

Por muito alta seja a quota de trabalho corretivo que trazemos dos compromissos assumidos em outras reencarnações, possuímos determinadas sobras de tempo e, com o tempo de que dispomos, basta que usemos sabiamente a vontade, que tantas vezes manejamos para agravar nossas dores, a fim de consagrarmos ao serviço do bem e ao estudo iluminativo.

 

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos: Pergs - 667 a 673 e 776 a 802

VINICIUS. Em Torno do Mestre: Lição (Deus, Justiça e Evolução)

VINICIUS. Nas Pegadas do Mestre: Lição (Evolucionismo)

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Livro da Esperança: item 06

 

Questões para reflexão:

 

1) Faça a diferença entre perda e suspensão da mediunidade e explique o porquê desses acontecimentos.

2) Explique os procedimentos que devem ser tomados para com o médium que sofre a perda ou a suspensão da mediunidade.

3) Com base nos ensinamentos da “Parte B” faça um breve relato sobre a diferença dos homens e animais de hoje com os homens e animais de outrora à Luz do Espiritismo.

4) De acordo com o conteúdo da lição: Deus, Justiça e evolução, explique o significado da afirmação: Desde o átomo até o Arcanjo tudo se encadeia.

 

 

15ª AULA

PARTE A

RELAÇÕES MEDIÚNICAS

 

O fenômeno mediúnico não é conseqüência de um instante solitário do médium. É ato bilateral, de conjugação de duas inteligências que se envolvem em fusão fluídica, simultaneamente alterando o psiquismo do médium encarnado e do ente comunicante. Que se opera pela ligação dos centros de força, experimentando o espírito as sensações da vida na carne, enquanto a alma-médium, a leveza do comunicante, se desenvolvido, ou a sua bruteza, se perturbado. É a "síntese afetiva em que os dois planos da vida revelam o segredo da morte", diz Herculano Pires.

Não se há esquecer a seu turno, que o mesmo ocorre nas comunicações de espíritos de diferentes esferas, no âmbito espiritual, ressalvadas circunstâncias não reveladas.

Por sua vez, lembrem-se, os médiuns não estão sós no mundo. O mundo é tudo quanto lhes cerque, lhes circunde. É a sua circunstância. Quer fisica, visível, material, quer extrafisica, invisível, espiritual. Não sem razão a isso alude o Apóstolo Paulo. Como as demais pessoas, hão de comunicar-se com as outras que estão no mundo e vivem a vida de relação. Assim, o médium, por necessidade orgânica e social deverá estar em relação constante com os outros, para não frustrar, ou arrefecer o seu mediunato. Pois insulado se permite o desgosto de não se acostumar com os embates que a existência proporciona, de radical importância para o seu próprio desenvolvimento.

 

Do acervo de relações do homem-médium com o seu mundo existencial, sobressaem às relações:

1) com as instituições espíritas;

2) com os médiuns; e,

3) com o público em geral.

 

Não raro o trato do médium com os centros espíritas, engendra decepções resultantes, ora da má formação cultural dos dirigentes, dos seus despreparos doutrinais, ora do seu envolvimento num clima de infalibilidade e de poder absoluto.

Uma e outros inspiram a desconfiança e o ciúme, chagas que molestam a serenidade e o equilíbrio individual bem como da comunidade.

Quando deveria conduzi-lo à confiança em si próprio, ampliando-lhe o cabedal de serviço em proveito da obra.

As de médium-a-médium importam ao desenvolvimento educacional recíproco, por força da troca de experiências, de informações sobre a leitura de livros da literatura espírita e da literatura em geral. Que reforçam o conhecimento enriquece e burila o estilo e sedimenta a cultura. Que por sua vez cerceia os riscos da desconfiança, auxiliando no combate íntimo de eventuais dúvidas.

Já as relações do médium com o público exigem daquele um comportamento culto, equilibrado e paciente, pelo que neste existe de incultura espírita-mediúnica. Em geral, o público encara a mediunidade como um dom sobrenatural e o médium um privilegiado. Em contrapartida, esse não compreende que tais tratamentos são fatores prejudiciais à relação em si, e à irradiação correta da doutrina espírita. Daí ser necessário que o médium, por inação, não estimule o engano em que incorram, a respeito do que seja o Médium e a Mediunidade.

Para isso, é de fundamental importância compreender que o "Médium é o ser, ou indivíduo que serve de traço de união aos Espíritos, para que estes possam comunicar-se facilmente com os homens, espíritos encarnados". Tão só e exclusivamente. O médium é simplesmente o agente do mediunato, "a missão providencial dos médiuns". É o portador desse ministério, ou o do dom de dizer por outro não visível, na esfera em que a mediunidade se manifeste, quer em "comunicações tangíveis, mentais, escritas, fisicas" quer de qualquer outra espécie.

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: - Cap. XXII n° 236, XXXI, XII em Cap. XXXII - Vocabulário Espírita

FRANCO, Divaldo Pereira (Espírito Joanna de Angelis). Estudos Espíritas: Cap.XVIII

PIRES, José Herculano. Mediunidade: Caps. V e X

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Obreiros da Vida Eterna: Cap. III e IX

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Cap. 3

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap. 25

BÍBLIA SAGRADA. Novo Testamento: Hebreus 12: 1

 

Apêndice

O que o termo navi, no Judaísmo, expressa. E que os 72 doutores, da versão grega do Velho Testamento, traduziram-no por profeta. O "profeta" do dom da profecia, referida por São Paulo em I Cor.12:10,13:9, 14:1, 3-6 e Erasto idem, ibidem

 

PARTE B

A MORAL MEDIÚNICA

 

Manifesta a disposição mediúnica, o conseqüente natural será a mudança no comportamento do médium. Isso engendra a Moral Mediúnica. A Moral, do latim mos, ris, costume, é o conjunto de regras de conduta que inclinam a vontade à prática do bem. É por assim dizer, a disciplina dos bons costumes. Ou como definida no Livro dos Espíritos: "... a regra da boa conduta e, portanto, de distinção entre o bem e o mal”.

Ora, se “O bem é a decidida cooperação com a Lei, a favor de todos, ainda mesmo que isso nos custe a renunciação mais completa”. ... "E o mal será sempre representado por aquela triste vocação do bem unicamente para nós mesmos, a expressar-se no egoísmo e na vaidade, na insensatez e no orgulho que nos assinala a permanência nas linhas inferiores do espírito”. Tem-se que ao médium incumbe proceder à cirurgia intima dos tecidos da sua natureza. A natureza ou substância do homem ainda é nesta fase de evolução da humanidade, moralmente deficitária. Os vícios milenares lhes são uma enormidade. Dentre tais, a mágoa, o ciúme, a inveja, a cobiça, são de difícil combate à neutralização, precisamente por força de sua estratificação milenar.

E o médium é homem, entenda-se: ser humano, como qualquer outro. Então, conquanto lhe cumpra operar a renovação moral, para melhor ou ideal desempenho do seu mediunato, é por outro lado necessário socorrê-lo com as ferramentas da oração, da compreensão de que o assédio sufocante, o elogio destemperado, são estímulos que o embaraçam no percurso da Íntima tarefa renovadora.

Por sua vez, a Moral Mediúnica não é distinta da moral gênero. A que disciplina e ordena a boa conduta. Aquela que recomenda a prática do bem quer fisiológico, quer psíquico, encarregando-se “de expor os múltiplos deveres, que constituem os princípios práticos, basilares da vida".

 

Bibliografia:

 

PIRES, José Herculano. Mediunidade: Cap. IX

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Indulgência: Lição 18 - Hoje é o Dia

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo Espiritismo: Perg. n° 629

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Ação e Reação: Cap. 7 - Conversação Preciosa

FRANCO, Divaldo Pereira (Espírito Joanna de Angelis). Estudos Espíritas: Cap.22

 

Questões para reflexão:

 

1) Com base no conteúdo desta aula analise se o mediunato é efeito ou causa da relação mediúnica.

2) Considerando o médium como mediador entre os dois planos, diga qual a sua circunstância em seu mediunato.

3) Analise se há uma relação entre o bem, o mal e a mediunidade.

4) Faça o seu comentário sobre o seguinte questionamento: Do ponto de vista moral, o que é a mediunidade?

 

 

16ª AULA

PARTE A

SIMBIOSE E VAMPIRISMO

 

SIMBIOSE: é o processo pelo qual dois seres vivos se associam. Essa associação se faz também entre encarnados e desencarnados, onde os últimos "se aglutinam aos hábitos dos vivos, partilhando-lhes a existência e absorvendo-lhes parcialmente a vitalidade, de que se sustentam" (André Luiz). A essa influência damos o nome de simbiose espiritual.

São diversas as causas que provocam esse fenômeno.

Muitas vezes a criatura, ao reencarnar, já traz a companhia invisível da entidade com a qual está ligada por tarefas e dívidas de outras existências: harmonizadas na mesma onda mental, integram-se como hipnotizador e hipnotizado; ou o desencarnado se aproxima do indivíduo aproveitando-se de emanações fluídicas que são peculiares a ambos (afinidade); ainda outras vezes aparece quando a mente desencarnada se aproveita da receptividade dos que lhe choram a perda, influenciando-os com emanações de seu próprio corpo espiritual, utilizando-os como instrumentos de seus próprios pensamentos.

Qualquer que seja a origem do fenômeno, facilmente observável nas reuniões de desobsessão, essa "união psíquica" perdura enquanto a criatura encarnada, subjugada por fluidos que lhe são estranhos e deletérios, não buscar a própria renovação através do estudo, da oração, da aquisição de virtudes.

Todo ser encarnado permanece responsável perante as sintonias que estabelece e será beneficiado com influências positivas sempre que empreenda com disciplina e boa vontade a tarefa de reajustamento próprio.

 

VAMPIRISMO: Vampiro é toda entidade ociosa que se vale das possibilidades alheias. O vampirismo é a ação pela qual os Espíritos imperfeitos, presos às paixões inferiores, "se imantam à organização psicofísica de encarnados e desencarnados, sugando-lhes a substância vital" (Martins Peralva).

Herculano Pires ressalta que essa classe de Espíritos atua desde sempre na Terra, influenciando suas vítimas que direcionam seus recalques e frustrações para a pornografia e, a criminalidade. As raízes do vampirismo se encontram no próprio homem encarnado, face aos desajustes:

a) de ordem fisiológica, já que os excessos a que subordinamos o vaso físico como o abuso do álcool e drogas, atrai entidades ignorantes, distantes da renovação, que buscarão e encontrarão em nossos órgãos aquilo de que se nutrem;

b) de ordem psicológica: a persistência no mal, o egoísmo, a cólera, a desesperação, o comprazimento em atitudes, conversas e companhias menos edificantes, criam "larvas mentais", qual nuvem de bactérias, que passam a se exteriorizar de cada individualidade através de emanação mental de teor inferior, estabelecendo correntes invisíveis, que fazem com que a criatura se coloque, de imediato, sob influência de encarnados e desencarnados que alimentam tais agentes enfermiços, acompanhando-lhe os passos como sombras que ameaçam o equilíbrio mental.

André Luiz no livro "Evolução em Dois Mundos" relata a ação de tais entidades sob dois aspectos:

1) Infecções fluídicas - através da absorção de emanações vitais dos encarnados, dominando e controlando suas vítimas de modo a comprometer seriamente tanto o psiquismo como o corpo físico.

2) Parasitas ovóides – Desencarnados com o perispírito modificado, autohipnotizados pela idéia de vingança ou apego excessivo, ligados às vítimas que os alimentam através de sentimentos de remorso ou arrependimento. Essa situação pode perdurar além da morte física da vítima, até que, "na disposição firme para o bem, algoz e vítima possam reajustar-se". Para preservar o equilíbrio biopsíquico da própria vida é fundamental a conduta digna, a luta pela erradicação dos hábitos nocivos, o cultivo dos bons pensamentos e a prece.

Os médiuns devem ser instrumentos conscientes na batalha contra o vampirismo de todas as tendências, doutrinando o obsedado, fortalecendo sua disposição para a renovação, orientando-o e auxiliando-o tanto quanto possível na reintegração de seu arbítrio. "Para a doença da alma, a cura real pertence ao homem-espírito". (André Luiz, Livro "Os Mensageiros")

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. A Gênese – Cap.XVI

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Religião dos Espíritos: Lição: Mediunidade e Dever

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Justiça Divina: Lição: Exames.

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Evolução em Dois Mundos: Caps. XIV e XV

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Mecanismos da Mediunidade: Cap.XVII

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Os Mensageiros: Cap. 40

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Missionários da Luz: Caps.3 e 4;

PIRES, Herculano. Mediunidade: Cap. VIII

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap. XIII

 

PARTE B

MEDIUNIDADE E PSICOTERAPIA

 

"O homem através de suas realizações, construções mentais e atitudes, instala nos centros da vida pensante os distúrbios que produzem alienações das mais diversas que terminam por se manifestar através de psicoses e psicopatias." (Joana de Ângelis)

Muitos problemas atuais tem sua origem no caminho percorrido em outras encarnações, outros são conseqüência de idéias e emoções cultivadas na vida presente.

A psicoterapia é procurada para tratamento de tais distúrbios através de métodos como a persuasão, sugestão, hipnose, psicanálise e os processos que dela derivam, e sua finalidade é restabelecer o equilíbrio emocional perturbado.

As Casas Espíritas igualmente são procuradas por criaturas perturbadas e infelizes que buscam acolhimento junto a medianeiros benévolos, equilibrados, que as orientam nos princípios doutrinários do Espiritismo, verdadeira terapia da alma.

Para que esse auxílio seja mais eficaz é importante que o médium ou atendente, ao realizar o atendimento, conheça alguns princípios de psicoterapia, de relacionamento interpessoal, bem como necessidades individuais que devem ser respeitadas tais como:

  • ·        
  • ·        
  • ·        
  • ·        
  • ·        

 

Podemos apontar ainda algumas atitudes que favorecem o auxílio aos necessitados:

  • ·        
  • ·        
  • ·         Estimular a criatura a mergulhar nos íntimos painéis de si mesmo, combatendo os inimigos "de dentro".
  • ·        
  • ·        
  • ·        

 

"São inimagináveis as possibilidades de socorro de um encarnado confiante no Alto" (Emmanuel), mas é preciso que os orientadores se instruam constantemente para melhorar seus processos de análise das almas, suas técnicas de expor soluções estimulando a confiança necessária à renovação mental e moral do homem, reconduzindo-o ao equilíbrio, livrando-o das fixações e auxiliando a terapêutica convencional; tanto quanto é imperioso o esforço honesto e constante para melhoria por parte da criatura necessitada.

 

Bibliografia:

 

FRANCO, Divaldo Pereira (Espírito Joana de Angelis). Após a Tempestade: Lição 17

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Estude e Viva: Lição 31

NOVAES, Adenauer. Psicologia e Mediunidade: Pág. 37 a 41 e 87 a 90

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Missionários da Luz: Cap. 4 – Vampirismo.

PIRES, José Herculano. Vampirismo.

 

Questões para reflexão:

 

1) Explique o processo da simbiose espiritual e quais as suas causas.

2) Explique a ação dos Espíritos vampirescos e como a criatura pode libertar-se dessas influências negativas.

3) Explique o porquê da Doutrina Espírita ser considerada como "terapia da alma".

4) Relacione algumas atitudes que colaboram no auxílio à criatura necessitada.

 

 

17ª AULA

PARTE A

OBSESSÃO

CAUSAS DA OBSESSÃO

E MEIOS DE COMBATÊ-LAS

 

André Luiz no livro "Libertação" – Cap. I diz: “mentes cristalizadas na rebeldia, tentam solapar, em vão a Sabedoria Eterna, criando quistos de vida inferior, na organização terrestre, entrincheiradas nas paixões escuras, que lhes vergastam, as consciências. Conhecem inumeráveis recursos de perturbar e ferir, obscurecer e aniquilar. Escravizam o serviço benéfico da reencarnação em grandes setores expiatórios e dispõem de agentes da discórdia contra todas as manifestações dos sublimes propósitos que o Senhor nos traçou às ações”.

Os motivos, as causas da obsessão variam, segundo o caráter do Espírito (L.M. – cap. XXIII)

  • ·         Vingança contra desafetos do passado;
  • ·        
  • ·         Desejo de impor suas idéias para dominar, desunir, destruir e causar danos;
  • ·         Divertimento com a impaciência da vítima, porquanto ao se zangar faz precisamente o que o obsessor quer;
  • ·        

O meio mais eficaz de combater a obsessão, é através do auto conhecimento "Conhece-te a ti mesmo". Sócrates.

O autoconhecimento é a capacidade inata, que nos permite perceber, de forma gradual, tudo que necessitamos transformar; nos dá a habilidade de saber como e onde agem nossos pontos frágeis, ao mesmo tempo nos dá a consciência sobre nossos potenciais adormecidos, para que possamos vir a ser o que somos em essência.

Fazendo essa transformação pelo autoconhecimento, se quebra o elo que une vítima e o obsessor, formado pela lei de afinidade, quando aprendemos a nos conhecer, reconhecemos as nossas tendências positivas e negativas e nos sentimos mais verdadeiros conosco mesmo e começamos por mudar nossos comportamentos, nossos sentimentos, nossas palavras e nossas atitudes conosco e com o próximo, sendo assim desenvolvemos algumas habilidades que são: a humildade, a tolerância, a paciência, o arrependimento, o amor, por reconhecermos aprendizes do bem e cheios de oportunidades para sermos felizes, se semearmos o bem e trabalharmos na renovação moral, ética e social da comunidade que habitamos. Sendo assim nos ligando ao bem, os obsessores, ou seja, cobradores (do mal que fizemos ou proporcionamos a alguém), não se vê mais com condições de nos destruir, pois não encontrarão chances e nem pontos vulneráveis, pois, estaremos em constante ligação com espíritos trabalhadores do bem, em serviços ao Mestre Jesus.

André Luiz no cap. II do livro "Libertação" assevera:

Nossa mente é uma entidade colocada entre forças inferiores e superiores, com objetivos de aperfeiçoamento. Nosso organismo perispiritual, fruto sublime da evolução, quanto ocorre ao corpo fisico na esfera da Crosta, pode ser comparado aos pólos de um aparelho magneto-elétrico. O Espírito sofre a influenciação inferior, através das regiões em que se situam o sexo e o estômago, e recebe os estímulos superiores, ainda mesmo procedentes de almas não sublimadas, através do coração e do cérebro. Quando a criatura busca manejar a própria vontade, escolhe a companhia que prefere e lança-se ao caminho que deseja.

Dirija um homem a sua vontade para a idéia de doença e a moléstia lhe responderá ao apelo, porque a sugestão mental determina a sintonia e receptividade da região orgânica, formando no corpo a enfermidade idealizada. Temos que levar em conta, as provas necessárias, nos casos em que determinada personalidade renasce, atendendo a impositivos das lições expiatórias, mas, mesmo aí, o problema de ligação mental é infinitamente importante, pois o doente que se compraz na aceitação e no elogio da própria decadência, acaba na posição de incubador de bactérias e sintomas mórbidos, enquanto que o Espírito em reajustamento, quando reage, valoroso, contra o mal, ainda que benéfico e merecido, encontra imensos recursos de concentrar-se no bem, integrando-se na corrente da vida vitoriosa.

Além da auto transformação, que levará o médium ao controle de sua mente e suas ações, existe a necessidade de auxiliar o Espírito obsessor, dentro de um trabalho específico que é o atendimento espiritual de desobsessão, que levará o Espírito obsessor ao esclarecimento dos princípios doutrinários, para que gradativamente se consciente das suas atitudes e se desligue do passado, buscando novos caminhos em rumo a sua própria felicidade.

Kardec pesquisou sobre a obsessão e concluiu que podemos reconhecê-la pelas seguintes características:

1 - Persistência de um Espírito em se comunicar, pela escrita, audição, tiptologia, etc.

2 - Ilusão que, não obstante a inteligência do médium, o impede de reconhecer a falsidade e o ridículo das comunicações recebidas;

3 - Crença na inefabilidade e na identidade absoluta dos Espíritos;

4- Disposição para afastar-se das pessoas que podem esclarecê-lo;

5 - Intolerância para as críticas feitas às comunicações que recebe;

6 - Necessidade constante e inoportuna de escrever;

7 - Constrangimento fisico qualquer, dominando-lhe a vontade e forçando-o a agir ou falar contra sua vontade;

8- Ruídos e desordens constantes ao redor do médium, dos quais é ele a causa de tudo, ou o objeto.

De modo geral, todos os homens estão sujeitos à obsessão, mas os médiuns certamente, mais que os outros, enlaçados em tremendas provas, devem aprender, sem desanimar, e servir ao bem, sem esmorecer.

Kardec (L.M. – cap. XXIII item 251) diz "não há nenhum processo material, nenhuma fórmula, sobretudo nenhuma palavra sacramental, com o poder de expulsar os Espíritos obsessores. O que falta em geral ao obsediado é força fluídica suficiente. Nesse caso a ação magnética de um bom magnetizador pode dar-lhe uma ajuda eficiente".

Antes, pois, de pretender domar um Espírito mau, que se cuide o homem de domar a si mesmo, e isto ele consegue através da boa vontade, secundada pela prece pela vigilância: “Ajuda-te a ti mesmo, e o Céu te ajudará”. (E.S.E. – Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXV).

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: 2ª parte – Cap. XXIII

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos: Pergs. 459 a 480

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Estude e Viva: - Lição 35

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Missionários da Luz: Cap. XVIII

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Cap. IX

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Libertação: Cap. I e II

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. XXV

KARDEC, Allan. Obras Póstumas: Manifestações dos Espíritos - § 7°, item 58

 

PARTE B

PERDÃO

 

Jesus nos ensinou: "Bem-aventurados os que são misericordiosos, porque eles próprios alcançarão misericórdia". Nesse sentido a misericórdia é o complemento da doçura, porque aquele que não é misericordioso não será também dócil, nem pacífico.

A misericórdia consiste no esquecimento e no perdão das ofensas.

O ódio e o rancor revelam uma alma sem elevação e sem grandeza, (vivendo um grande sofrimento por isso). O esquecimento do mal próprio da alma mais preparada, com conhecimentos, que está acima do mal, que lhe quiseram fazer.

Jesus recomendou a prática do perdão constante, como forma de exercitar a caridade, e a tolerância com o próximo, que deveis "perdoar não sete vezes, mas sim setenta vezes sete".

Na prece tão simples, tão resumida e tão elevada no seu alcance, o Pai Nosso, que Jesus ensinou a seus discípulos. “Tu perdoarás, mas sem limites. Perdoarás ainda que a ofensa te seja feita muitas vezes”.

Ensinarás aos teus irmãos o esquecimento de si mesmos, que os torna invulneráveis a agressões, aos maus procedimentos e as injúrias. Serás doce e humilde de coração, nunca medindo tua mansidão e brandura.

Farás, enfim, o que desejas que o Pai Celestial faça por ti. Não tem Ele te perdoado sempre? Acaso conta às inúmeras vezes em que Seu perdão vem apagar as tuas faltas? Essa é a resposta que o Mestre Jesus dá a Pedro, quando indaga sobre o número de vezes que deveria perdoar. (Mt. 18:22).

Sabemos que o ato de perdoar requer amadurecimento e crescimento espiritual e por conseqüência, certo grau de evolução.

Na questão 661, do livro dos Espíritos; Kardec pergunta: É válido orar a Deus para perdoar nossas faltas?

Deus sabe discernir o bem e o mal. Aprece não oculta as faltas. Aquele que pede a Deus o perdão de suas faltas não o obtém, senão mudando de conduta. As boas ações são as melhores preces, porque os atos valem mais que as palavras.

Quando erramos, é necessário primeiramente admitir nossas fraquezas e em seguida pedir aos outros que mostrem nossas falhas. E à medida que perdoamos nossos erros e faltas, começamos também a perdoar as faltas e erros dos outros.

Precisamos compreender o outro, avaliando e analisando, o que ele pensava e como se sentia na hora do erro, assim mais facilmente aprenderemos a perdoar.

Se Deus nos ama e nos aceita da forma que somos hoje, por que haveríamos de tomar uma atitude contrária à Sabedoria Divina?

O exercício do perdão nos leva a uma virtude relevante, no que tange ao aprimoramento das qualidades morais e espirituais do homem.

Praticando o perdão, o homem ocasiona um efeito de ordem moral e ou ordem material. A morte do corpo fisico não livra o Espírito da ação dos adversários. É certo que os Espíritos que alimentam sentimentos de vingança, perseguem sempre, mesmo estando na vida espiritual, aqueles que consideram seus inimigos. Por isso observam-se na terra, quadros terríveis de obsessões, pois esses Espíritos esperam, pacientemente, que o Espírito a quem querem mal, esteja encarnado (num novo corpo fisico), para mais facilmente o atormentarem, atingindo-o nos seus interesses ou nas suas mais íntimas afeições.

Perdoar nos livra do cultivo de uma fixação neurótica em situações ocorridas no passado, que nos impede o crescimento no presente.

Abandonar as mágoas do passado significa curar as dores do presente e ao mesmo tempo fortalecer nossos projetos de uma vida futura mais feliz.

Precisamos perceber as nossas limitações para compreender as dos outros. Admitir que todos estamos sujeitos ao erro e entender que, em se tratando do amor, todos somos ainda aprendizes.

Por isso devemos ser flexíveis e abrir mão da ilusão de possuir toda a verdade.

Amar a Deus, amar ao próximo, como a nós mesmos. Essa é a mais pura essência dos ensinamentos de Jesus.

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo – cap. X - itens 2 a 8

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos - perg. 661

BILBIA SAGRADA. Novo Testamento: Evangelho de Mateus, 18:22

 

Questões Para Reflexões

 

1) Faça um breve relato sobre o meio mais eficaz de combater a obsessão e como é possível evitá-la.

2) Com base no ensinamento de Kardec que afirma não haver nem uma palavra para expulsar os Espíritos obsessores, descreva os meios mais eficazes de os afastá-los de suas presas.

3) Analise a eficácia do perdão para aqueles que se consideram ofendidos.

4) Face os ensinamentos de Jesus sobre o perdão, comente os motivos que impedem o ofendido desculpar os seus desafetos.

 

18ª AULA

PARTE A

OBSESSÃO

OBSESSÃO SIMPLES

 

A obsessão é um dos maiores entraves da mediunidade, é também um dos mais freqüentes. A obsessão é um obstáculo incontestável à pureza e a veracidade das comunicações.

A obsessão é sempre um processo bilateral, é preciso ter uma mente que emite outro que recebe, ou seja, existem dois fatores muito importantes: a afinidade e a sintonia, conforme esclarece André Luiz em Mecanismos da Mediunidade. O pensamento e o sentimento são formas de energia eletromagnética. Na mente humana, essas duas forças estão atuando tanto em nível consciente quanto inconsciente, sendo a intenção o gatilho que aciona a transmissão dessas energias, para o alvo que se deseja. Assim uma idéia emitida por uma entidade obsessiva, termina por fixar-se na mente de outra entidade, encarnada ou desencarnada, se houver afinidade (de pensamento ou sentimentos) entre elas. Estabelece então um "circuito mental" entre as duas mentes.

Afinidade significa identidade de características. Assim também, um pensamento (e sentimento, como o ódio, por exemplo) emitido por uma entidade, apenas conseguirá reproduzir-se em outra mente, que lhe tenha afinidade, isto é, que tenha em seu conteúdo, pensamentos e sentimentos de mesma característica. Havendo afinidade irá estabelecer o circuito mental e as mentes ficarão se alimentando reciprocamente dessa idéia, em identidade de sintonia.

Kardec em o livro dos Médiuns diz: "todos somos médiuns", pois estamos sempre em contato mental e, portanto mediúnico com outras mentes. Se temos bons pensamentos e sentimentos, temos condições de ser inspirados pelos Espíritos Superiores, que nos orientam e nos ajudam. Se estamos retidos em pensamentos e sentimentos negativos, abrimos brecha para a ação de Espíritos perversos, vingativos etc., prontos para explorar o ponto fraco da vítima, oferecendo oportunidade para a instalação do processo obsessivo.

Pela lei de afinidade, os Espíritos maus, apegam-se aqueles a quem tem acesso, por uma atração perispiritual, muito forte e, quando chegam a dominar, impõem suas idéias, gostos e preferências. Pode-se afirmar que a obsessão é uma questão de atitudes mutuamente assumidas, pela similitude de pensamentos, crenças, pelos sentimentos, pelas emoções e pelas diferentes tendências para reagir.

A obsessão se apresenta em diferentes graus de intensidade:

Na obsessão simples o obsediado tem consciência da interferência de um Espírito adverso ou enganador, e este, por sua vez, não se disfarça, não esconde suas intenções e desejos.

A obsessão consiste na tenacidade de um Espírito, para impor sua vontade, da qual "não consegue desembaraçar -se a pessoa sobre quem ele atua." Na obsessão simples, o obsediado nem percebe a influência, porque se compraz no pensamento do outro.

A obsessão lavra os maiores desastres espirituais no meio das pessoas sensíveis, que registram com mais clareza, a atuação dos Espíritos, sobretudo, as pessoas comprometidas com um passado faltoso.

Somente com o tratamento espiritual adequado é possível conseguir apaziguar antigas rixas, antigos desafetos e desentendimentos. Por isso só o amor (vivido) e o esclarecimento da Doutrina Espírita, se tornam o antídoto mais poderoso para a cura definitiva.

Para isso os médiuns precisam estar sempre vigilantes, atentos, ao bem que fizerem; imunizar-se contra o orgulho e vaidade, policiar a língua contra a maledicência, desvincular dos maus pensamentos, direcionar a vontade na conquista da vivencia do amor e da paz íntima.

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: 2ª parte – Cap. XXIII

KARDEC, Allan. A Gênese: Cap. XIX, itens 45 a 48

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos: Pergs. 473 a 480

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Cap. 23

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Missionários da Luz: Cap.18

PERALVA, Martins - Estudando a Mediunidade: Cap. XI, XIII, XIX, XXXV

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Mecanismos da Mediunidade: Cap. XXIV

PIRES, José Herculano. O Espírito e o Tempo - IV Parte – Cap. 1

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Libertação: Cap. IX

 

PARTE B

AMAI OS INIMIGOS

 

Se o amor ao próximo é o princípio da caridade, amai aos inimigos é a sua aplicação máxima, pois esta virtude é uma das maiores vitórias alcançadas sobre o egoísmo e o orgulho.

Amar aos inimigos, não é ter para com eles uma afeição forçada, que não é natural, é não ter contra eles nem ódio, nem rancor, nem desejo de vingança, é não fazer nada que possa prejudicá-los em palavras ou atos, não fazer obstáculo à reconciliação. É desejar-lhes o bem e não o mal. É alegrar-se em lugar de se aborrecer com o bem que os atinge.

Para aquele que crê, e especialmente o espírita, a maneira de ver é diferente, pois dirige o seu olhar para o passado e o futuro, entre os quais, percebe que a vida presente é apenas um momento, que as maldades das quais é vítima, fazem parte das provas que deve sofrer.

Quando o Senhor nos aconselha amar os inimigos, não exigiu aplausos ao que rouba ou destrói, nem mandou multiplicarmos as asas da perversidade ou da má fé. O Mestre, acima de tudo, preocupou-se em preservar-nos contra o veneno do ódio, evitando-nos a queda em disputas inferiores, inúteis ou desastrosas. Esse conhecimento nos dá condições de entender que, "Deus não age por capricho e tudo no Universo está regido por leis em que se revelam a sua sabedoria e sua bondade". (L.E. questão 1003)

Precisamos ter coragem para perdoar o mal que nos fizeram e por isso precisamos trabalhar em nós a transformação do nosso mundo interior, soltar o passado (recordações negativas e sofridas) e deixar o futuro acontecer. O futuro é uma semente de possibilidades, o passado ficou para trás. O presente nada mais é do que um deslocamento em direção ao futuro, tudo depende de nossa forma de desejar o melhor e trabalhar por isso, através dos pensamentos e das ações.

O pensamento maldoso carrega em si mesmo uma corrente fluídica que causa má influência. O pensamento benevolente nos envolve com uma agradável impressão; daí a diferença de sensações que experimentamos aos nos aproximarmos de um amigo ou de um inimigo.

Podemos ter inimigos entre os encarnados e os desencarnados.

Por isso Jesus nos ensinou "Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam e orai por aqueles que vos perseguem e vos caluniam, a fim de que sejais filhos de vosso Pai que está nos céus, que faz erguer o sol sobre os bons e os maus e faz chover sobre os justos e os injustos." (MT. 5:43 a 45)

Jesus nosso Mestre teve vários desafetos, quando do desempenho do seu sublime Messiado: os Escribas, os Fariseus, os Saduceus e os Sacerdotes do Templo, todos se mancomunaram contra Ele, fazendo com que fosse crucificado. O mestre, no entanto,jamais os considerou como inimigos, tanto que na cruz suplicou ao Pai Celestial, que os perdoassem, porque eles não sabiam o que estavam fazendo. (Lc 23:34)

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo Espiritismo: Cap.XII

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos: Perg. 1003

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Pão Nosso: Cap. 137

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Caminho, Verdade e Vida: Cap. 143

BÍBLIA SAGRADA. Novo Testamento: Evangelho de Mateus 5:43-45

BÍBLIA SAGRADA. Novo Testamento: Evangelho de Lucas 23:34

 

Questões para reflexão:

 

1) Explique os fatores relevantes no processo da obsessão.

2) De acordo com o L.M. n° 238, descreva o que acontece na obsessão simples.

3) Analise a recomendação de Jesus: "Amai os inimigos".

4) Relacione alguns aspectos do nosso pensamento que podem interferir como meio de atração ou afastamento dos bons ou maus Espíritos.

 

 

19ª AULA

PARTE A

FASCINAÇÃO, SUBJUGAÇÃO

E POSSESSÃO

 

Fascinação: é uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium, que paralisa, de algum modo sua capacidade de julgar as comunicações. O médium fascinado não acredita ser enganado: o Espírito tem a arte de lhe inspirar uma confiança cega que o impede de ver a fraude e de compreender o absurdo do que escreve.

A fascinação tem conseqüências muito mais sérias, o Espírito expõe o médium à situações ridículas, comprometedoras e mesmo perigosas.

A diferença entre a obsessão simples e a fascinação está em que, na primeira, o Espírito que atormenta a pessoa é apenas um inoportuno por sua insistência o qual, o atormentado deseja sinceramente se livrar. Na segunda, para chegar a tais fins é preciso um Espírito hábil, astuto e profundamente hipócrita, pois não pode enganar e se fazer aceitar senão com a ajuda da máscara, com que se cobre e da falsa aparência da virtude, palavras de caridade são para ele credenciais.

 

Subjugação: é uma atormentação que paralisa a vontade daquele que a sofre e o faz agir fora da sua normalidade. Está sob um verdadeiro jugo.

A subjugação pode ser moral ou corporal. No primeiro caso, o subjugado é constrangido a tomar decisões muitas vezes absurdas e comprometedoras e por uma ilusão acredita serem sensatas. No segundo caso, o Espírito age sobre os órgãos materiais e provoca movimentos involuntários, levando-os por vezes, a praticar atos ridículos.

Como acontece:

O Espírito que subjuga penetra o perispírito da pessoa sobre a qual quer agir. O perispírito do obsedado recebe como que um envoltório, o corpo fluídico do Espírito estranho e, por esse meio, é atingido em todo seu ser; o corpo material experimenta a pressão sobre ele exercida de maneira indireta.

 

Possessão: Na Gênese – cap. XIV itens 45 à 49 - Kardec admite o termo possessão e o utiliza como forma de ação de um Espírito sobre o encarnado, distinguindo-a da subjugação. Fala que na obsessão, o Espírito atua exteriormente por meio de seu perispírito, que ele identifica com o do encarnado, este último se encontra então enlaçado como numa teia e constrangido a agir contra sua vontade. Já na possessão, em lugar de agir exteriormente, o Espírito livre se substitui, por assim dizer, ao Espírito encarnado, faz domicílio em seu corpo, sem que, todavia este o deixe definitivamente, o que só ocorre com a morte.

A possessão é sempre temporária e intermitente, pois um Espírito desencarnado, não pode tomar definitivamente o lugar de um encarnado, dado que a união molecular do perispírito e do corpo não pode operar-se senão no momento da concepção. (Gênese cap.XIV, item 47).

Kardec mostra a diferença entre obsessão e possessão:

"O Espírito em possessão momentânea do corpo, dele se serve como o faria com o seu próprio, fala por sua boca, enxerga pelos seus olhos, age com seus braços, como o teria feito se fosse vivo. É o Espírito que fala, que se agita e se o conhecemos quando vivo, reconheceríamos sua linguagem, sua voz, seus gestos e até a expressão de sua fisionomia" (Gênese, Cap. XIV,item 47).

Em síntese, pode-se dizer que: na obsessão o Espírito atua exteriormente por meio de seu perispírito, e na possessão faz domicílio no corpo do encarnado, que cede seu corpo voluntariamente, ou involuntariamente, quando o possessor é um Espírito mau, ao qual o possesso não tem força moral para resistir. Tanto na obsessão como na possessão, dizem os Espíritos, essa dominação não se efetua jamais, sem a participação daquele que sofre, seja por fraqueza, seja pelo seu desejo.

Tem-se tomado freqüentemente por possessos os epilépticos ou os loucos, que tem mais necessidade de médico do que de exorcismo.

Segundo Kardec a palavra possesso, deve ser entendida como sendo a dependência absoluta, em que a alma pode se encontrar em relação a Espíritos imperfeitos, exercendo sobre ela o seu domínio.

André Luiz em "Missionários da Luz" – Cap. XVII relata um caso de possessão, dizendo que a obsediada estava "cercada de entidades agressivas, seu corpo tomara-se como que a habitação do perseguidor mais cruel. Ele ocupava-lhe o organismo, desde o crânio até os pés, impondo-lhe tremendas reações em todos os centros de energia celular. Fios tenuíssimos, mas vigorosos, uniam ambos, e ao passo que o obsessor nos apresentava um quadro psicológico de satânica lucidez, a desventurada mulher mostrava aos colaboradores encarnados. A imagem oposta, revelando angústia e inconsciência".

Deixa registrado que o tratamento deve ser sempre na base do amor e do esclarecimento.

No capítulo IX de ‘‘Nos domínios da Mediunidade”, André Luiz, nos mostra um outro caso de possessão num doente de epilepsia, decorrente de dívidas do passado, em que mais uma vez esclarece a importância do amor no tratamento, informando que a cura depende do entendimento de cada um.

André Luiz no livro "Libertação" – Cap. I - afirma “Estejamos convencidos de que se o diamante é lapidado pelo diamante, o mau só pode ser corrigido pelo mau. Funciona a justiça, através da injustiça aparente, até que o amor nasça e redima os que se condenaram a longas e dolorosas sentenças diante da Boa Lei”.

André Luiz no livro "Libertação" – Cap. II diz "Qualidades morais e virtudes excelsas não são meras fórmulas verbalistas. São forças vivas. Sem a posse delas, é impraticável a ascensão espiritual."

Continua "A nossa mente, em qualquer parte, na Crosta ou aqui onde nos achamos, é um centro psíquico de atração e repulsão.

Sem nosso esforço pessoal no bem, a obra regenerativa será adiada indefinidamente, compreendendo-se por precioso e indispensável nosso concurso fraterno para que nossos irmãos se convertam aos Desígnios Divinos. “O mal é o desperdício do tempo ou o emprego da energia em sentido contrário aos propósitos do Senhor.”

 

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: 2ª Parte – Cap. XXIII

KARDEC, Allan. A Gênese: Cap. XIV

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos: Cap. IX, Perg. 473 a 480

KARDEC, Allan. Obras Póstumas: Cap. Manifestações dos Espíritos

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Cap. XXIII

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Missionários da Luz: Cap.XVIII

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Libertação: Cap. I e II

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: - Cap. XI, XIII, XIX e XXXV

 

PARTE B

NÃO CENSURES

 

Jesus disse (...) "Aquele dentre vós que estiver sem pecado atire a primeira pedra".

 

Quando vos lançais a critica, que conclusões se devem tirar de vossas palavras? É que vós, que censurais, não teríeis feito o que reprovas e que, portanto, valeis mais que o culpado.

Quando então julgareis os vossos próprios corações, os vossos próprios pensamentos, os vossos próprios atos, sem vos ocupardes do que fazem vossos irmãos?

Quando abrireis os olhos somente para vós mesmos?

Jesus nos ensina a ser indulgente com os erros alheios, não falar sobre eles nem divulgá-los, a não ser com o propósito de auxiliar, amparar, reerguer, acalmar e encorajar a pessoa a prosseguir no bem, fortalecendo-a em suas qualidades e potencialidades, a recomeçar sua jornada de evolução.

Quando olharmos uma pessoa em erro, devemos compreender toda a misericórdia infinita de Nosso Pai e não nos esquecer de dizer em pensamento, mas principalmente em ações "Pai perdoai as nossas ofensas, assim como perdoamos aqueles que nos tem ofendido."

O verdadeiro caráter da caridade é a modéstia e a humildade, ambas consistem em ver apenas superficialmente os defeitos dos outros e ressaltando neles os que há de bom. Ainda que o coração humano seja um abismo de corrupção, sempre existe, em algumas de suas regiões mais ocultas, o gérmen de bons sentimentos, centelha viva da essência espiritual.

A crítica negativa é característica de pessoas que não realizam nada de importante, não enfrentam desafios, nem se arriscam a mudanças. Ficam apenas observando o que as pessoas dizem, fazem e pensam, para depois, comentar de forma improdutiva.

Os verdadeiros realizadores deste mundo, não tem tempo para censuras e condenações, pois estão sempre ocupados, na concretização de suas tarefas no bem comum. Ajudam os fracos e inexperientes, ensinando os que ainda não descobriram seus talentos, em vez de maldizê-los.

O Mestre nos desperta para uma reflexão quando diz "Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás bem, para tirar o argueiro que está no olho do teu irmão". (E.S.E.- cap. X)

Jesus nos mostra com essa frase que temos uma grande facilidade de perceber os conflitos e dificuldades nos outros, mas infelizmente ainda não conseguimos ver os conflitos e dificuldades existentes em nossa alma, sendo assim, deixamos de nos transformar e desenvolver qualidades necessárias para nossa evolução.

Na perg. 903 do Livro dos Espíritos - Kardec pergunta: Incorre em culpa o homem, por estudar os defeitos alheios? "Incorrerá em grande culpa, se o fizer para criticar e divulgar, porque será faltar com a caridade."

Antes de censurardes as imperfeições dos outros, vede se de vós não poderão dizer o mesmo.

Tratai, pois, de possuir qualidades opostas aos defeitos que criticais no vosso semelhante. Se lhe censurais o ser avaro, sede generosos, se o ser orgulhosos, sede humildes e modestos, se o ser áspero, sede bondosos, se o proceder com pequenez, sede grande em todas as vossas ações.

 

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos: Cap.IX, Perg. 473 a 480 e 903

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo Espiritismo: Cap. X

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Rumo Certo: Lição 49

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Justiça Divina: Lição- Divino Amparo

 

Questões para reflexão:

 

1) Comente as conseqüências de uma fascinação e explique a atuação do Espírito na tentativa de comprometer o médium.

2) Faça a diferença entre subjugação e possessão.

3) Analise a afirmação de Jesus: Seja indulgente com os erros alheios, não falar sobre eles nem divulgá-los.

4) Comente e exemplifique os efeitos da critica negativa.

 

 

 

20ª AULA

PARTE A

DOUTRINAÇÃO E DOUTRINADOR

 

É chamado de Doutrinação, a forma de dialogar com os Espíritos desencarnados necessitados de auxílio.

Doutrinação é a técnica usada pela Doutrina Espírita para conduzir os Espíritos desencarnados à luz através do esclarecimento e socorrer as pessoas envolvidas que precisam de ajuda para sair do processo obsessivo que por vezes vem de longa data (outras encarnações), para que possam modificar-se.

Doutrinar, segundo o dicionário significa instruir em uma doutrina, ou ensinamento de uma doutrina.

Não é o caso aqui. Não estamos doutrinando o necessitado que ali comparece, a nossa intenção é dialogar com esse Espírito que se manifesta e muitas vezes expõem os seus problemas, suas aflições, necessitando de amparo, de socorro, e porque não dizer: de conscientização da sua real situação.

Essa técnica foi criada e desenvolvida por Allan Kardec para substituir as práticas arbitrárias do exorcismo. O conceito de doente mental como possessão demoníaca criou a idéia de espancar o doente para retirar o demônio do seu corpo.

A doutrinação espírita humanizou o tratamento das doenças mentais e psíquicas, inclusive perante a medicina. As pesquisas espíritas, do século passado, levaram Kardec a instituir e praticar intensivamente a doutrinação como forma persuasiva de esclarecimento do obsessor e do obsedado, através de sessões de desobsessão, pois ambos necessitam de esclarecimento evangélico para superarem os conflitos do passado.

Objetivo essencial da doutrinação espírita é o esclarecimento da entidade comunicante quanto ao seu estado transitório de perturbação, as causas de seus sofrimentos e a forma pelo qual poderá encontrar solução para seus problemas.

O trabalho de doutrinação só é possível quando existe total integração do grupo, dirigente, médiuns, doutrinador e equipe Espiritual Superior.

Nesse trabalho há uma equipe de Espíritos Benfeitores responsáveis para ajudar e orientar a doutrinação. Nessa reunião mediúnica são trazidos pelos Benfeitores, Espíritos obsessores, sofredores, ignorantes e viciosos na prática do mal, e todos aqueles que buscam respostas para sua nova forma de viver.

Todos os Espíritos que comparecem aos trabalhos, seja qual for sua condição, interagem com as forças geradas no ambiente do grupo e recebem altos benefícios seja pelas doutrinações ouvidas, pelos fluídos reparadores da corrente magnética ou ainda pelo efeito vibratório das concentrações e das preces.

E é assim que em uma reunião de doutrinação os Espíritos são esclarecidos pelo doutrinador sob orientações espirituais dos Benfeitores, revitalizados por energias sãs e estimulados para o bem, passando a viver então uma vida espiritual melhor.

O grupo de médiuns precisa ser firme, solidário, pontual, esquecer seus problemas e dedicar-se ao próximo.

O Evangelho de Jesus deve ser a base de todos os procedimentos.

Doutrinador em um grupo mediúnico é um médium encarregado de dialogar com os companheiros desencarnados, necessitados de ajuda e esclarecimento.

Quando se forma um grupo para a cura do semelhante, não podemos esquecer que as forças inferiores farão tudo para dissolvê-lo.

"Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele." - Paulo (Colossenses, 2:6)

Numa reunião mediúnica, o doutrinador é apenas um trabalhador na Seara de Jesus. Não dita ordens ou impõe rituais, utilizando formas. Usa do respeito e do efeito moral.

Sua formação doutrinária é de extrema importância. Seu conhecimento doutrinário é fator importante como base de sustentação. Deve estudar constantemente, manter-se sempre harmonizado, cultivando através da reforma íntima a autoridade moral, a fé e o amor. Ele deve estar convicto de que a doutrina espírita dispõe de todos os informes de que necessita para o desenvolvimento de um bom trabalho.

O doutrinador precisa ter humildade e paciência para ouvir o comunicante e esclarecer com amor e respeito.

Ele deve confiar e trabalhar sempre sintonizado junto aos Benfeitores Espirituais. Não deve trabalhar mediunizado e sim com amor fraterno, pois só assim conseguirá tocar o íntimo do Espírito comunicante.

A doutrinação, não é um amontoado de palavras difíceis ou decoradas e não existe fórmula. A doutrinação é simples, amorosa, compreensiva e benevolente.

O doutrinador deve "ser atencioso, sereno e compreensivo no trato com os enfermos encarnados e desencarnados, aliando humildade e energia, tanto quanto respeito e disciplina na consecução das próprias tarefas. Somente a forja do bom exemplo plasma a autoridade moral." - André Luiz (Conduta Espírita)

 

Bibliografia:

 

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Caminho, Verdade e Vida: Cap. 143

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Missionários da Luz: Cap. 17 e 18

ARMOND, Edgard. Mediunidade: Cap. 28 e 29

MIRANDA, Hermínio C. Diálogo com as Sombras: Cap.2 - Os Médiuns - O Doutrinador

BÍBLIA SAGRADA. Novo Testamento: 1° Coríntios - Cap.12:14

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Conduta Espírita - Dos Dirigentes de Reuniões Doutrinárias - Cap.3

XAVIER, Francisco Cândido - Espírito ANDRÉ LUIZ - Expansão – Decálogo para Doutrinação, Cap. 45 e 53

PIRES, José Herculano. Obsessão: Cap. O Passe - A Doutrinação

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap. 6 (Irmão Raul Silva)

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Doutrinações – item 145

Apostila: Preparação De Médiuns e Doutrinadores para tarefas Especializadas - DEPASSE - FEESP

 

PARTE B

CARIDADE SEGUNDO

O APÓSTOLO PAULO

 

Paulo de Tarso escreveu aos Coríntios "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse caridade, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse caridade, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse caridade, nada disso me aproveitaria.”

Dar esmolas, doar um agasalho, distribuir comida aos necessitados, colaborar com uma quantia na comunidade, são características de caridade.

Estaria nossa consciência tranqüila diante de nossos deveres cristãos, segundo a caridade do Apóstolo Paulo?

Paulo mostra nesta passagem de sua carta que a caridade é algo muito mais profundo e mais importante do que ajudar com um agasalho, com o pão que nos sobra, aos necessitados. Embora isso seja um ato de caridade, não resume a grandiosidade desta virtude.

Ações caridosas devem fazer parte da vida daqueles que dedicam a divulgar a mensagem cristã. Caso contrário a palavra sem ação será como o sino que tine e como o metal que soa, como disse Paulo, ou seja, fará barulho chamando à atenção, mas não modificará os corações e inteligências a que é direcionada, e não auxiliará ninguém. "cada árvore é conhecida pelo seu fruto". Jesus (Lc VI:43-45).

A fé e o conhecimento espiritual também não são sinônimos de caridade, não fazem do indivíduo um ser caridoso. Mas sim, a prática desse conhecimento aliado a fé, "Assim também a fé, sem obras é morta", Tiago (2:17).

E Emmanuel disserta ainda para melhor esclarecimento que, "Reverenciamos a Providência Divina, depositamos em Cristo a nossa esperança, admiramos a virtude e acreditamos na força do bem; contudo, se nada realizamos, na esfera das boas obras, a nossa fé pode ser vigorosa e resplandecente, mas não adianta" (P.V.E. lição 106).

Qual seria então a vantagem da fé e do conhecimento, se o homem não ajudar a ele mesmo, com a prática e o bom exemplo daquilo que acredita?

Toda obra de caridade deve ser realizada de acordo com os princípios das Leis Divinas. Uma doação material, por exemplo, que é a mais fácil de fazer, deve ser desinteressada, para que o doador sinta-se irmão daquele que está sendo ajudado. Tendo como único objetivo, o amparo e alívio do necessitado.

Paulo nos ensina que, por mais fé que tenhamos em Deus e em nossas próprias forças nada seremos se não tivermos a caridade.

"A caridade é sofredora, é benigna; a caridade não é invejosa; não trata com leviandade; não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal. Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade. Mas a maior destas é a caridade." ( Paulo, I Coríntios:1-13).

O Apóstolo Paulo mostra que a verdadeira caridade desenvolve a resignação.

O homem resignado encontra forças para enxergar as dificuldades e os obstáculos da vida, como meios de progresso espiritual e não como uma punição, fazendo o possível para superá-los.

Ele amplia sua visão além da vida material, vê um novo horizonte.

Encontra nos ensinamentos de Jesus a sabedoria que esclarece e a fé que garante a esperança no porvir. Surge então a mudança interior, desenvolvendo a humildade, a beneficência, a paciência e o amor ao próximo. Não espera mais por recursos que ainda não lhes pertencem, para fazer a caridade, doa de si mesmo.

Paulo coloca a caridade acima da própria fé, porque a caridade está ao alcance de todos, do ignorante e do sábio, do rico e do pobre independe de qualquer crença. Define-a como um conjunto de todas as qualidades do coração tanto na bondade como na benevolência para com o próximo.

E o Espiritismo tem por máxima "Fora da caridade não há salvação", que resume todos os deveres do homem para com as criaturas. Com essa regra o homem jamais se transviará, pois nela está inserido o princípio de igualdade perante Deus, cujo ensinamento nos foi dado por Jesus como maior mandamento "Amarás a Deus de toda tua alma, e ao teu próximo como a ti mesmo".

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo Espiritismo: Cap. XI, item 13; cap. XV, itens 6,7 e 10.

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Novo Testamento: (Mt, XXII: 37-39);Paulo, I Coríntios (XIII: 1-7 e 13).

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Palavras de Vida Eterna: Lições 85/93/94 e 106

 

Questões para reflexão:

 

1) Escreva com suas palavras o que ocorre num trabalho de doutrinação.

2) Explique como deve ser a conduta do doutrinador espírita perante o Espírito comunicante.

3) Faça uma pequena dissertação sobre o tema "Fora da caridade não há salvação".

4) Explique o que Paulo queria dizer com a expressão: "seria como um metal que soa".

 

 

21ª AULA

PARTE A

MEDIUNIDADE CURADORA

AÇÃO MAGNÉTICA

 

Imposição das mãos - Passes - Operações Espirituais (com ou sem instrumentos)

 

A mediunidade curadora é exercida pela ação direta do médium sobre o doente, com o auxílio de uma espécie de magnetização de fato, ou pelo pensamento. (R.E. 1865 - setembro - Allan Kardec)

Afirmam os Espíritos que "a vida é um efeito produzido pela ação de um agente sobre a matéria. Esse agente, sem a matéria, não é vida, da mesma forma que a matéria não pode ser vida sem ele. É ele que dá vida a todos os seres, que o absorvem e assimilam" (LE, questão 63).

Esse agente é o fluido vital, também chamado de princípio vital, que é uma forma modificada do fluido cósmico universal, matéria elementar primitiva de todas as coisas.

Bem por isso, o ser, ao nascer, traz em seu corpo fisico, o fluido vital, que precisa ser continuamente suprido, em razão de sua constante utilização. A quantidade de fluido vital, entretanto, não é a mesma para todos os seres orgânicos, nem é constante nos vários indivíduos da mesma espécie.

Diz Kardec que "a quantidade de fluido vital se esgota; pode vir a ser insuficiente para manter a vida, se não se renova pela absorção e assimilação das substâncias que o contém. O fluido vital se transmite de um indivíduo a outro. Aquele que tem em maior quantidade pode dá-lo ao que tem menos, e, em certos casos, fazer voltar uma vida prestes a extinguir-se" (LE, nota à questão 70).

O Magnetismo é, nesses casos, "um poderoso meio, porque restitui ao corpo o fluido vital que lhe faltava e que era insuficiente para manter o funcionamento dos órgãos" (LE, questão 424). Com esta transfusão de energias fluídicas, através do magnetismo, pode-se obter o restabelecimento da saúde, isto é, "A cura que se opera pela substituição de uma molécula malsã por uma molécula sã" (OE, cap. XIV, item 31).

Esta ação magnética pode produzir-se de diferentes maneiras (OE, cap. XIV, item 33):

a) "Pelo próprio fluido do magnetizador; é o magnetismo propriamente dito, ou magnetismo humano, isto é, decorre da ação humana".

Na magnetização pela simples ação humana, o paciente deixa-se conduzir pelo agente; o magnetizador leva o assistido até certo grau de apassivação e, ao fazer-lhe sugestões benéficas, transmite-lhe o fluxo energético próprio e revitalizador das suas energias.

b) "Pelo fluido dos Espíritos que atua diretamente, sem intermediário sobre um encarnado. É o magnetismo espiritual cuja qualidade está na razão das qualidades morais do Espírito."

c) "Pelo fluido que os Espíritos derramam sobre o magnetizador, e para o qual este serve de condutor; decorre da ação conjugada entre o Espírito e o homem, ou magnetismo misto.

Se considerar-se que somente neste último caso, existe uma ação conjugada em que o homem, magnetizador, atua como intermediário da ação espiritual tem-se então um fenômeno mediúnico, posto que "a intervenção de uma potência oculta é que constitui a mediunidade". (LM, 2ª Parte, cap. XIV, item 175).

Kardec afirma também que são extremamente variados os efeitos da ação fluídica sobre os doentes porque estão subordinados a qualidades e a circunstâncias especiais; a cura depende, portanto, de algumas condições fundamentais:

Primeira: Do Poder curativo do fluido magnético animalizado do próprio médium. O Codificador diz que "há pessoas dotadas de tal poder que operam sobre certos doentes curas instantâneas, por uma só imposição das mãos, ou mesmo por um só ato da vontade" (GE, cap. XIV, item 32). A mesma informação está em "O Livro dos Médiuns”, 2ª Parte, cap. XIV, item 175.

Segunda: Da vontade do médium na doação de sua força. Em "O Livro dos Médiuns", 2ª Parte, cap. VIII, item 131, lê-se que "a vontade é atributo essencial do Espírito, isto é, do ser pensante. Tanto quanto do Espírito errante, a vontade é igualmente atributo do Espírito encarnado; daí, o poder do magnetizador, poder que se sabe estar na razão direta da força de vontade".

André Luiz, em "Nos Domínios da Mediunidade", cap. 17, diz que "o pensamento influi de maneira decisiva, na doação de princípios curadores. Sem a ideia iluminada pela fé e pela boa vontade, o médium não conseguiria ligação com os Espíritos que atuam sobre essas bases".

Terceira: Da influenciação dos Espíritos, dirigindo e aumentando a força do homem. Fala Kardec (GE, cap. XIV, item 33) que "o fluido espiritual combinado com o fluido humano, dá a este último as qualidades que lhe faltam. O auxílio dos Espíritos, em tais circunstâncias, é por vezes, espontâneo, porém, com mais freqüência, é provocado devido ao apelo do magnetizador". Em "O Livro dos Médiuns", 2ª Parte, cap. XIV, item 176, dizem os Amigos Espirituais: "A força magnética reside, sem dúvida, no homem, mas é aumentada pela ação dos Espíritos que ele chama em seu auxílio".

Quarta: Das intenções daquele que se quer curar. Depende de sua fé e de seus méritos.

Kardec (GE, cap. XV, itens 10 e 11), citando o caso da mulher que havia doze anos sofria de uma hemorragia, e tendo tocado em Jesus, sentiu-se curada (Mt, IX:20 a 22 e Mc, V:25 a 34) analisa o fato "como uma irradiação fluídica normal, em que não houve magnetização, nem imposição de mãos". Explica que o fluido, considerado como matéria terapêutica, "tem que atingir a matéria orgânica, a fim de repará-la; pode, então ser dirigido sobre o mal, pela vontade do curador, ou atraído pelo desejo ardente, pela confiança, numa palavra: pela fé do doente". Foi por isso que Jesus, conhecendo em si mesmo a virtude (força) que dele saíra, disse: "A tua fé te salvou". Kardec concluiu, em sua análise, que "a fé a que ele se referia não é uma virtude mística, qual a entendem muitas pessoas, mas uma verdadeira força atrativa, de sorte que aquele que não a possui opõe à corrente fluídica uma força repulsiva, ou, pelo menos, uma força de inércia, que paralisa a ação". Termina Kardec que isto explica por que "apresentando-se ao curador dois doentes da mesma enfermidade, possa um ser curado e o outro não" (GE, cap. XV, item 11). Adiciona-se que, além da fé, deve-se contar com os méritos de cada um, e com as condições da Lei de Causa e efeito a serem cumpridas.

Diz o abnegado instrutor Áulus, que "o passe é uma transfusão de energias, alterando o campo celular. (...) Na assistência magnética os recursos espirituais se entrosam entre a emissão e a recepção, ajudando a criatura necessitada para que ela ajude a si mesma. A mente reanimada reergue as vidas microscópicas que a servem, no templo do corpo, edificando valiosas reconstruções. O passe, como reconhecemos, é importante contribuição para quem saiba recebê-lo, com o respeito e a confiança que o valorizam" (Em Domínios da Mediunidade, cap. 17).

Diz Martins Peralva que "a prece (...) representa elemento indispensável para que a alma do passista estabeleça comunhão direta com as forças do Bem, favorecendo, assim, a canalização, através da mente, dos recursos magnéticos das esferas elevadas" (Estudando a Mediunidade, cap. 26).

O passe pode ser dispensado à distância, através de irradiações magnéticas, "desde que haja sintonia entre aquele que o administra e aquele que o recebe. Nesse caso, diversos companheiros espirituais se ajustam no trabalho do auxílio, favorecendo a realização", esclarece Áulus.

Diz-se que o serviço de passe é conduzido pelos Espíritos com o apoio dos homens, porque são eles que:

a) Preparam o ambiente, a higienização e a ionização da atmosfera, bem antes de os médiuns chegarem a seus postos de trabalho;

b) Protegem o ambiente, isolando o recinto, para impedir a entrada de sofredores e obsessores;

c) Possuem os instrumentos, fluidos adequados e radiações necessárias para os processos de cura, para os quais os médiuns colaboram;

d) Preparam os médiuns para o trabalho, isolando, inclusive, aqueles inabilitados para o serviço;

e) Isolam assistentes ou colaboradores alcoolizados, para que as toxinas não prejudiquem os demais e o ambiente.

Enfim, nessa comunhão entre homens e Espíritos, para o socorro através de passes, se não houver amor, pouco se fará.

 

Operações espirituais com ou sem instrumentos

 

Nas operações espirituais os Espíritos desencarnados operam através das mãos do médium ou de instrumentos cirúrgicos. Os Espíritos mobilizam recursos fluídicos diretamente junto ao corpo fisico e espiritual do doente.

Nas operações espirituais, há necessidade do diagnóstico preciso por parte dos médiuns. E, posteriormente, o acompanhamento do doente.

Quanto ao uso de instrumental, vários médiuns os utilizaram, exemplos tivemos com os médiuns Arigó, Edson Queiroz e muitos outros.

Nas curas espirituais não há preocupação em se fazer um diagnóstico prévio, com exames complementares.

O socorro da Providência Divina é recurso que não nos falta, contudo, o restabelecimento da saúde está relacionado ao merecimento ou não do assistido, da sua fé e da sua necessidade.

A descrença, a desarmonia do ambiente, a falta de equilíbrio, de disciplina e de moral do doente também comprometem o bom resultado do socorro espiritual.

O trabalho de cura depende também do preparo físico e moral do médium. Afirma Martins Peralva, que: "além da humildade, deve o passista cultivar boa vontade e fé; prece e mente pura; e elevação de sentimentos e amor" (Estudando a Mediunidade, cap. XXVI).

As curas espirituais também poderão estar ligadas por parte dos encarnados às fraudes, chantagens, ciladas e aos interesses monetários.

A cobrança em dinheiro ou outros valores materiais compromete o médium que não segue os ensinamentos de Jesus, que recomendou aos seus discípulos: "Dai de graça o que de graça recebestes" (Mateus, cap. X, V. 8).

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: Cap.XIV, itens 175 e 176

KARDEC, Allan. A Gênese: Cap.XIV, itens 31 a 34 e XV, item 11

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz), Nos Domínios da Mediunidade: Cap.XVII

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Mecanismos da Mediunidade: Cap.XXII

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap.XXVI e XXVII

MICHAELUS. Magnetismo Espiritual

 

PARTE B

MEDIUNIDADE GRATUITA

 

A mediunidade não é uma profissão, mas uma aptidão, dom a ser exercido desinteressadamente, gratuitamente, servindo como meio de divulgação, a toda a Humanidade, das verdades espirituais, da fé raciocinada, do destino do homem, do seu objetivo na Terra, da importância da prática da caridade e da humildade constantemente. Por isso, o médium não tem direito de comercializá-la, porque seu trabalho é em conjunto com os Espíritos.

"Restitui a saúde aos doentes, ressuscitai os mortos, curai os leprosos, expulsai os demônios; daí de graça o que de graça recebestes" (Mt, 10:8).

Quando Jesus fez esta recomendação aos seus discípulos, estabelece que não se deve cobrar por aquilo que nada se pagou. Intentava transmitir ao povo que se deve preservar toda ação mental, dirigida a Deus, do comércio, das especulações, das ligações menos dignas, a que os encarnados pudessem sintonizar através da mediunidade.

O povo que vivia na Terra, quando Jesus aqui encarnou, era ainda muito ignorante quanto às verdades espirituais, com exceção dos discípulos, que tinham evoluído espiritualmente de forma mais acentuada.

Deste modo, Jesus sempre tentou atingir-lhes o pensamento, transmitindo-lhes suas lições por meio de historietas ou parábolas, a fim de que lhes impressionassem aos sentidos, e os discípulos pudessem perceber, ao menos, uma parte da nova moral que Ele vinha trazer à Humanidade.

Cita-se, como exemplo, a Parábola do Joio e do Trigo (Mt, 13:24-30).

O excessivo apego às coisas suscitava muitas preces pagas, além do comércio nos próprios templos de oração.

Disse ainda Jesus: Não façais que as vossas preces sejam pagas; não façais como os escribas, que "a pretexto de longas preces, devoram as casas das viúvas". Ao condenar estas práticas, Jesus transmite aos homens a ideia de que não devem comercializar as "Coisas de Deus".

Desta forma, é totalmente incoerente pagar a alguém para orar por outrem. O amor e o desinteresse estão muito longe daqueles que comercializam as coisas divinas, e o bom senso mostra que tal prática não é agradável a Deus, que considera, numa prece, a sinceridade e o desinteresse de quem profere.

Não é a quantidade ou a beleza das palavras que selecionam as preces verdadeiras, mas o sentimento de amor e fé daquele que está orando, muitas vezes através de um simples pensamento ou gesto, em qualquer lugar onde se encontre.

A mediunidade é a faculdade que permite o intercâmbio entre o Plano Físico e o Plano Espiritual, através do médium, e é uma oportunidade de trabalho a favor do próximo, e uma condição para a própria evolução espiritual.

Assim, o bom médium é aquele que usa suas faculdades para o bem do próximo.

É sua ferramenta de trabalho e como tal precisa ser bem conservada a fim de ser realmente útil.

O homem deve buscar na matéria e não nas atividades espirituais, o que venha trazer-lhe os elementos necessários para seu sustento material.

Diz Kardec: “a mediunidade só existe graças ao concurso dos Espíritos, se estes faltarem não há mediunidade, pois embora a aptidão possa subsistir, o exercício se torna impossível. Não há, portanto, um único médium no mundo que possa garantir a obtenção de um fenômeno espírita em determinado momento”.

O simples bom senso conduz ao raciocínio de que se os Espíritos não estão disponíveis a toda hora, e o médium, mesmo assim, dá comunicação, ou está ocorrendo um fenômeno anímico (emanado da própria alma do médium), ou uma mistificação (o médium age com intenção de enganar).

Importante considerarmos ainda a Lei de Sintonia Vibratória. Um Espírito com maior evolução não irá perder seu tempo em fornecer mensagens aos encarnados, a fim de atender a interesses materiais, quais sejam, conhecimento dos acontecimentos futuros, palpites em situações cotidianas, leitura da "sorte", promessas fúteis etc., de maneira que, afastando-se, permite que os Espíritos de menor grau evolutivo, ainda muito ligados às coisas materiais, sintonizem-se, mentalmente, com o médium, e cedem com prazer aos seus interesses materiais, incentivando-o mais e mais para práticas censuráveis. Estes comportamentos geram uma "cadeia vibratória", em que Espírito, médium e encarnado (que esteja "consultando") acabam ligando-se uns aos outros. Nenhum poderá escapar da Lei de Causa e Efeito. Todos terão que responder pelo desrespeito às Leis Divinas, de acordo com o conhecimento que possuam das “coisas espirituais e de sua intenção”, pois “a quem muito foi dado, muito lhe será pedido”. (Lc, 12:48).

Para que ocorra a "Mediunidade com Jesus" e o intercâmbio com os Espíritos mais elevados, é necessário que o médium os leve a sério e os coloque acima dos seus interesses materiais. Todo bom médium deve desenvolver suas qualidades morais com humildade, amor, devotamento, bondade, fraternidade, com muita fé.

"Quanto mais espiritualizado o médium e mais cônscio de sua responsabilidade ante a tarefa sagrada que o Pai Celestial lhe concede, mais rico em possibilidades de engrandecimento da própria alma e de beneficio aos desalentados do caminho evolutivo" (Martins Peralva, Estudando a Mediunidade, cap. XXIX).

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo Espiritismo: Cap. XXVI, itens 7 a 10

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap. XXIX

 

Questões para reflexão:

 

1. Descreva o que você entendeu por fluido vital e como ele pode ser renovado.

2. Faça a diferença entre o magnetizador e o médium curador.

3. Explique o processo de cura da mulher hemorrágica.

4. Interprete a frase de Jesus: "Dar de graça o que de graça recebestes".

 

 

 

22ª AULA

PARTE A

MANDATO MEDIÚNICO

 

O termo mandato não é de uso comum em nossa convivência diária.

Assim sendo, urge dar-lhe sentido e melhor conhecimento, familiarizando- nos com o mesmo, a fim de que, conhecendo sua origem e conteúdo, nossa compreensão do que seja e significa mandato mediúnico, seja completa, haja vista que ambos guardam semelhanças em suas essências.

Mandato, segundo definição formal, é autorização que alguém confere a outrem, para em seu nome praticar certos atos; delegação; confiança; missão. Na verdade, exprime um contrato, que é um ajuste de vontades entre pessoas.

Deriva-se do latim mandatum, de mandare, composto de manus dare (dar a mão), que tecnicamente significa dar poder ou autorizar e se afirmava com um aperto de mãos pelos contratantes, que se davam a mão direita, pois os antigos romanos acreditavam que o dedo anular desta era atravessado por um nervo que ia ao coração, sede da fidelidade.

Vale dizer que, entre os antigos romanos, as mãos simbolizavam a amizade, a lealdade e a fidelidade entre amigos e, sendo o mandato outorga de poder, consequentemente carrega consigo o ônus de honrar a amizade e os sentimentos nela fundados.

E, se no plano material, o mandato implica tanta responsabilidade moral para quem o recebe, no campo da mediunidade e no seu exercício, a outorga de mandato mediúnico não é menos severa, exigindo do medianeiro qualidades intelectuais e morais superiores, como nos narra André Luiz no capítulo; 16 de "Nos Domínios da Mediunidade", conforme ensinamentos e esclarecimentos do Instrutor Áulus a respeito de Ambrosina.

Assim revela Áulus que, Ambrosina após trabalhar por mais de vinte (20) anos consecutivos no exercício da mediunidade com JESUS, ou seja, com absoluto desinteresse, fidelidade, perseverança, obediência, disciplina, renúncia de si mesma, paciência evangélica e acendrado amor recebeu do Plano Superior o mandato mediúnico.

Igualmente, Áulus nos define que mandato de serviço mediúnico é uma delegação de poder obtido pelo crédito moral do medianeiro, no exercício da mediunidade cristã, largo período de tempo.

Por via de consequência, mandato mediúnico, por ser uma delegação de poder, acarreta para o medianeiro uma carga maior de trabalho e responsabilidade.

Entretanto, em contrapartida, o médium contará com uma associação mais estreita com o mentor que supervisiona e lhe preside a tarefa, passando a guiar-lhe a peregrinação na Terra, governando-lhe as forças e dando-lhe mais imediato apoio, sustentação e proteção, somente estabelecendo o médium o contato com o plano espiritual de acordo com a supervisão dele, o que significa uma garantia para o desempenho fiel e seguro do mandato mediúnico.

Esclarece-nos Áulus:

- que o mandato mediúnico está vinculado a compromissos assumidos pelo médium, antes da reencarnação, no Plano Espiritual;

- que, não sendo um atestado de santidade, o médium pode recuar diante da responsabilidade que encerra o seu cumprimento;

- isto porque, o livre arbítrio do médium é sempre respeitado, haja vista que suas vitórias devem ser fruto do trabalho e esforço próprio, daí advindo seu mérito.

Enfim, a quem muito foi dado, muito será pedido, valendo igualmente: quem muito deu, no cumprimento fiel de seus deveres e obrigações, muito receberá. É da Lei.

Ensina Martins Peralva que é necessária "a bondade para atender, com o mesmo carinho, e a mesma boa vontade todos os tipos de necessitados, sem nenhuma expressão de particularismo; a discrição, para conhecer e sentir, guardando-os para si, dramas inconfessáveis e lacunas morais lastimáveis; é necessário o discernimento, para opinar com segurança, segundo as necessidades do consulente, a fim de ajudar os outros, para que os outros se ajudem".

Diz Emmanuel que "o mandato pede excessiva renúncia; no entanto, sem o sacrificio dos operários do progresso, as máquinas poderosas que assinalam a civilização da atualidade, não existiriam no mundo".

 

Bibliografia:

 

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap. 24 e 25

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Seara dos Médiuns: Lição 88

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Cap. XVI

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap. XXIV e XXV

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Seara dos Médiuns - Lição 88

SILVA, Plácido e. Vocabulário Jurídico: Tomo III - Págs. 981/982

ACQUAVIVA, Marcus Cláudio. Diário Enciclopédico de Direito: Vol. 4- Pág.4

 

PARTE B

O DEVER - AVIRTUDE

 

Define-nos Lázaro, no capítulo XVII, item 7, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, que "dever é a obrigação moral, primeiro para consigo mesmo e depois para com os outros" , esclarecendo que se refere somente ao dever moral.

Toda criatura de DEUS, em qualquer reino da Criação, está sujeito à lei do progresso, lei natural que a todos liga e congrega para a consecução final deste desígnio divino: a perfectibilidade.

E o ser humano deve perlustrar o caminho do progresso, no uso do seu livre arbítrio, monitorado pela consciência, na qual DEUS inscreveu suas Leis, imperando soberana a Lei de Amor.

Assim, para realizar a Lei de Amor devemos cumprir nossos deveres, na concretização do progresso moral e intelectual, como perfeitamente acentuou o Espírito Verdade, no Evangelho Segundo o Espiritismo, capitulo VI, item 5, recomendando: "Espíritas: amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instrui-vos, eis o segundo", e continua: "todas as verdades se encontram no Cristianismo" .

Logo, todos os nossos deveres se consubstanciam na aquisição da instrução intelectual e no exercício do Amor; este por sua vez, luarizando a intelectualidade e transformando-a em sabedoria, eis que o conhecimento intelectual, somente quando empregado conforme os ditames da ética e da moral, ou seja, seguindo os ensinamentos e exemplos de JESUS, completa o que denominamos reforma íntima, tornando-nos um homem novo, como preconizado por Paulo de Tarso: "E assim, se alguém está em CRISTO é nova criatura: as coisas antigas já passaram, eis que se fizeram novas" (II Coríntios, 5-17).

Entretanto, há de se perguntar: o dever, onde ele começa, onde acaba?

E Lázaro esclarece judiciosa e cristalinamente: "O dever começa precisamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranqüilidade do próximo e termina no limite que não desejaríeis ver transposto em relação a vós mesmos", todos nós temos deveres e direitos e, cumprindo nossos deveres com fidelidade em relação ao próximo, nascem nossos direitos.

Assim, se queremos evitar, para o futuro, a dor, os sofrimentos e os resgates aos quais estamos jungidos, cumpramos hoje as obrigações que nos são próprias, com obediência e resignação nesta época de transição que atravessamos, continuando aptos a habitar a Terra, que tanto amamos e à qual tanto devemos, quando guindada em planeta de regeneração.

"Encerra a virtude, em seu grau mais elevado, o conjunto de qualidades essenciais que caracterizam o homem de bem. Virtuosa é a criatura boa, caritativa, laboriosa, sóbria, modesta. No entanto, alguns atos reveladores de fraquezas morais, muitas vezes, empanam o brilho dessas qualidades intrínsecas. A pessoa que faz alarde de suas qualidades não é virtuosa, pois lhe falta a principal qualidade: a modéstia, e lhe sobeja o vício mais oposto: orgulho."

A pessoa, portadora de virtudes verdadeiramente dignas desse nome, evita a ostentação e faz com que ela se oculte, fugindo, assim, às homenagens de seus semelhantes. Jesus Cristo é o modelo excelso da virtude; no entanto, podem-se também mencionar alguns expoentes de virtudes santificantes, tais como: Francisco de Assis, Vicente de Paulo, Anália Franco, Bezerra de Menezes e muitos outros, que passaram pela Terra como um rasgo de luz, disseminando o Bem em sua expressão mais elevada.

Aquele que se exalta, que levanta monumento às próprias virtudes, com essa atitude anula o mérito real que possa ter. Que dizer, então, daquele que apenas aparenta virtudes que não possui? Este procura enganar-se a si próprio e também a Deus. Aquele que pratica o Bem sente em sua alma uma satisfação íntima; entretanto, desde que esta seja exteriorizada com o fito de receber elogios, receber aplausos, degenera em amor-próprio e vaidade.

Por isso, quando deres esmola, não te ponhas a trombetear em público, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, com o propósito de serem glorificados pelos homens. "Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita para que a tua esmola fique em segredo; e o teu Pai, que vê no segredo, te recompensará". (Mt 6: 2-4) ou ainda: "Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado".

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. Evangelho Segundo Espiritismo: Cap. VI, item 5 e cap. XVII- itens 7 e 8

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Novo Testamento: II Coríntios 5:17

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Novo Testamento: Mateus 6:2-4

 

Questões para reflexão:

 

1) Descreva sucintamente o que é mandato mediúnico.

2) Explique a relação do Médium, no mandato mediúnico com o seu mentor espiritual.

3) Explique a finalidade do conhecimento e prática do Evangelho de Jesus no cumprimento do Dever.

4) Faça um breve relato sobre a virtude e como se comporta uma pessoa virtuosa.

 

 

23ª AULA

PARTE A

SOCORRO ESPIRITUAL

 

De que maneira se processa o Socorro Espiritual?

Porque, muitos são os Espíritos Infelizes que se demoram nas cercanias das regiões a que estão ligados, em processos de revolta, desespero, rebeldia, violência, vampirismo, sofrimento profundo, zombaria, formam legiões de Espíritos emaranhados no próprio orgulho e atrelados a doloroso desequilíbrio.

Outros continuam jungidos às limitações fisicas impostas pelas mais variadas enfermidades, inconscientes de si mesmo, pois, ainda não despertaram que já vivem a vida espiritual, sentindo ainda as dores fisicas e mentais.

Alguns são desertores dos mais sagrados compromissos assumidos na Espiritualidade. Outros ainda, Espíritos chegados ao fim de sua jornada, reclamando preparo para o retomo à Pátria Espiritual. Infinito é o numero de Espíritos necessitados de assistência espiritual.

Como se caracterizam: os grupos (ou equipes) espirituais de socorro? Como esse auxilio pode ser prestado? Quem pode prestar tal assistência? Em que condições pode ela ser ministrada?

As equipes espirituais de socorro: tem sempre o seu dirigente, que é um Espírito mais evoluído, portador de grandes conhecimentos, com grande elevação moral, que orienta os trabalhos e dele participa ativamente. Ressalte-se que todos os demais componentes das equipes tem, também, as suas funções, havendo, inclusive, aqueles Espíritos que participam dos trabalhos visando o seu próprio aprendizado.

Os trabalhos de socorro, em algumas oportunidades, não prescindem da colaboração dos Espíritos encarnados que, na qualidade de médiuns, doam seus fluidos para as tarefas em que estes são necessários.

A prece é valioso instrumento de colaboração magnética nas ações curativas praticadas pelas equipes espirituais.

Também, o necessitado de socorro é chamado a colaborar, espiritualmente em favor de si mesmo, colocando-se em posição favorável para receber o auxilio.

Convém ressaltar aqui o estudo das "Curas", onde na "Mediunidade Curadora", se verifica a comunhão do trabalho entre as duas esferas da vida para a aplicação dos respectivos fluidos: humano e espiritual, ou combinados igualmente. André Luiz, nos mostra em Missionários da Luz, cap. 7, a necessidade de participação dos encarnados junto aos desencarnados, para os trabalhos socorristas, em razão da diferença da qualidade nos fluidos.

Há inumeráveis turmas de socorro que colaboram nos círculos da crosta, voltadas para a necessidade e grau evolutivo de cada espírito encarnado ou grupo. Essas turmas são dedicadas à caridade evangélica.

Aliás, "todas as escolas religiosas dispõem de grandes valores na vida espiritual", como nos ensina Andre Luiz, para atender os Espíritos que desencarnam nos mais variados degraus evolutivos e nas mais diversas condições de crença.

Os milhares de servidores espirituais que participam desses grupos socorristas estão ligados a diversas regiões espirituais mais elevadas, onde há Espíritos Benfeitores que velam pelos trabalhadores inspirando-os em suas tarefas de amparo fraternal. O auxilio é desinteressado, e os trabalhos são os mais eficientes e dignos.

E, inclusive unem-se Espíritos com ideais comuns de socorro aos irmãos sofredores encarnados ou desencarnados formando diferentes grupos de trabalho das Fraternidades do mundo extrafisico. Na esfera de ação da Federação Espírita do Estado de São Paulo, por exemplo, há a Fraternidade dirigida pelo Espírito Dr. Bezerra de Menezes, com atividades médicas e investigações cientificas para curas fisicas, a Fraternidade dos Cruzados, dirigida por Ismael, para proteção da Federação e dos lares dos trabalhadores no campo mediúnico. Admite-se a existência de tantas Fraternidades do mundo espiritual quantas são as diferentes atividades, incluindo vigilância, assistência, pesquisas, socorristas, estudos, etc.

André Luiz e outros amigos espirituais têm trazido aos homens informações preciosas das atividades dos trabalhadores do Bem na erraticidade, vide Livro Libertação.

Os Espíritos do Bem - compreendendo melhor que os homens o ensinamento de Jesus "que ninguém se eleva senão através do amor ao próximo" - suas atividades socorristas em busca do aprendizado são certamente mais intensas que a dos homens, porquanto sabem mais que eles que a vida continua, donde sentir a necessidade de refazer o caminho percorrido, reequilibrando almas, restabelecendo direitos, ou reajustando as próprias responsabilidades.

O socorro espiritual é um trabalho constante para os Espíritos mais esclarecidos, mais do que os homens possam imaginar, seja em favor dos Espíritos desencarnados, ainda envolvidos em fluidos espessos, sofrendo a atração da matéria e sob a influencia de apetites grosseiros, seja em favor daqueles que estão desencarnando e necessitam de socorro imediato para a própria libertação perispiritual do invólucro fisico, ou ainda, no socorro dos próprios desencarnados em suas fainas, sempre pedintes da misericórdia divina, que conforta os tristes, acalma os desesperados, socorre os ignorantes e abençoa os infelizes.

Dia virá em que a Medicina Espírita, que "é um processo em desenvolvimento, como fala Herculano Pires (Mediunidade, cap. 12), terá a participação mais direta e objetiva dos Espíritos no tratamento da doença dos homens.

Os médicos, paulatinamente, começam a olhar o homem integral, ou seja, corpo, mente, espírito, no tratamento dos doentes.

O Espiritismo contribui com a Mediunidade, e a Medicina com o saber e as experiências dos médicos, de tal modo que "os médiuns representam os médicos espirituais que, através deles dão a contribuição das observações do outro lado da vida. Os médicos representam a medicina da atualidade e procuram estabelecer as ligações necessárias para um esforço comum em beneficio da Humanidade".

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"Pedi e dar-se-vos-á”; “buscai e achareis”; “batei e abrir-se-vos-á”, disse Jesus (Mt 7:7 a 9), e sua promessa se cumpre através da ação dos Espíritos cooperadores com a obra do Bem, em atenção ao mérito de cada um e segundo a vontade do Senhor.

Não há aquisição sem trabalho, ou mérito sem esforço próprio, na senda de cada alma encarnada ou desencarnada.

 

Bibliografia:

 

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Missionários da Luz: Cap.7

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Entre a Terra e o Céu: Cap. XXXIV

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Seara dos Médiuns: Lição 34

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Cap. 7

PIRES, José Herculano. Mediunidade: Cap. 12

THOMAZ, Martha Gallego. O Instituto de Confraternização Universal e as Fraternidades do Espaço

 

PARTE B

A PIEDADE

 

"A piedade é a virtude que mais nos aproxima dos anjos. É a irmã da caridade que vos conduz para Deus", nas sabias palavras do Espírito de Michel (ESE, cap.XIII, item 17)

Piedade é aquele sentimento íntimo, profundo, que faz uma pessoa solidarizar-se com a dor do semelhante, restituindo-lhe a confiança, a esperança e a resignação.

Surgindo ao lado da desgraça, a piedade transmite uma penetrante suavidade, que encanta a alma: quando profundamente sentida, é amor; o amor é devotamento; e devotamento é o esquecimento que o homem sente de si mesmo para solidarizar-se com a dor do semelhante e esse devotamento, essa abnegação pelos infelizes é a virtude por excelência, aquela que Jesus praticou em toda a vida, ensinando- a com toda a sublimidade.

O progresso do espírito passa pela constatação e pela erradicação do orgulho e do egoísmo, dispondo a alma à humildade, à beneficência e ao amor ao próximo. É a piedade o sentimento mais apropriado para colocar o Espírito nessas condições, comovendo-lhe as fibras mais intimas, diante do sofrimento dos seus irmãos, levando-o a estender-lhes a mão caridosa e arrancando-lhes lágrimas de simpatia.

E se o aperfeiçoamento, a purificação do Espírito implica na vivencia de todos os problemas que lhe dizem respeito e no armazenamento de todo os conhecimentos possíveis, não se deve jamais sufocar este sentimento sublime, essa emoção celeste, que faz o Espírito experienciar, no corpo e na alma, o sofrimento por que ele precisaria passar, para elevar-se.

A alma experimenta uma angustia ao contato da desgraça alheia, sentindo um estremecimento natural e profundo, que faz vibrar todo o seu ser, afetando-a profundamente. Mas há aí uma grande compensação, posto que os benefícios não tardam para o Espírito piedoso que consegue devolver a coragem e a esperança a um irmão infeliz, que se comove ao aperto da mão amiga. Seu olhar umedecido de emoção e de reconhecimento, volta-se com doçura, para o benfeitor, antes de elevar-se ao céu, em agradecimento pelo envio do consolador, do amparo tão desejado. "Mas é grande ganho a piedade com contentamento" (Paulo, 1ª Epistola a Timóteo, cap. 6:6).

Por isso, o homem deve afastar de si a indiferença, a insensibilidade, assim como a compaixão aparente, o fingimento, a antipatia gratuita, a piedade mentirosa, repleta de ilusões e exigências, pois na realidade aí temos os sentimentos de orgulho e de egoísmo, nossos defeitos morais mais difíceis de erradicar, antepondo-lhes a simpatia espontânea e desinteressada. Ensina Cairbar Schutel que "a piedade é a simpatia espontânea e desinteressada, que se antepõe à antipatia gratuita ou desrespeitosa", que "só a piedade consoladora traz alegria ao Espírito, criando elevação e valor".

A piedade sincera jamais expressa covardia a destruir o Bem, nem ridículo a excitar o riso alheio, porque é força de renovadas almas e luz interior.

Emmanuel escreve: "Fala-se muito em piedade na Terra; todavia quando assinalamos referencias a semelhantes virtudes, dificilmente discernimos entre compaixão e humilhação.

“Ajudo, mas este homem é um viciado”.

“Atenderei, entretanto esta mulher é ignorante e má”.

“Penalizo-me: contudo este irmão é ingrato e cruel”.

Complementa Emmanuel que, de maneira geral, "só encontramos na Terra essa compaixão de voz macia e mãos espinhosas", deitando mel e veneno, socorrendo e espancando, ao mesmo tempo. Mas, "a verdadeira piedade, no entanto é filha legitima do AMOR. Não perde tempo na identificação do mal".

E, além do mais, devemos considerar a PIEDADE sempre como um instrumento ativo, ou seja, ela nos induz a pratica do socorro material ou espiritual, junto daqueles que os despertaram para este sentimento divino, sem o que ela é infrutífera, nos ensina Emmanuel na lição 96 – livro Espírito da Verdade.

O dia em que o homem praticar a piedade pura e verdadeira ensinada por Jesus reinará na face da Terra a concórdia, a paz e o amor.

 

Bibliografia:

 

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo Espiritismo: Cap. XIII - item 17

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). O Espírito da Verdade: Lição 96

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Pão Nosso: Lição 107

 

Questões para reflexão:

 

1) Explique a interferência do Plano Espiritual no processo de cura.

2) Comente o pensamento de José Herculano Pires sobre a participação da Medicina Espírita nos tratamentos das doenças dos homens.

3) Explique o sentimento de piedade e o porquê do Espírito necessitar da erradicação do orgulho e do egoísmo.

4) Analise a expressão de Emmanuel: "só encontramos na Terra essa compaixão de voz macia e mãos espinhosas".

 

 

 

 

24ª AULA

PARTE A

PARANORMALIDADE

OU MEDIUNIDADE?

 

"Parapsicologia é o processo científico de investigação dos fenômenos inabituais, de ordem psíquica e psico- fisiológica, e tem como objeto, os fenômenos psíquicos não habituais, mas apesar disso, naturais, comuns a toda espécie humana. Esses fenômenos considerados parapsicológicos são de ordem vital, psíquica e fisica". (JHPires)

O Prof. Ernesto Bozzano, em sua obra "Animismo ou Espiritismo?", publicada em 1944, sustenta a tese, cuja discussão fundamental e de indiscutível importância é a de que "as faculdades supranormais subconscientes não são e não podem ser fruto da evolução biológica da espécie". Além disso, refuta a hipótese de que estas faculdades se destinem a emergir e fixar-se na espécie, no porvir (pág. 16 e 21).

A tese foi apresentada em 1937, a convite do Conselho Diretor do Congresso Espírita Internacional, de Glasgow, que propôs ao nobre pesquisador o tema "Animismo ou Espiritismo? Qual dos dois explica o conjunto dos fatos?", ao que respondeu logo no prefácio de sua obra: "Nem um nem outro logra, separadamente, explicar o conjunto dos fenômenos supranormais. Ambos são indispensáveis a tal fim e não podem separar-se, pois que são efeitos de uma causa única e esta causa é o espírito humano que, quando se manifesta, em momentos fugazes, durante a encarnação, determina os fenômenos anímicos e, quando se manifesta mediunicamente, durante a existência "desencarnada", determina os fenômenos espiríticos.

Em suas pesquisas, Ernesto Bozzano observou inúmeros casos ou "episódios de fenômenos anímicos" como "leitura do pensamento", "telepatia", "visão de corpos opacos", "clarividência no presente, no passado e no futuro", fenomenologia que para o nobre pesquisador foi suficiente para fazê-lo chegar às conclusões a que se propunha: a demonstração de que "o animismo prova o Espiritismo"

Baseado em sua pesquisa psíquica desenvolvida ao longo de quarenta anos, afirma que "as condições requeridas para que as faculdades sensórias normais cheguem a despontar e evolver são diametral e irredutivelmente contrárias às que se exigem para que as faculdades supranormais subconscientes cheguem a surgir e exteriorizar-se ...

Explica o nobre cientista que a gênese e a evolução dos órgãos dos sentidos e das faculdades psíquicas normais se executam necessária e exclusivamente no plano da vida de relação, sob a forma de uma reação contínua e complexa, contra os estímulos exteriores. O que equivale a dizer que se executa no plano da consciência normal, que é aquele no qual se desenvolve, para o ser vivo, a luta pela vida. E toda a atividade organizadora da evolução biológica se exercita por meio de uma lei que é a da "seleção natural".

Quanto às faculdades supranormais subconscientes, em vez de se exercitarem no plano da consciência normal, somente surgem sob a condição de que as funções da vida de relação se achem temporariamente abolidas ou apagadas, dependendo do grau, mais ou menos profundo, de inconsciência em que esteja o sensitivo (médium), o grau de maior ou menor perfeição com que elas se exteriorizam.

As faculdades supranormais como patrimônios do Espírito, aguardam para emergir e exercitar-se plenamente, no ambiente espiritual que sucede a vida material.

Mencionando as palavras do Dr. Gustavo Geley, cientista francês, autor da obra "Do Inconsciente ao Consciente", o ilustre pesquisador demonstra a inconciliabilidade das faculdades supranormais da telepatia, da telestesia, da clarividência no passado, no presente e no futuro, com o desenvolvimento regular e natural da existência terrena.

Os poderes das faculdades supranormais subconscientes se circunscrevem dentro de limites definidos estabelecidos pela "lei de afinidade", que governa o universo físico e o psíquico, que se expressa sob a "lei de relação psíquica". Todo semelhante atrai semelhante, esta é a lei de afinidade universal à qual temos que nos harmonizar.

Assim, fazendo-se uma analogia ao mecanismo do rádio que deve ser regulado com o "comprimento de onda" que se pretenda captar, para que as subconsciências humanas recebam e registrem as vibrações psíquicas, necessário estarem reguladas pelo "comprimento de onda" correspondente à "tonalidade vibratória" que diferencia de outra qualquer a pessoa ausente que se procura.

Ernesto Bozzano tece também em seu minucioso trabalho da seguinte questão: se ainda se discute a autenticidade de algumas categorias de fenômenos físicos de mediunismo, já se não discute a existência de faculdades supranormais subconscientes, existência que todos reconhecem, graças, sobretudo, à obra de dois pesquisadores, considerados pelo mestre, geniais: o professor Charles Richet e o Doutor Eugene Osty. Contudo, conforme ressalta o ilustre pesquisador, as comunicações mediúnicas entre vivos provam a realidade das comunicações mediúnicas com os mortos.

Diz ele: "Não esqueçamos que a denominação de fenômenos mediúnicos propriamente ditos designa um conjunto de manifestações supranormais, de ordem física e psíquica, que se produzem por meio de um sensitivo a quem é dado o nome de médium, por se revelar qual instrumento a serviço de uma vontade que não é a sua.

Ora, essa vontade tanto pode ser a de um defunto, como a de um vivo. Quando a de um vivo atua desse modo, à distância, somente o pode fazer em virtude das mesmas faculdades espirituais que um defunto põe em jogo. Segue-se que as duas classes de manifestações resultam de naturezas idênticas, com a diferença, puramente formal, de que, quando elas se dão por obra de um vivo, entram na órbita dos fenômenos anímicos propriamente ditos, e quando se verificam por obra de um defunto, entram na categoria, verdadeira e própria, dos fenômenos espíritas. Evidencia-se, portanto, que as duas classes de manifestações são complementares uma da outra, a tal ponto que o Espiritismo careceria de base, dado não existisse o Animismo.

Em seu livro "Metapsíquica Humana", cap.IV, assevera que o "Animismo e Espiritismo" representam o duplo aspecto pelo qual se apresenta a mesma fenomenologia, que provém de uma causa única, constituída pelo espírito humano, na sua dupla fase de existência: a "encarnada" e a "desencarnada".

Seus estudos lograram ainda demonstrar a preexistência da alma, propondo, portanto, a partir da vasta gama de experiências realizadas, sérias reflexões de ordem moral e filosófica a respeito das comunicações mediúnicas e a origem e o destino do ser.

O Espiritismo, como asseverou o nobre Codificador, tem por fim demonstrar e estudar a manifestação dos Espíritos, suas faculdades, sua situação feliz ou infeliz, seu futuro; em suma o conhecimento do mundo espiritual.

"O Espiritismo é a ciência nova que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo".

O Prof. Joseph Banks Rhine, da Duke University, Estados Unidos: O Novo Mundo da Mente apresenta-nos essa área na forma de um mapa bem delineado. Esse mundo, como diz o autor, só é novo para as Ciências. Porque, na realidade, é conhecido do homem há muitos milênios. Talvez desde que o homem existe. (...) Quando, pois, um pretenso parapsicólogo se propõe a "ensinar" que a parapsicologia nega a existência de espíritos, de comunicações espirituais, de princípios religiosos e filosóficos, como o da reencarnação e da existência de Deus, os seus diplomas e certificados não têm sequer valor de atestado de informação sobre o assunto.

Alguns parapsicólogos de renome mundial, com base em suas ilações que tiraram de suas investigações, reconheceram a supervivência da mente após a morte física.

O Prof. Rhine, em seu livro "O Novo Mundo da Mente", reconhece que nas experiências realizadas pela sua esposa na Duke University, há casos que sugerem a participação de uma entidade extracorpórea. O conjunto dessas experiências acabou demonstrando de maneira irrefutável que possuímos a capacidade de percepção extra-sensorial. O homem pode perceber por outra via que não a dos sentidos físicos. E o mais importante é que pode "adquirir conhecimentos verdadeiros sobre a matéria por vias não materiais." (José Herculano Pires).

Continua Herculano Pires: "O homem não é apenas uma estrutura mental. É um ser espiritual, um organismo psíquico. A mente é a sua cabine de comando".

 

A Parapsicologia e o Espiritismo

 

As relações entre o Espiritismo e a parapsicologia não são, portanto, amistosas, como pensam geralmente os espíritas e não espíritas. O enclave científico, orgulhoso, retém ciosamente o que conseguiu conquistar do vasto império que o rodeia, e ameaça desmantelá-lo por completo, no futuro, se os espíritos puderem ser eliminados.

Tanto a Parapsicologia, quanto o Espiritismo objetivam exclusivamente a descoberta da verdade sobre a natureza humana.

Diante desse impasse, Kardec afirma que o Espiritismo é uma Ciência que trata do elemento inteligente do Universo, ou seja, uma ciência espiritual. Não se pode confundi-lo com as ciências chamadas positivas, que tratam do elemento material do Universo. Mas é evidente que as duas formas de Ciência devem conjugar-se, para abrangerem todos os aspectos do Universo. (JHPires)

 

Bibliografia:

KARDEC, Allan. Obras Póstumas: Primeira Parte - Causa e natureza da Clarividência Sonambúlica;

BOZZANO, Ernesto. Animismo ou Espiritismo? - caps. I, II e III;

BOZZANO, Ernesto. Metapsíquica Humana: cap. IV;

PIRES, J. Herculano. Parapsicologia Hoje e Amanhã: primeira e segunda parte

KARDEC, Allan. Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap.I, item 5

 

PARTE B

O PODER DO BOM ÂNIMO

 

"No mundo tereis aflições, mas tende bom animo, eu venci o mundo" (Jo 16:33)

 

O ânimo é uma disposição do espírito, é um alento, refere-se, também a índole das pessoas, a coragem, valor, disposição – Dicionário Aurélio Buarque de Holanda.

Bom ânimo relaciona-se com a fé, confiança em Deus.

Em todos os momentos de sua vida, Jesus exercitou e exemplificou o bom ânimo, a fé Nele, a fé no Pai, relembremos:

"Os discípulos estavam num barco açoitado pela tempestade e Jesus dirigiu-se a eles caminhando pelas águas, assustaram-se achando que viam um fantasma, ao que o Mestre lhes falou "tende bom ânimo, sou eu, não temais" (Evangelho Mateus 14:24-37). E, em todas as oportunidades o Mestre relembrava: Tenham fé; alguns exemplos: a cura da mulher hemorrágica, em que Ele coloca como o principal e único remédio para a cura, a fé da mesma.

O espírita já adquiriu o conhecimento necessário para superação de seus males, pois o Evangelho traz em seu bojo todo o conhecimento para o equilíbrio e a cura de suas doenças e mazelas, cujos maiores e melhores remédios que o Médico das nossas Almas prescreveu é: a fé e a perseverança em nós e em Deus para iniciarmos o processo de mudança interior e adquirirmos a verdadeira saúde.

Portanto, bom ânimo é um atributo da alma, uma virtude moral e social do ser humano, que o leva a tomar iniciativa quando tem de enfrentar dificuldade ou iniciar um empreendimento incomum.

Este termo é amplo, pois quando somos aconselhados a exercitar o bom ânimo, estamos iniciando o treinamento, para aprendermos a viver melhor, com alegria, mansuetude, ou seja, por mais dificuldades que tenhamos, sejamos positivo e acreditemos que venceremos as dificuldades que se nos apresentam.

Pois, o ser que tem confiança em si e em Deus, aceita mudanças e é receptivo ao aprendizado.

Viver não é somente desenvolver os sentidos, satisfazer instintos naturais, e materiais, pois os animais também o fazem, o ser hominal, vai mais, satisfaz sim e protege o corpo físico, pois vive no Planeta Terra, e necessita da vida material, também para sua sobrevivência, busca desenvolver suas potencialidades estudando, trabalhando, progredindo, sempre, pois é da Lei de Deus que o homem progrida sempre.

Quando iniciamos o nosso processo de reforma interior, começamos a exercitar o poder da confiança em nós e no Pai Criador.

Porque é exatamente neste ponto da vida em que fazemos um balanço das nossas ações e percebemos que já vivenciamos ou vivenciaremos situações da nossa vida em que enfrentamos dificuldades, estados emocionais de insegurança e medo. E, percebemos a importância de desenvolvermos a coragem, que também é uma disciplina da nossa alma.

Iniciamos, aí, a Educação da nossa Alma, do nosso Espírito Eterno.

O bom ânimo vincula-se à fé e confiança em Deus, eliminando assim, estados de medo, depressão, ansiedade: os três males da atualidade.

Ter bom ânimo equipara-se a ser corajoso; uma disposição voltada para o Bem e o Amor, portanto este ser posiciona-se, e tem um compromisso a ser realizado pela pessoa perante si mesma, perante a família e a sociedade. E, quando o mesmo é chamado para mostrar os seus talentos, ele o faz com alegria e uma grande satisfação íntima.

É necessário ter bom ânimo para trilhar o caminho do Bem, num mundo cheio de maldades, lutar pela justiça e amor entre os homens, altruísta numa sociedade egoísta. É necessário ter fé para amar a todos, independente de raça, credo, ou posição social, reiniciar um trabalho que não teve o sucesso idealizado, ser receptivo a mudanças e buscar entender o outro ser no estagio em que o mesmo está, lutar pela verdade e justiça, quando outros a negam, lutar sempre para que a paz e o amor se façam entre os homens, e reconhecer que os seres humanos são todos filhos de um mesmo Pai e devem amar-se uns aos outros, aceitar que o Amor é a Lei Maior que está presente em todos os atos de nossa vida.

Portanto, o ser que adquire o bom animo é o HOMEM DE BEM, que nos fala o Evangelho segundo o Espiritismo no Capitulo XVII, item 3, ou seja ele tem fé em Deus, tem fé no futuro; entende que todas as dores ou decepções, são provas ou expiações e as aceita sem decepção, resigna-se; é bom, humano, benevolente, respeita os outros, e é respeitado, não tem ódio, nem rancor; é indulgente, não se envaidece, usa, mas não abusa dos bens que adquire em sua jornada terrena, quando é autoridade, usa-a com parcimônia, sabendo colocar-se para aqueles que estão sob sua ordem, não esmaga o subordinado, quando é subalterno, sabe portar-se como tal, desempenhando com amor e dedicação suas funções.

E, já reconheceu que os vícios e defeitos tem origem na alma, e busca combatê-los com força de vontade, já entende que as aflições tem origem nesta vida ou em outra e busca melhorar -se, interiormente para que a sua cura se reflita, inclusive no corpo fisico. Busca respeitar todos os direitos que as Leis da Natureza proporcionam aos seus semelhantes, como pede que os seus sejam respeitados.

O Bom ânimo é um indicador daqueles que possuem a fé irrestrita em Deus, e, portanto conseguem superar suas dores e quedas, resignadamente, pois já adquiriram o CONHECIMENTO E O AMOR, e, portanto tem FÉ, ESPERANÇA e CARIDADE.

 

Bibliografia:

 

BROGLIO, Dr. Roberto. Educação da Alma

XAVIER, Francisco Cândido. Pão Nosso: Lição 113

KARDEC, Allan, Evangelho Segundo o Espiritismo: cap. V; cap. XVII, item 3; cap. XIX, itens 10 e 11

 

Questões para reflexão:

1) Explique o que você entendeu por faculdades paranormais.

2) Explique porque o animismo prova a realidade da alma.

3) Analise o ensinamento contido no Evangelho de João (16:33): "No mundo tereis aflições, mas tendes bom animo, eu venci o mundo".

4) Descreva os conhecimentos adquiridos por aqueles que se consideram espíritas.

 

 

25ª AULA

PARTE A

MEDIUNIDADE COM JESUS

 

"Todos vós, conforme o dom que cada um recebeu, consagrai-vos ao serviço uns aos outros, como bons dispenseiros da multiforme graça de Deus" (I Pedro, 4: 10)

Mediunidade com Jesus significa o exercício da faculdade medianímica com base nos seus ensinamentos, e não se refere a sua mediunidade, pois, o Divino Mestre não era um médium na acepção do termo empregado ao homem comum, que permite a utilização dos seus órgãos para que os desencarnados manifestem-se das mais diversificadas formas e por variados motivos.

Quem segue o Cristo, vive-lhe o apostolado. Serve, coopera e caminha sem temor ou vacilação. Por ser uma missão sagrada no auxílio ao próximo, em nome de Jesus, o exercício mediúnico deve ser realizado com amor.

"Todos os homens têm o seu grau de mediunidade, nas mais variadas posições evolutivas, e esse atributo do espírito representa a alvorada de novas percepções para o homem do futuro". Emmanuel afirma que a primeira necessidade do médium é evangelizar-se a si mesmo antes de se entregar às grandes tarefas doutrinárias, pois de outro modo poderá esbarrar sempre no personalismo, em detrimento de sua missão. O médium deve saber que os atributos medianímicos são como os talentos do Evangelho, se o patrimônio divino é desviado de seus fins, o mau servo torna-se indigno da confiança do Senhor da seara da verdade e do amor.

O conhecimento e a prática do Evangelho e da Doutrina dos Espíritos conscientizam o médium quanto à missão de amor suscitada pela oportunidade do intercâmbio com o Plano Espiritual.

Referindo-se aos médiuns, o Espírito André Luiz diz o seguinte: "Quanto mais se acentuem o aperfeiçoamento e a abnegação, a cultura e o desinteresse, mais se lhe sutilizam os pensamentos, e com isso, mais se lhe aguçam as percepções mediúnicas, que se elevam a maior demonstração de serviço, de acordo com as suas disposições individuais". (Mec. da Mediunidade, Cap. XVIII)

Honremos a faculdade que nos felicitam os dias, mediante a execução de um plano socorrista em favor dos sofredores, a fim de nos libertarmos do currículo das manifestações inferiores.

Cada médium segue o roteiro que se desdobra como senda de purificação.

- uns curam, outros materializam;

- uns doutrinam, outros enxugam;

- uns falam, outro escrevem;

- uns ensinam, outros ouvem;

- uns libertam, outros servem na cooperação psicofônica, ajudando os atormentados do além-túmulo com as preciosas luzes do evangelho.

Não pretendamos atender a todos os dons espirituais, conforme a linguagem do vidente de Damasco-Paulo de Tarso, que nos apresentou a diversidade dele em sua memorável Cartas aos Coríntios (I Cor 12:4 a 11)

Utilizemos a força mediúnica em todo tempo e lugar, consoante as necessidades, examinando atenciosamente os necessitados e ensinando que todo o bem procede sempre do Pai que rege a vida.

"Ao exercício da mediunidade com Jesus, isto é, na perfeita aplicação dos seus valores a beneficio da criatura, em nome da Caridade, é que o ser atinge a plenitude das suas funções e faculdades, convertendo-se em celeiro de bênçãos, semeador da saúde espiritual e da paz nos diversos terrenos da vida humana, na Terra".

 

Bibliografia

 

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: Cap. XIV nº 159

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Mecanismos da Mediunidade: Cap.XVIII e XXVI

PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap.XXIX

PERALVA, Martins. Mediunidade e Evolução

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Seara dos Médiuns: Lição 62

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). O Consolador: itens 383, 387 e 389

FRANCO, Divaldo Pereira (Espírito Joana de Angelis). Estudos Espíritas: Lição 18 - Mediunidade

CARVALHO, Vianna de. À Luz do Espiritismo

BÍBLIA DE JERUSALÉM. (I Pedro, 4:10); (I Cor, 12:4 a 11).

 

PARTE B

A REALEZA DE JESUS

 

"O título de rei nem sempre exige o exercício do poder temporal. Ele é dado, por consenso unânime, aos que por seu gênio se colocam em primeiro lugar em alguma atividade, dominando o seu século e influindo sobre o progresso da Humanidade. É nesse sentido que se diz: o rei ou o príncipe dos filósofos, dos artistas, dos poetas, dos escritores etc. Essa realeza, que nasce do mérito pessoal, consagrada pela posteridade, não tem muitas vezes maior preponderância que a dos reis coroados?" (ESE, cap. II, item 4).

Complementa Kardec, no mesmo item, que "a realeza terrena acaba com a vida, mas a realeza moral continua a imperar, sobretudo, depois da morte. Sob esse aspecto, Jesus não é um rei mais poderoso que muitos potentados? Foi com razão, portanto, que Ele disse a Pilatos: Eu sou rei, mas o meu reino não é deste mundo".

Foi o rei dos trabalhadores, pois abraçou o serviço espontâneo, a favor da Humanidade, como sendo a tradução da própria fé.

Foi o rei dos servidores, pois se transfigurou em servidor da comunidade, estendendo mais imediata assistência aos que se colocavam no último plano da escala social.

Foi o rei da justiça, pois envergou a toga de juiz e patrocinou a causa dos deserdados. Foi o rei dos políticos, pois ensinou o acatamento maior às autoridades constituídas.

Foi o rei dos médicos, pois, sem nenhum juramento que o obrigasse a tratar os enfermos, amparou os doentes com extremada solicitude.

Foi o rei da humildade, pois podendo nascer em "berço de ouro", optou pela manjedoura, socorrendo-se da hospitalidade dos animais.

Foi o rei da liberdade, pois transmitiu a sua mensagem libertadora, aconselhando aos homens libertar-se dos erros, porquanto todo aquele que comete o pecado é escravo do pecado, acrescentando que se permanecessem os homens em sua Doutrina, seriam, verdadeiramente, seus discípulos e conheceriam a verdade, que os libertaria.

Foi o rei da tolerância, quando aferroado pelos soldados e vilipendiado pelo próprio povo que ajudara, disse: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc 23:34).

Foi o rei do amor, quando deu o novo mandamento, dizendo: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo13:34).

Foi, em síntese, o rei dos homens, pois passou no mundo abençoando e consolando, esclarecendo e servindo, mas preferiu morrer a tisnar o mandato de amor e verdade que o jungia aos desígnios do Pai Eterno.

O Espírita, no exercício de sua mediunidade e na vivência de todos os seus passos com Jesus, deve viver como todos os homens, mas sempre lembrando em todas as manifestações de sua existência que é chamando a servir aos outros, como o fizera o Mestre. Deve ter sempre o ensinamento de Kardec na lembrança. "Reconhece-se o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar suas más inclinações" (ESE, cap. XVII, item 4).

Além da lição de Jesus, das recomendações de Kardec e dos Espíritos na Codificação, deve o médium lembrar-se das palavras de André Luiz (Opinião Espírita, lição 15), quando ensina: "Compenetra-te dos teus deveres sagrados, sabendo que o medianeiro honesto para consigo mesmo, chega à desencarnação com a mediunidade gloriosa, enquanto o medianeiro negligente atinge o rio da morte com a tortura de quem desertou da própria responsabilidade. A mediunidade não se afasta de ninguém; é a criatura que se distancia do mandato mediúnico que o Plano Superior lhe confere".

 

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo Espiritismo: Caps. II e XVII - item 4

XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Opinião Espírita: Lições 15, 16 e 58

BÍBLIASAGRADA. Novo Testamento: Lucas, 23:34

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Antigo Testamento: Jo, 13:34

 

Questões para reflexão

1) Explique o que você entendeu por mediunidade com Jesus quais os cuidados que devem ter o médium na aplicação dos seus talentos.

2) Relate o beneficio alcançado pelo médium segundo André Luiz.

3) Faça uma análise sobre o significado da realeza de Jesus.

4) Explique os gestos de Jesus que o caracteriza como rei da liberdade e rei da segurança.